Vida e Saúde

Estudo desafia ideia de que ter filhos aumenta a felicidade

Dados de mais de 5 mil pessoas indicam melhora no senso de propósito, mas nenhum ganho no bem-estar emocional cotidiano

Agência O Globo - 30/03/2026
Estudo desafia ideia de que ter filhos aumenta a felicidade
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Ter filhos é frequentemente associado à felicidade e à união familiar. No entanto, uma pesquisa realizada pela Universidade de Nicósia, no Chipre, apresenta resultados que desafiam essa crença popular.

O estudo analisou dados de mais de cinco milhões de pessoas em dez países diferentes, buscando compreender as reais consequências da parentalidade para o bem-estar.

Bem-estar eudaimônico e hedônico

Segundo os pesquisadores, o nascimento de um filho proporciona um aumento "sutil" no bem-estar eudaimônico — conceito que se refere ao sentimento de propósito, significado e direção na vida. Esse efeito foi observado em homens e mulheres, sendo progressivamente mais acentuado entre eles, mas sem diferenças significativas na relação entre pessoas sem filhos.

Por outro lado, quando se trata do bem-estar hedônico — definido como a felicidade cotidiana e a ausência de emoções negativas, como a tristeza —, não foi bloqueada qualquer alteração relevante entre quem tem filhos e quem não tem.

Uma exceção apontada pelo estudo foi a autoconfiança: mulheres com filhos apresentaram índices mais altos de autoconfiança em comparação às que não têm filhos. Essa diferença, porém, não foi observada entre os homens.

Filhos e casamento

Sobre o impacto da chegada de uma criança na relação conjugal, os cientistas destacam aspectos positivos e negativos. Entre os pontos desenvolvidos está o fortalecimento da cooperação e da união, motivado por interesses genéticos mútuos. Por outro lado, os custos financeiros, as demandas de tempo e os fatores de estresse relacionados à criação dos filhos podem exercer pressão sobre o relacionamento do casal.