Vida e Saúde
Hantavírus em cruzeiro: segundo avião com passageiro infectado chega a Amsterdã
Outros evacuados já haviam desembarcado em Amsterdã no fim da noite de quarta-feira; OMS diz que três pacientes estão em condição estável
Um segundo avião medicalizado com um passageiro doente ligado ao cruzeiro MV Hondius pousou em Amsterdã nesta quinta-feira, ampliando a operação internacional de retirada de pacientes após a identificação de casos de hantavírus a bordo. O passageiro havia sido retirado com urgência do navio, financiado diante de Cabo Verde, e a chegada da aeronave ao aeroporto de Schiphol, às 08h54 no horário local (3h24 em Brasília), foi confirmado por um repórter da Agência France-Presse (AFP) apresentado no local e pelo portal Flightradar24.
Entenda:
Expectativa:
Hantavírus:
Outros dois evacuados já foram desembarcados em Amsterdã no fim da noite de quarta-feira. Segundo Ann Lindstrand, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, os três pacientes retirados do navio estão em condição estável.
— Uma das três está assintomática — afirmou.
A OMS tenta conter temores de uma propagação mais ampla e, neste momento, vários cenários ao início da pandemia de covid-19.
— O risco para o resto do mundo é baixo — disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), ressaltando que a situação permanece sob monitoramento internacional.
Transmissão entre pessoas
A preocupação sanitária aumentou após a notificação de que a cepa envolvida é a variante Andes, forma do hantavírus para a qual há registro de transmissão entre pessoas em contatos muito próximos. Aaron Motsoaledi, ministro da Saúde da África do Sul, confirmou que exames detectaram essa cepa em um dos pacientes ligados ao cruzeiro. A Suíça também informou que o passageiro internacional em Zurique testou positivo para a mesma variante.
— Este tipo de transmissão é muito pouco frequente e só ocorre devido a um contato muito próximo entre as pessoas — afirmou Aaron Motsoaledi.
Com a confirmação do caso suíço, o total de infecções confirmadas ligadas ao navio chegou a três: o paciente hospitalizado em Zurique, um dos mortos e um britânico internado em estado grave em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo. Segundo a OMS, há ainda outros cinco casos suspeitos, entre eles duas das três mortes registradas até agora.
Na quarta-feira, foram retirados do MV Hondius dois pacientes tripulantes e outra pessoa que teve contato com um dos casos confirmados. Imagens da AFP mostraram a operação com uma pequena lancha ambulância vermelha e profissionais usando trajes de proteção e máscaras. Depois da retirada, dois voos decolaram do aeroporto da Praia, ao menos um deles com destino a Amsterdã.
O navio, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, permanece fundeado diante da costa de Cabo Verde desde domingo. Quando o surto começou a ser identificado, havia 88 passageiros e 59 tripulantes a bordo, de 23 nacionalidades.
A ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, informou que o MV Hondius deve atracar “no prazo de três dias” no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, apesar da oposição do governo regional. Todos os estrangeiros a bordo, exceto os gravemente doentes, serão levados de avião para seus países de origem. Os 14 espanhóis no navio — 13 turistas e um membro da tripulação — “permanecerão em quarentena pelo tempo que for necessário”, segundo a ministra, antes de seguirem para Madri.
A crise sanitária ganhou outra frente de preocupação depois da morte de uma passageira holandesa, em 26 de abril, na África do Sul. Segundo o texto, ela havia deixado o navio após a morte do marido a bordo e com sintomas em um voo comercial da ilha de Santa Helena para Joanesburgo. Agora, as autoridades estão tentando localizar os 82 passageiros e seis tripulantes desse voo.
Enquanto aguarda novos resultados laboratoriais, a OMS trabalha com a hipótese de que a variante Andes esteja por trás do surto. Segundo Maria Van Kerkhove, chefe de prevenção de epidemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), o período típico de incubação varia de uma a seis semanas — podendo chegar, segundo o texto, a cerca de oito semanas após a exposição — o que reforça a hipótese de que o casal holandês tenha contraído o vírus antes do embarque.
Não existem vacinas nem tratamentos específicos para hantavírus. Os sintomas iniciais incluem febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça, náusea, vômito e dor abdominal. Em quadros graves, a doença pode evoluir para insuficiência respiratória e acúmulo de líquido nos pulmões, exigindo cuidados intensivos, suporte de oxigênio e ventilação mecânica.
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