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Regra 20/20: Conheça método que especialistas apontam como segredo para ter mais organização

Na prática, regra se aplica a objetos pouco usados e facilmente substituíveis, como materiais de escritório em excesso, cabos antigos ou fones incompatíveis

Agência O Globo - 27/01/2026
Regra 20/20: Conheça método que especialistas apontam como segredo para ter mais organização
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Arrumar a casa pode parecer uma tarefa interminável, mas uma estratégia simples vem ganhando espaço entre organizadores profissionais por ajudar a tomar decisões mais rápidas e reduzir a ansiedade: a chamada “regra 20/20”. A ideia é direta — se um objeto pode ser substituído em até 20 minutos e por US$ 20 (R$ 105) ou menos, ele pode ser descartado sem culpa.

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Segundo a organizadora profissional Regina Lark, a proposta funciona como um alívio mental para quem guarda itens “por via das dúvidas”. “A regra 20/20 na organização sugere que, se um item pode ser substituído em 20 minutos e por US$ 20 ou menos, em geral é necesssário se desfazer dele”, afirmou ao portal Huffpost. “O objetivo da regra é aliviar a ansiedade em torno do medo de precisar de algo no futuro. Acho que pode ser uma mudança de mentalidade útil, especialmente para pessoas que tendem a guardar coisas ‘só por precaução’”.

Na prática, a regra se aplica a objetos pouco usados e facilmente substituíveis, como materiais de escritório em excesso, cabos antigos ou fones incompatíveis. Basta responder a duas perguntas: dá para comprar outro por menos de US$ 20? É possível encontrá-lo rapidamente, em uma loja próxima ou online, em até 20 minutos? Se a resposta for sim para ambas, a recomendação é abrir espaço e seguir em frente.

Para Katie Hubbard, da empresa de organização Turn It Tidy, o método funciona especialmente bem com itens guardados para um futuro incerto. “A regra 20/20 funciona melhor para itens ‘só por precaução’ — coisas que guardamos para um futuro que ainda não chegou”, disse. Ela destaca que o conceito é útil em mudanças de casa: “Uma casa nova é um recomeço, e levar itens não usados e facilmente substituíveis geralmente só acrescenta bagunça desnecessária”.

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Entre os principais benefícios estão a redução da fadiga de decisão e a agilidade no processo de organização. “O principal benefício da regra 20/20 é que ela reduz o cansaço mental de decidir e ajuda as pessoas a avançarem com mais facilidade”, afirmou Lark. Hubbard concorda: “Os benefícios incluem decisões mais rápidas, menos carga emocional durante a arrumação e redução da bagunça sem excesso de reflexão”.

Apesar das vantagens, especialistas alertam que a regra não é universal. “Como organizadora profissional, acredito que essa regra pode ser útil, mas não serve para todo mundo”, ponderou Hubbard. Ela lembra que tempo, mobilidade e orçamento variam muito. “Substituir vários itens também pode sair caro rapidamente, especialmente para quem tem renda fixa ou apertada.”

Julie Naylon, da No Wire Hangers Professional Organizing, aponta outro risco: o excesso de cálculo. “Uma desvantagem seria a lentidão na tomada de decisões”, disse. “Alguns podem começar a pensar demais, pesquisando preços ou somando valores.” Ela questiona ainda a viabilidade do limite financeiro: “Hoje em dia, que itens custam menos de US$ 20?”.

'Blue monday':

Há também o fator emocional. Lark ressalta que decisões sobre objetos nem sempre são racionais. “As decisões sobre bagunça costumam ser emocionais, não lógicas, e uma regra simples não consegue lidar totalmente com apego, memória ou experiências passadas de escassez.” Por isso, especialistas recomendam não aplicar a regra a itens sentimentais. “Acho melhor não usar essa regra ao decidir sobre objetos com valor afetivo”, afirmou Hubbard.

Para quem deseja testar o método, a orientação é usá-lo como referência, não como obrigação. “Encare como uma sugestão, não como uma regra rígida”, aconselhou Naylon. Lark sugere começar por objetos emocionalmente neutros e lembrar dos custos invisíveis de manter algo guardado, como o espaço ocupado e a energia mental exigida para administrá-lo.

Já Tova Weinstock, da Tidy Tova, defende cautela. Para ela, a regra deve ser um último recurso quando a indecisão trava o processo. “Se um cliente aplica a regra 20/20 de forma automática, a organização pode se tornar muito desperdiçadora”, alertou. Sua recomendação é uma relação mais consciente com os bens: “Se os pertences forem vistos como mais sagrados — e não apenas ‘fáceis de substituir’ — todos podemos ser mais cuidadosos nas compras. E isso nos levará a ter menos bagunça no geral”.

No fim, a regra 20/20 não é uma solução mágica, mas pode ser uma aliada para quem busca leveza e praticidade ao organizar a casa — desde que usada com critério, consciência e sensibilidade.