Vida e Saúde
Pausas de cinco minutos por hora reduzem fadiga e melhoram o humor, aponta estudo
Pesquisa indica que caminhadas breves ajudam a diminuir impactos de longos períodos sentado sem comprometer a produtividade
Fazer pausas de apenas cinco minutos a cada hora para se movimentar pode oferecer o melhor equilíbrio entre viabilidade e eficácia na redução dos riscos à saúde associados a longos períodos sentado. A conclusão é de um estudo de grande porte, realizado em condições reais e publicado recentemente na revista científica British Journal of Sports Medicine.
Os resultados indicam que esses breves intervalos ajudam a melhorar o humor e a reduzir a fadiga sem prejudicar o desempenho no trabalho. Com base nos achados, os pesquisadores sugerem que a prática tem potencial para ser adotada como estratégia de saúde pública e incorporada a diretrizes de atividade física.
Em média, adultos de países de alta renda permanecem sedentários de 11 a 12 horas por dia. Esse nível de inatividade tem sido apontado como uma preocupação relevante de saúde pública, por estar associado ao aumento do risco de doenças crônicas e de morte, observam os autores do estudo.
Pesquisas laboratoriais já sugeriam que pequenas pausas para movimentação poderiam compensar parte dos efeitos negativos de longos períodos sentado. Ainda assim, permanecia a dúvida sobre a viabilidade dessa prática no cotidiano e sobre qual seria a frequência ideal para alcançar benefícios.
Para investigar a questão, os pesquisadores analisaram dados de 19.342 adultos que participaram do desafio interativo “Body Electric Challenge”, organizado pela National Public Radio (NPR), nos Estados Unidos. O grupo incluía pessoas de diferentes idades, ocupações e ambientes de trabalho.
Cerca de 60% dos participantes — 11.484 pessoas — fizeram pausas de cinco minutos para caminhar, em uma frequência escolhida por eles mesmos: a cada 30 minutos, 60 minutos ou 120 minutos. A prática foi mantida por 14 dias consecutivos, após sete dias de rotina habitual.
A maioria dos participantes recebeu um questionário diário por e-mail, às 20h, durante 21 dias, para avaliar mudanças na fadiga, no humor e no desempenho no trabalho. Uma amostra aleatória de 1.200 funcionários em tempo integral recebeu cinco questionários diários por SMS — às 9h, 12h, 15h, 18h e 21h — para medir o impacto imediato das pausas para movimentação.
A análise mostrou que as três frequências de pausas foram consideradas viáveis, aceitáveis e adequadas, com pontuações acima de 3, indicando potencial de implementação. A viabilidade foi maior nas frequências mais espaçadas, enquanto a aceitabilidade e a adequação permaneceram elevadas nos três grupos.
Os relatos de fadiga e humor deprimido diminuíram, enquanto o bom humor aumentou significativamente em todas as frequências avaliadas. As melhorias seguiram um padrão de dose-resposta: quanto mais frequentes as pausas, maiores os benefícios observados.
As pausas a cada 30 e 60 minutos superaram os limiares de diferença minimamente importante para fadiga e bom humor — medida que representa a menor mudança percebida pelos participantes como realmente benéfica ou prejudicial. Apenas a frequência de 30 minutos superou esse limiar para humor deprimido.
Apesar disso, as pausas a cada hora foram apontadas como a opção com melhor equilíbrio entre viabilidade e eficácia. A frequência de 120 minutos apresentou maior potencial de implementação, mas foi a menos eficaz. Já as pausas a cada 30 minutos geraram os melhores resultados em fadiga e humor, porém tiveram menor viabilidade e adesão.
“O grupo de 60 minutos ofereceu o equilíbrio mais favorável, apresentando classificações de aceitabilidade e adequação comparáveis às do grupo de 120 minutos e superando os limiares de diferença minimamente importante para dois dos três desfechos psicossociais. Além disso, foi a dose mais escolhida, selecionada por quase metade dos participantes”, escreveram os pesquisadores.
O estudo também indicou que as pausas curtas não prejudicaram o desempenho no trabalho.
“Preocupações de que pausas para movimentação pudessem prejudicar a produtividade no trabalho foram documentadas como uma barreira percebida para a implementação ou adoção. No entanto, nossas descobertas contrariam essa percepção”, afirmaram os autores.
Segundo os pesquisadores, nenhuma das frequências testadas produziu melhorias no desempenho ou no engajamento percebidos no trabalho acima dos limiares de diferença minimamente importante. Ainda assim, todas resultaram em mudanças pequenas, mas favoráveis, em média: de 4% a 7% para engajamento e de 1% a 3% para desempenho.
Os autores reconhecem limitações no estudo. Todos os resultados foram avaliados de forma subjetiva, o que pode gerar imprecisões. Além disso, os participantes eram, em sua maioria, mulheres brancas com alto nível de escolaridade, fator que pode limitar a aplicação dos resultados a outros grupos. A curta duração da pesquisa também dificulta avaliar a sustentabilidade da prática no longo prazo.
Apesar das ressalvas, os pesquisadores concluem que as pausas para movimentação são viáveis e eficazes, reforçando seu potencial como estratégia de saúde pública. Para eles, os resultados oferecem novas perspectivas sobre doses possíveis e efetivas de atividade em condições reais, que podem ser integradas a diretrizes existentes e avaliadas em estudos futuros.
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