Vida e Saúde

Fiocruz alerta para alta de internações por gripe e bronquiolite infantil

Infecções respiratórias podem ser prevenidas com vacinas disponíveis na rede pública de saúde

Agência O Globo - 12/06/2026
Fiocruz alerta para alta de internações por gripe e bronquiolite infantil
- Foto: Pedro Junior / Ascom Sesau

O novo Boletim InfoGripe , divulgado nesta quinta-feira, alerta para um cenário de alta nas internações por infecções respiratórias causadas pelo vírus sincicial (VSR), responsável pela bronquiolite infantil, e, em algumas regiões, também pelos vírus influenza A e B, causadores da gripe. As infecções podem ser prevenidas com vacinas disponíveis na rede pública.

O InfoGripe é um projeto desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) , que monitora os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que evoluem para hospitalização em todo o país.

A análise mais recente, referente ao período de 31 de maio a 6 de junho, mostra que 11 unidades da Federação apresentam incidência de síndrome respiratória grave em nível de alerta, risco ou alto risco, com intenções de crescimento na tendência de longo prazo. São elas: Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo .

Outras 16 unidades da Federação apresentam sinais de interrupção do crescimento ou queda no número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. No entanto, 12 delas ainda registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

Em relação às faixas etárias, a alta entre crianças de até 4 anos tem sido impulsionada principalmente pelo VSR. Já entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o aumento está associado principalmente ao rinovírus, causador do resfriado comum. Entre jovens, adultos e idosos, o vírus influenza são os principais responsáveis ​​pelas internações.

Para a pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella , é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem as vacinas contra influenza e VSR, a fim de reduzir as chances de desenvolver formas graves da doença ou evolução para óbito em caso de infecção.

Além da vacinação, a pesquisadora recomenda medidas de prevenção, como lavar as mãos com frequência e usar máscaras em unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar.

"Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que uma pessoa saia de casa usando uma boa máscara, como a N95 ou PFF2", orienta Tatiana, em comunicado.

Quais pík devo tomar?

Em relação às vacinas, o imunizante contra o VSR foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no ano passado e é indicado para gestantes, de todas as idades, a partir da 28ª semana de gravidez. O objetivo é estimular a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos para o bebê e ajudar a proteger o recém-nascido.

A vacina contra a gripe está disponível em postos de saúde para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos a partir de 60 anos e gestantes. Outros grupos prioritários, como trabalhadores da saúde e da educação, também podem se vacinar gratuitamente. Em algumas cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, uma dose foi liberada para toda a população com 6 meses ou mais.

Para a Covid-19, o Ministério da Saúde orienta a vacinação inicial de crianças entre 6 meses e 5 anos, uma dose de reforço para gestantes a cada gravidez e uma dose de reforço a cada seis meses para idosos com 60 anos ou mais. Também é indicada uma dose semestral de reforço para imunocomprometidos e uma dose anual para os demais grupos prioritários, como trabalhadores da saúde.

Ao todo, em 2026, já foram notificados 70.211 casos de SRAG no Brasil, segundo o InfoGripe. Entre os casos com resultado laboratorial positivo para alguns vírus vírus nas últimas quatro semanas, 25,4% foram causados ​​pelo influenza A e 2,6% pelo influenza B. Outros 29,7% foram associados ao VSR, 33,9% ao rinovírus e 6,4% ao Sars-CoV-2, causador da Covid-19.