Vida e Saúde

Consumo de feijão, ervilha, grão-de-bico e lentilha reduz risco de hipertensão, aponta estudo

Pesquisa publicada na BMJ Nutrition Prevention & Health destaca benefícios das leguminosas para a saúde cardiovascular

Agência O Globo - 08/05/2026
Consumo de feijão, ervilha, grão-de-bico e lentilha reduz risco de hipertensão, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma maior ingestão de soja e leguminosas está associada a um menor risco de hipertensão, segundo uma análise conjunta de estudos publicada na revista de acesso aberto BMJ Nutrition Prevention & Health.

Leguminosas e alimentos à base de soja já vêm sendo relacionados a uma redução do risco de doenças cardiovasculares em geral. Contudo, as evidências sobre seu efeito direto na diminuição da pressão arterial ainda são consideradas contraditórias e exigem mais investigações, de acordo com os pesquisadores.

No novo estudo, a equipe analisou bancos de dados científicos em busca de pesquisas relevantes publicadas até junho de 2025. Foram identificados 10 artigos que englobavam dados de 12 estudos observacionais prospectivos, realizados nos Estados Unidos, Ásia (China, Irã, Coreia do Sul e Japão) e Europa (França e Reino Unido). Nove estudos incluíram homens e mulheres, dois apenas mulheres e um apenas homens.

O número de participantes variou de 1.152 a 88.475, com casos de hipertensão entre 144 e 35.375.

A análise conjunta revelou que uma maior ingestão diária de leguminosas e alimentos à base de soja estava associada a um risco menor de desenvolver hipertensão. A quantidade ideal apontada é de aproximadamente 170 g de leguminosas (como ervilhas, lentilhas, grão-de-bico e feijões) e 60 a 80 g de alimentos à base de soja (tofu, leite de soja, edamame, tempeh e missô).

Segundo os pesquisadores, 100 g de leguminosas ou soja equivalem a uma xícara ou 5 a 6 colheres de sopa de feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha ou soja cozidos, ou ainda a uma porção de tofu do tamanho da palma da mão.

Em comparação com pessoas que consumiam poucas leguminosas, aquelas com alto consumo apresentaram 16% menos probabilidade de desenvolver hipertensão. Já o consumo elevado de alimentos à base de soja foi associado a um risco 19% menor de desenvolver a doença.

Por que as leguminosas ajudam?

Entre as possíveis explicações para esses resultados, os pesquisadores destacam que leguminosas e soja são ricas em potássio, magnésio e fibras alimentares, nutrientes conhecidos por ajudar a reduzir a pressão arterial. Além disso, a fermentação das fibras solúveis presentes nesses alimentos pode produzir ácidos graxos de cadeia curta, que favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos. O teor de isoflavonas da soja também pode contribuir para baixar a pressão.

Limitações do estudo

Os autores reconhecem limitações na pesquisa, como a heterogeneidade dos estudos analisados, diferenças nos tipos de leguminosas, métodos de preparo, contextos alimentares e definições de hipertensão.

“Apesar dessas limitações, as conclusões desta meta-análise têm implicações importantes para a saúde pública, diante do aumento global da hipertensão. O consumo atual de leguminosas na Europa e no Reino Unido está muito abaixo das recomendações, com ingestão média de apenas 8 a 15 g/dia, quando o ideal para a saúde cardiovascular seria de 65 a 100 g/dia”, destacam os autores.

Os pesquisadores ressaltam que mais estudos, com maior número de participantes, são necessários para confirmar as descobertas. No entanto, os resultados já reforçam as recomendações para priorizar leguminosas e alimentos à base de soja como fontes saudáveis de proteína na dieta.