Vida e Saúde
Ypê: orientações em caso de contato com bactéria detectada em produtos
Especialistas alertam que risco é maior para imunossuprimidos e recomendam suspensão do uso dos produtos recolhidos pela Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira, o recolhimento de produtos da marca Ypê devido ao risco à segurança sanitária , com possibilidade de contaminação microbiológica. Segundo Manoel Lara, diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), a decisão de interromper a produção foi motivada pela incapacidade da empresa de solucionar, de forma consistente, o problema identificado inicialmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.
Riscos da bactéria
A Pseudomonas aeruginosa não é altamente contagiosa, mas representa perigo principalmente para pessoas com baixa imunidade. Trata-se de um microrganismo frequentemente associado a infecções hospitalares, principalmente pulmonares.
“Na inspeção, foram identificadas falhas nas boas práticas de produção, tanto documentais quanto relacionadas à higiene e limpeza das áreas de fabricação”, explicou Lara. "Essas falhas podem estar relacionadas à contaminação por Pseudomonas."
Uma bactéria pode ser encontrada em diversos líquidos presentes no ambiente e é conhecida por sua resistência a diversas antibióticos.
De acordo com estudo publicado na revista Nature , o patógeno pode causar infecção aguda ou crônica em pessoas imunocomprometidas, como pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, câncer, traumas, queimaduras, sepse e pneumonia associada à ventilação mecânica, incluindo casos de COVID-19. Em 2024, a OMS classificou a Pseudomonas aeruginosa como patógeno “crítico”.
Contato com o produto
O infectologista Renato Grinbaum, membro do comitê de infecções comunitárias da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), esclarece que, em pequenas quantidades, uma bactéria não costuma afetar pessoas com sistema imunológico saudável.
O risco é elevado quando há contato com grandes quantidades de bactérias em ambientes hospitalares, principalmente em pacientes imunossuprimidos.
“Neste caso, a informação reforça a quebra de protocolos de segurança na produção, mas não indica risco imediatamente relevante para a população. Deve-se manter a recomendação de não utilizar os produtos indicados pela Anvisa”, afirmou Grinbaum.
A médica alergista Kleiser Mendes, vice-coordenadora do Departamento Científico de Dermatite de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), alerta que o uso de produtos contaminados pode provocar irritações. Um especialista recomenda buscar avaliação médica caso surjam sintomas como incidentes intensos, incidentes persistentes, solicitados ou lesões na pele ou nos olhos, ardor, disfunção, espinhas ou acne súbita, surtos, sinais de infecção ou sintomas respiratórios após o uso de sprays ou aerossóis contaminados.
“A atenção deve ser redobrada em crianças, idosos, imunossuprimidos, pessoas com dermatites, feridas na pele, doenças respiratórias ou em uso de imunossupressores, pois esses grupos apresentam maior risco de infecções oportunistas”, conclui.
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