Vida e Saúde

Hantavírus em cruzeiro: trinta passageiros desembarcaram antes de alerta sanitário em Santa Helena

MV Hondius segue para as Ilhas Canárias com 146 pessoas a bordo, e autoridades ampliam rastreamento de possíveis exposições ao vírus

Agência O Globo - 07/05/2026
Hantavírus em cruzeiro: trinta passageiros desembarcaram antes de alerta sanitário em Santa Helena
Hantavírus

Os passageiros da Trinta desembarcaram do cruzeiro MV Hondius em 24 de abril, na ilha de Santa Helena, antes do surto de hantavírus associado ao embarque ganhar dimensão internacional. A informação, divulgada pela operadora Oceanwide Expeditions, acrescenta um novo elemento a ser transmitido pelas autoridades de saúde, que já monitoram uma cadeia de possíveis riscos.

Desdobramentos do caso

O MV Hondius segue agora rumo às Ilhas Canárias com 146 pessoas a bordo, todas sob "medidas rigorosas de precaução", após permanecer ancorado por três dias próximos a Cabo Verde. O navio está relacionado a três mortes e oito casos identificados de hantavírus — três confirmados e cinco suspeitos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A revelação sobre os 30 passageiros que abandonaram o embarque antes do agravamento da crise sanitária amplia o desafio de rastreamento internacional, já que parte dos ocupantes pode ter seguido viagens para diferentes destinos antes da adoção de protocolos mais rígidos.

Identificação da cepa e riscos

Autoridades de saúde da África do Sul detectaram em dois pacientes confirmados o cepa Andes do hantavírus, variante predominantemente na América Latina e associada, em surtos anteriores, à rara transmissão entre humanos em situações de contato muito próximo.

“É muito diferente da Covid e da gripe”, afirmou Maria Van Kerkhove, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Não estamos falando de contato casual a certa distância entre as pessoas, mas sim de contato realmente físico."

Medidas e respostas nas Ilhas Canárias

Enquanto isso, a Espanha prepara a chegada do navio para Tenerife. Segundo o plano sanitário anunciado, todos a bordo passarão por avaliação médica. Passageiros estrangeiros considerados aptos serão repatriados, e os espanhóis seguirão para quarentena em um hospital militar em Madri.

“Não haverá risco”, afirmou Mónica García, ministra da Saúde de Espanha, acrescentando que a operação “evitará contacto” entre os ocupantes do navio e moradores das Ilhas Canárias.

Mesmo com a garantia do governo central, a decisão de resistência regional. “Não posso permitir que [o barco] entre nas Canárias”, declarou Fernando Clavijo, presidente das Canárias. "Essa decisão não se baseia em nenhum critério técnico e tampouco nos deram informações suficientes."

Rastreamento internacional

Com novos detalhes sobre passageiros que deixaram o navio antes do alerta, o foco das autoridades agora se divide entre receber o embarque com segurança e localizar quem pode ter sido exposto ao vírus fora dela.