Vida e Saúde
Vacina da dengue pode chegar a quase mil reais no sistema privado
A vacina ofertada na rede particular é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda e pode proteger o corpo de quatro sorotipos existentes do vírus da dengue
O Brasil atualmente conta com duas vacinas contra a dengue que protegem o corpo dos quatro sorotipos existentes do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A do Instituto Butantan, chamada de Butantan-DV, que teve a vacinação paralisada pelo Ministério da Saúde.
Porém, a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, que não foi adquirida pela medida, pode ser encontrada na rede particular. A vacina da dengue produzida pela farmacêutica Takeda pode proteger todos de 4 a 60 anos, tanto aqueles que nunca tiveram a doença, como aqueles que já foram infectados. O imunizante apresenta um esquema de duas doses, com intervalo de 90 dias entre cada uma.
O preço dela varia de R$ 390 a R$ 490 por dose. Ou seja, no esquema vacinal completo de duas doses, ela pode chegar a cerca de R$ 980. O Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece a vacina de forma gratuita, mas com público-alvo restrito.
A vacina Qdenga, que continua sendo aplicada normalmente, ficou disponível na rede privada no final de 2023 e foi incorporada ao SUS em fevereiro de 2024, principalmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses.
Brasil paralisou a vacinação
O Ministério da Saúde paralisou temporariamente a vacinação contra a dengue, de maneira preventiva, com o imunizante do Instituto Butantan. O motivo são 42 casos de respostas diversas.
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou durante uma coletiva de imprensa, em Brasília, que duas mortes que poderiam também estar relacionadas à vacina estão em investigação.
— Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso, estamos tomando uma decisão de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan — disse Padilha. — Dentro dos 42 casos, chegamos a duas situações de óbitos, em que não existem dados suficientes para estabelecer causalidade com a vacina.
O anúncio foi feito com a participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, as autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permaneça como principal medida de prevenção.
Atualmente, a vacina contra a dengue já faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante foi incorporado à rede pública no final de 2023, e a vacinação começou em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.
Em abril, o Ministério da Saúde anunciou que os casos de dengue caíram 75% em comparação ao ano passado. Ainda assim, de acordo com a massa, esta tendência começou em 2025, visto que o ano contabilizou um total de 1,7 milhão de casos, o que representa uma queda acentuada frente aos 6,6 milhões de 2024.
O que diz o Instituto Butantan
O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, interrompida temporariamente para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre na razão de alguns casos de ocorrência adversa detectada, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e seguirá trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de adversidade na população.
O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada no início do ano que vem, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para o enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.
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