Vida e Saúde

Fonte da juventude? Cientistas identificam proteína no cérebro que pode agir como ‘chave’ do rejuvenescimento; entenda

Estudo publicado na PLOS Biology aponta que 'interruptor' biológico está ligado a inflamação, perda de memória e sinais físicos do envelhecimento; pesquisadores alertam que resultados ainda não foram testados em humanos

Agência O Globo - 25/05/2026
Fonte da juventude? Cientistas identificam proteína no cérebro que pode agir como ‘chave’ do rejuvenescimento; entenda
Cerebro

Cientistas identificaram uma espécie de “interruptor” biológico ligado ao envelhecimento no cérebro. Um estudo publicado na revista PLOS Biology sugere que a queda nos níveis de uma proteína chamada Menin, presente no hipotálamo, pode desencadear inflamação, perda de memória e outras alterações associadas à idade. Em testes com camundongos, a restauração da proteína reverteu alguns desses sinais, enquanto a suplementação com um aminoácido simples melhorou a função cognitiva dos animais.

Índice de Apgar:

Entenda:

A descoberta reforça uma linha de pesquisa que vê o hipotálamo — pequena região do cérebro responsável pelo metabolismo regular, hormônios, temperatura corporal, sono e respostas ao estresse — como um possível centro de comando do envelhecimento. Em vez de ser apenas resultado do desgaste natural do corpo, o envelhecimento pode ser parcialmente regulado pelo cérebro por meio de processos inflamatórios, metabólicos e hormonais.

O estudo, liderado por Lige Leng e colegas da Universidade de Xiamen, na China, concentrou-se em Menin, proteína conhecida para ajudar a suprimir a inflamação cerebral. Os pesquisadores observaram que os níveis de Menin caíram acentuadamente no hipotálamo à medida que os camundongos envelheciam. A seção foi especificamente identificada em neurônios do hipotálamo ventromedial, região associada ao metabolismo e ao envelhecimento sistêmico.

Para entender os efeitos dessa perda, os cientistas desenvolveram camundongos nos quais a atividade da Menin poderia ser menos seletivamente. O resultado foi expressivo: animais jovens com níveis mais baixos de proteína contendo mais prejuízo cerebral, afinamento da pele, menor massa óssea, problemas de equilíbrio, prejuízos de memória e vida mais reduzidos em comparação com camundongos normais.

Para melhorar a saúde cardíaca,

Uma das descobertas que mais chamaram a atenção envolvida na D-serina, um aminoácido que também atua como neurotransmissor no cérebro e é importante para o aprendizado e a memória. Quando os níveis de Menin caíram, a produção de D-serina também diminuiu. Segundo os pesquisadores, isso ocorre pela redução da atividade de uma enzima necessária para a síntese do aminoácido, aparentemente regulada pela própria Menin.

A D-serina ocorre naturalmente em alimentos como soja, ovos, peixes e nozes, além de ser vendida como suplemento alimentar. Estudos anteriores já associaram a queda nos níveis desse aminoácido ao declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento e à redução da plasticidade sináptica, capacidade do cérebro de fortalecer conexões neurais ligadas à memória e ao aprendizado.

Na etapa seguinte, os pesquisadores testaram se o restaurante do Menin poderia reverter sinais de envelhecimento. Eles introduziram o gene da proteína diretamente no hipotálamo de camundongos idosos, com cerca de 20 meses de idade. Trinta dias depois, os animais melhoraram mensurável em aprendizado, memória, equilíbrio, espessura da pele e densidade óssea.

Entenda:

As melhorias vieram acompanhadas de aumento nos níveis de D-serina no hipocampo, região essencial para a formação da memória. Os cientistas também testaram a suplementação isolada com D-serina. Após três semanas, camundongos idosos apresentaram melhor desempenho cognitivo, mas o tratamento não reverteu sinais físicos de envelhecimento em pele e ossos.

Essa diferença indica que a Menin provavelmente influencia o envelhecimento por múltiplas vias biológicas, não apenas pela produção de D-serina. Pesquisas recentes também apontam que mudanças no hipotálamo, como alterações epigenéticas e na sinalização hormonal, podem estar relacionadas a doenças neurodegenerativas, entre elas o Alzheimer.

Apesar da paixão, os autores destacam que a pesquisa ainda está em fase inicial e foi realizada em camundongos, não em humanos. Ainda não se sabe se aumentar os níveis de Menin ou usar D-serina como suplemento poderia retardar o envelhecimento ou melhorar a cognição de forma segura em pessoas. Também há dúvidas sobre possíveis efeitos colaterais de interferência em vias específicas tão importantes.

— Especulamos que o declínio da expressão de Menin no hipotálamo com a idade pode ser um dos fatores que impulsionam o envelhecimento, e que a Menin pode ser uma proteína-chave que conecta os fatores genéticos, inflamatórios e metabólicos do envelhecimento. A D-serina é uma terapêutica potencialmente promissora para o declínio cognitivo — disse Leng.

O pesquisador também afirmou:

— A sinalização da Menin no hipotálamo alterações ventromediais em camundongos idosos, o que contribui para fenótipos de envelhecimento sistêmico e déficits cognitivos. Os efeitos do Menin sobre o envelhecimento são mediados por alterações neuroinflamatórias e sinalização de vias metabólicas, acompanhados por deficiência de serina no hipotálamo ventromedial, enquanto a restauração da Menin nessa região reverteu fenótipos relacionados ao envelhecimento.