Vida e Saúde

França confirma primeiro caso de Ebola durante surto atual

Paciente é um médico que esteve na República Democrática do Congo, epicentro da epidemia; caso é o primeiro registrado fora da África neste surto

Agência O Globo - 24/06/2026
França confirma primeiro caso de Ebola durante surto atual
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As autoridades de saúde da França anunciaram, nesta quarta-feira, a detecção do primeiro caso de Ebola no país em meio ao surto atual do vírus. O paciente é um médico que retornou recentemente da República Democrática do Congo (RDC), epicentro da epidemia de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como emergência de saúde pública de importância internacional, o nível mais alto de alerta da entidade.

O Ministério da Saúde francês confirmou, em comunicado, a identificação do primeiro caso positivo de doença por vírus Ebola em território nacional. Em resposta à agência AFP, a pasta informou que o caso foi detectado na França continental.

Esta é também a primeira vez que um caso de Ébola é divulgado em França. Em 2014, durante uma grande epidemia registrada na África Ocidental, dois pacientes foram recebidos para tratamento no país, mas já foram confirmados no exterior.

Primeiro caso fora da África no surto atual

O caso francês é o primeiro identificado fora do continente africano durante a atual epidemia, que afeta principalmente a República Democrática do Congo e Uganda. Ainda assim, especialistas avaliam que o risco de expansão global permanece baixo, devido à forma de transmissão do vírus Ebola.

O contágio ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou mortas pela doença. Essa dinâmica limita a capacidade de propagação em comparação com os vírus respiratórios, como o Influenza, causador da gripe, e o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.

“O Centro Europeu para a Prevenção e o Controle de Doenças (ECDC) considera que o risco de infecção é baixo para residentes europeus e viajantes que vão para áreas de transmissão ativa, e muito baixo para a população europeia em geral”, informou o Ministério da Saúde francês.

Surto de Ebola continua crescendo

Em meados de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o surto de Ebola na RDC e em Uganda representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais elevado de alerta da organização.

Este é o 17º surto de Ebola desde que o vírus foi identificado pela primeira vez, em 1976, e a terceira vez em que a OMS declara emergência internacional relacionada ao patógeno. Recentemente, os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças alertaram que, se não for contida, uma epidemia pode se tornar o pior da história.

Segundo o boletim mais recente da República Democrática do Congo, de 22 de junho, o país contabiliza 1.094 casos confirmados e 277 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 25,3%. Deste total, 46 casos foram confirmados apenas nas 24 horas anteriores ao relatório. Em Uganda, de acordo com a OMS, até o dia 18, havia 19 casos confirmados e dois óbitos, com taxa de letalidade de 15%.

A OMS classifica o risco na RDC como “muito alto” e em Uganda como “alto”, além de considerar elevado o risco para países que fazem fronteira terrestre com essas nações. Já os riscos regionais e globais permaneceram ocultos como “baixos”.

Apesar disso, a organização alerta que diversos factores continuam a dificultar a resposta ao surto. Entre eles estão a expansão geográfica das zonas de saúde afetadas, a transmissão persistente em áreas urbanas e ligadas à mineração, o envio insuficiente de contatos em algumas províncias e a insegurança nas regiões atingidas.

“Esses fatores continuam a complicar as operações de resposta e a aumentar o risco de maior disseminação dentro da República Democrática do Congo e para os países vizinhos”, aponta o último relatório de monitoramento da OMS.

Um dos principais desafios é que a espécie do vírus responsável pelo surto atual é o Bundibugyo, para que ainda não haja vacinas ou tratamentos aprovados. Essa cepa provocou apenas outros dois surtos, registrados em 2007 e 2012.