Vida e Saúde

Libido: como ela afeta homens e mulheres?

A grande curiosidade em torno da palavra é em como este desejo se manifesta de forma diferente em homens e mulheres

Agência O Globo - 07/05/2026
Libido: como ela afeta homens e mulheres?
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Libido é o termo utilizado para definir o desejo sexual despertado por estímulos diversos, como visual, auditivo ou olfativo. O tema desperta interesse principalmente pelas diferentes formas como esse desejo se manifesta entre homens e mulheres.

De acordo com Nathalie Raibolt, ginecologista especialista em sexualidade, a libido não está relacionada apenas a fatores hormonais — embora a testosterona seja um dos hormônios que influenciam seu aumento ou diminuição —, mas também a aspectos psicossociais, especialmente no universo feminino.

— O estímulo biológico, causado pelos hormônios, não é suficiente para provocar o desejo sexual na mulher. A libido feminina também é impactada pela função que o sexo ocupa em sua vida. Se há algum problema com o parceiro, por exemplo, a tendência é que a libido diminua. No entanto, acredito que fatores sociais influenciam mais a libido da mulher do que os biológicos. Ao longo da vida, muitas mulheres acabam não priorizando a manifestação espontânea da sexualidade — explica a ginecologista.

O uso de determinados medicamentos é outro fator que pode interferir na libido.

— Remédios que atuam no humor, como os antidepressivos, podem prejudicar a libido, assim como alguns comprimidos que alteram a produção de testosterona — afirma o urologista Carlos Da Ros, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Falta de desejo sexual possui diferentes razões

É um equívoco pensar que aumentar a produção de testosterona — hormônio mais presente no organismo masculino — seja a única solução para a baixa libido.

— Atualmente, há um uso excessivo de testosterona em mulheres. Antes de prescrever, é fundamental investigar a causa da queda da libido de forma mais ampla — destaca o endocrinologista Francisco Tostes.

Quando a diminuição do desejo sexual está associada ao uso de medicamentos, é importante considerar a substituição do remédio por outro que não provoque o mesmo efeito colateral.

— A recomendação é tentar trocar o medicamento, em vez de adicionar outro à rotina do paciente. Assim, evitamos o acúmulo de remédios — orienta Tostes.

A idade também influencia a libido de homens e mulheres. Com o avanço dos anos, especialmente após os 40, ocorre uma redução na produção de testosterona, o que pode impactar o desejo sexual. Em tais situações, a reposição hormonal pode ser indicada. No entanto, quando a causa está relacionada a fatores emocionais ou de relacionamento, a solução não está em medicamentos.

— Se o problema for emocional, é fundamental tratar essa questão. Nesses casos, sempre encaminho meus pacientes para acompanhamento terapêutico — finaliza Da Ros.