Vida e Saúde

Alimentos ultraprocessados podem estar destruindo seu cérebro, alertam cientistas

Estudo publicado na Alzheimer's & Dementia aponta que consumo está associado a pior desempenho em testes de atenção

Agência O Globo - 19/05/2026
Alimentos ultraprocessados podem estar destruindo seu cérebro, alertam cientistas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O consumo frequente de alimentos ultraprocessados — como refrigerantes, salgadinhos, nuggets e refeições prontas — está associado a um pior desempenho em testes de atenção e a um risco aumentado de demência, mesmo quando a qualidade geral da dieta é considerada.

Um estudo realizado com mais de 2 mil australianos de meia-idade, publicado no periódico Alzheimer's & Dementia e conduzido por pesquisadores da USP, Universidade Monash e Universidade Deakin, revelou que até mesmo pequenos aumentos no consumo desses produtos podem prejudicar a capacidade do cérebro de manter o foco e agravar fatores ligados à demência.

Participaram da pesquisa 2.192 adultos australianos entre 40 e 70 anos, sem diagnóstico de demência, incluindo indivíduos com histórico familiar da doença. Os participantes responderam a um questionário alimentar com 130 itens, detalhando a frequência de consumo de diferentes alimentos nos últimos 12 meses.

Os alimentos foram classificados em quatro grupos pelo sistema Nova, sendo o grupo 4 destinado aos ultraprocessados: refrigerantes, salgadinhos, salsichas, sorvetes industrializados, refeições prontas e pães industrializados.

Em seguida, os participantes realizaram testes online para medir atenção, velocidade de processamento (tempo de reação) e memória (reconhecimento de figuras). Para avaliar o risco de demência, foi utilizada a medida CAIDE, que considera fatores como idade, escolaridade, sexo, colesterol, pressão arterial, atividade física e IMC — quanto mais alto o índice, maior a chance de desenvolver a doença.

Barbara Cardoso, da Universidade Monash, explicou: “O ultraprocessamento de alimentos frequentemente destrói a estrutura natural dos alimentos e introduz substâncias potencialmente nocivas, como aditivos artificiais ou produtos químicos de processamento.”

Segundo a pesquisadora, esses aditivos sugerem que a relação entre alimentação e função cognitiva vai além da mera ausência de alimentos saudáveis, apontando para mecanismos relacionados ao grau de processamento dos alimentos.

Os autores do estudo ressaltam, no entanto, que o desenho da pesquisa não permite afirmar que os ultraprocessados causam esses efeitos, apenas que existe uma associação entre eles.