Vida e Saúde

Estudo aponta eficácia da psilocibina no tratamento da dependência de cocaína

Pacientes que receberam dose única da substância, presente em cogumelos alucinógenos, mostraram maior abstinência

Agência O Globo - 19/05/2026
Estudo aponta eficácia da psilocibina no tratamento da dependência de cocaína
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma única dose de psilocibina pode representar um avanço no tratamento do vício em cocaína, segundo estudo publicado recentemente na revista científica JAMA Network Open, com informações do The Guardian.

A pesquisa envolveu 36 participantes divididos em dois grupos: 19 receberam uma dose única de psilocibina, enquanto outros 17 tomaram um placebo de difenidramina, um anti-histamínico comum. Todos os voluntários participaram de sessões terapêuticas para processar suas experiências.

Os resultados indicaram que aqueles que usaram psilocibina apresentaram maior probabilidade de se abster do uso da cocaína. O pesquisador Robin Carhart-Harris explica que a substância pode aumentar a neuroplasticidade e a plasticidade psicológica — ou seja, a capacidade de mudar padrões de pensamento e comportamento. Segundo ele, os vícios geralmente envolvem resistência à mudança, comportamentos rígidos e impulsivos.

Gabrielle Agin-Liebes, psicóloga clínica da Escola de Medicina de Yale, ressalta que a psilocibina atua de modo distinto em relação à maioria dos medicamentos para dependência. Enquanto os tratamentos convencionais agem nos mesmos sistemas neuroquímicos da droga, a psilocibina "provoca um estado alterado de consciência profundo, geralmente em uma única sessão, dentro de um contexto estruturado de psicoterapia", explicou ao The Guardian.

Com acompanhamento terapêutico, uma única dose pode facilitar mudanças de perspectiva e promover autocompaixão, favorecendo a mudança de comportamento. O método pode ser especialmente eficaz em casos de dependência de cocaína, pois os sintomas de abstinência tendem a ser mais psicológicos e menos dolorosos fisicamente do que em outras substâncias, como opioides ou álcool.

No entanto, um comentário crítico publicado junto ao estudo alertou que os resultados podem não ser generalizáveis, já que pessoas com depressão e ansiedade comórbidas foram excluídas da pesquisa. Apesar disso, Carhart-Harris destaca que a psilocibina apresenta potencial também para essas condições.

Especialistas consideram a psilocibina uma opção promissora para o tratamento do transtorno por uso de cocaína e defendem a realização de ensaios clínicos em larga escala.