Vida e Saúde

Ultraprocessados já representam mais da metade da dieta de americanos; Brasil segue tendência de alta

Estudos apontam aumento global no consumo de ultraprocessados, acendendo alerta entre especialistas

Agência O Globo - 20/05/2026
Ultraprocessados já representam mais da metade da dieta de americanos; Brasil segue tendência de alta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O maior relatório técnico já produzido sobre o consumo de ultraprocessados nos Estados Unidos foi divulgado neste mês de maio por um grupo formado por cientistas de nutrição, advogados especialistas em políticas alimentares e profissionais de saúde pública.

Segundo o documento, cerca de 72% dos alimentos embalados disponíveis nos Estados Unidos são ultraprocessados. Além disso, mais da metade das calorias consumidas por adultos americanos provém desse tipo de alimento, caracterizado pelo uso de aditivos cosméticos (como corantes, aromas e emulsificantes) ou ingredientes industriais (como proteínas isoladas e xaropes de milho).

No Brasil, embora o índice seja menor, o cenário preocupa: aproximadamente 25% da alimentação dos brasileiros é composta por ultraprocessados. Esse percentual saltou de 10% nos anos 1980 para 23% atualmente, segundo estudos recentes.

O relatório integra uma série de artigos publicados no ano passado pela revista Lancet, fruto do trabalho de 43 cientistas de diversos países, liderados por pesquisadores do Brasil, Austrália e Chile.

De acordo com Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP), o consumo de ultraprocessados está transformando os padrões alimentares globalmente. “Essa mudança é impulsionada por grandes corporações, que priorizam produtos ultraprocessados visando lucros elevados, apoiadas por estratégias de marketing intensas e lobby político que dificultam políticas públicas de promoção de alimentação saudável”, afirma.

Ambos os relatórios sugerem medidas urgentes para reverter o quadro. Um exemplo citado é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Brasil, que prevê que, até o fim de 2026, 90% dos alimentos oferecidos sejam frescos ou minimamente processados.

No consenso americano, as recomendações incluem desde a criação e aumento de impostos sobre ultraprocessados — semelhantes ao “imposto do pecado” aplicado a bebidas alcoólicas e cigarros no Brasil — até restrições de comercialização em escolas e creches, campanhas de contra-marketing e rotulagem obrigatória na parte frontal das embalagens.