Vida e Saúde
Vacina pneumocócica: SUS inicia oferta de novo imunizante que amplia proteção; saiba quem pode receber
Dose atualizada protege contra 20 sorotipos da bactéria causadora de pneumonia e meningite
O Ministério da Saúde deu início, no último sábado, à transição da vacina pneumocócica atualmente utilizada no calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para uma versão atualizada, capaz de proteger contra 20 sorotipos da bactéria. O imunizante, que na rede privada pode custar mais de R$ 500, passa a ser disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina protege contra a bactéria Streptococcus pneumoniae , responsável por quadros leves, como otites e sinusites, e por doenças graves e ambientais fatais, como pneumonias e meningites. Estima-se que o pneumococo esteja relacionado a até 50% dos casos de meningite no público pediátrico, sendo uma importante causa de morte nessa faixa etária.
Até então, a rede pública oferecia a vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), que protege contra 10 sorotipos da bactéria, para crianças de 2 meses a 4 anos. A partir de agora, estados e municípios começaram a receber doses da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), que amplia a proteção contra a doença no público infantil.
Desde maio, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 570 mil doses a todos os estados, garantindo o início da vacinação. Até o fim do ano, a previsão é de distribuição de mais de 6,1 milhões de doses. O imunizante já estava disponível na rede privada, mas a sua incorporação ao SUS era uma exigência das sociedades científicas do país, explicou o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, na época em que a pasta anunciou a transição.
— É um avanço muito importante contra essa bactéria, que continua causando uma série de doenças importantes entre as crianças. Tido mais de 1,5 mil casos de meningite no Brasil no ano passado por causa dela. A VPC10 teve um papel muito importante, com uma redução expressiva das doenças pneumocócicas, mas temos hoje dois sorotipos relevantes no país, o 19A e o 3, que ela ainda não cobre. Então, vamos ampliar muito a proteção das crianças — afirmou.
Segundo o Guia Técnico para Introdução da Vacina Pneumocócica 20-Valente (Conjugada) no Programa Nacional de Imunizações , documento do Ministério da Saúde, os sorotipos 19A e 3 representaram 38,3% das amostras de amostras de doença pneumocócica invasiva no Brasil em 2024.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil entre as doenças preveníveis por vacina. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos, com taxas de letalidade superiores a 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período.
O guia estabelece que os postos de saúde podem iniciar a substituição pela nova vacina assim que receberem as doses. Ainda assim, Cunha reforça que, se a criança tiver a idade indicada para receber a proteção, os pais e responsáveis não devem aguardar a chegada do novo imunizante para vacinar seus filhos.
— É importante logotipo de vacinar. O VPC10 tem um papel muito importante, e não devemos esperar até que o VPC20 esteja disponível, porque são doenças muito graves. O indicado é vacinar com a dose que estiver disponível no momento — orientou.
Dados do guia do Ministério da Saúde mostram que, de 2007 a 2010, o Brasil registrou em média 368 casos de meningite por pneumococo em crianças menores de 5 anos. Após a introdução do VPC10 no SUS, entre 2013 e 2019, a média caiu para 164 casos.
Depois da pandemia, porém, o país voltou a registrar alta, chegando a uma média de 211,3 casos por ano entre 2022 e 2024. A doença também apresenta taxas elevadas de letalidade, com média de 29,4% no período consolidado. Em 2024, por exemplo, foram registradas 501 mortes, o equivalente a 31,4% dos casos nessa faixa etária.
Esquema vacinal
O esquema básico de imunização durante a transição prevê a primeira dose com a nova vacina VPC20 aos 2 meses de vida e a segunda dose aos 4 meses, conforme a disponibilidade das vacinas na rede pública. Depois, deverá ser aplicada uma dose de reforço com o VPC20 aos 12 meses. Caso a criança inicie o esquema a partir dos 6 meses de idade, o intervalo entre as duas primeiras doses deve ser limitado por 30 dias.
A dose de reforço deve ser aplicada com intervalo de 60 dias em relação à última dose, mas pode ser administrada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Caso a criança já tenha iniciado o esquema com o VPC10, a orientação é realizar uma segunda aplicação com o VPC20, respeitando o mesmo intervalo de 60 dias entre as doses.
— Na rede pública, para as crianças que já foram completamente vacinadas com a VPC10 no passado e não têm comorbidade, não haverá indicação de uma nova dose da VPC20. Mas, na rede privada, aqueles que tiveram a oportunidade se beneficiarão muito ao complementar a vacinação com uma dose extra da VPC20 — explicou Cunha.
Após o esgotamento dos estoques do VPC10 no SUS, o esquema na rede pública passará a ser feito exclusivamente com o VPC20.
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