Vida e Saúde

Ebola: o que se sabe sobre a emergência internacional que já deixou 80 mortos

Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional

Agência O Globo - 19/05/2026
Ebola: o que se sabe sobre a emergência internacional que já deixou 80 mortos
Ebola é uma doença infecciosa grave - Foto: ANSA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no último sábado, emergência de saúde pública internacional devido ao avanço do surto de ebola em África. O alerta representa o mais alto nível de emergência sanitária da entidade e visa ampliar a mobilização global para conter a propagação da doença.

O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, para que ainda não existam vacinas ou tratamentos específicos. Até ao dia 16, a OMS registou 246 casos e 80 mortes suspeitas na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), além de dois casos confirmados em Kampala, capital do Uganda, incluindo uma morte. A decisão de decretar emergência internacional levou ao contágio do risco de propagação do vírus entre países e marcou a nona vez que uma entidade aciona o mais alto nível de alerta sanitário — o terceiro relacionado ao ebola.

O que levou a OMS a declaração de emergência internacional?

A OMS avaliou que o avanço do surto representa um risco elevado à saúde pública e exige cooperação internacional. O aumento de casos e mortes levou a que a entidade adote o mais alto nível de alerta sanitário previsto no regulamento internacional.

O que significa emergência de saúde pública internacional?

A classificação é utilizada em situações consideradas graves, curiosas e com potencial de atingir diferentes países. Na prática, o mecanismo serve para chamar a atenção da comunidade internacional e estimular uma resposta conjunta. A declaração pode acelerar o envio de ajuda humanitária, ampliar investimentos em vigilância epidemiológica e fortalecer recomendações para controle da circulação de pessoas e monitoramento de casos suspeitos.

Em quais países há maior preocupação?

Os casos que motivaram o alerta internacional concentraram-se no Uganda e na República Democrática do Congo.

Existe risco de propagação para outros países?

A grande preocupação da OMS é evitar que o surto ultrapasse fronteiras e provoque novos focos de transmissão. Por isso, a entidade decidiu elevar o nível de alerta e reforçar as recomendações internacionais.

O ebola já infectou outros surtos graves?

Sim. O ébola é uma doença conhecida pelas autoridades de saúde desde a década de 1970 e já provocou diversos surtos ao longo dos anos, principalmente em países da África Central e Ocidental. O episódio mais grave ocorreu entre 2014 e 2016, quando uma epidemia atingiu países como Guiné, Libéria e Serra Leoa, deixando milhares de mortos e levando a uma ampla mobilização internacional.

O vírus é considerado altamente letal e pode provocar febre intensa, hemorragias e falência de órgãos em casos graves. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou contaminadas. Devido à alta capacidade de disseminação em regiões com sistemas de saúde fragilizados, novos surtos costumam gerar preocupação imediata da comunidade internacional.

Esta é a primeira vez que o OMS declara esse tipo de emergência?

Não. A OMS já utilizou o mecanismo de emergência internacional em outras crises graves e com potencial de impacto global. O alerta é reservado para situações específicas que excluem a cooperação entre governos e respostas rápidas da comunidade internacional.

Nos últimos anos, uma ferramenta foi acionada em episódios que representam ameaças relevantes à saúde pública mundial, como a pandemia de Covid-19, o surto de Mpox e o de Zika.

O que muda a partir da declaração?

A tendência é que os países ampliem medidas de vigilância, monitoramento de casos e cooperação internacional. A decisão também pode facilitar a mobilização de recursos, o envio de equipes de saúde e o fortalecimento de estratégias para conter a transmissão do vírus.