Vida e Saúde
Ciência explica por que os cachorros nos amam — e por que amamos eles
Do entorno das fogueiras ao sofá, os cachorros nos acompanham há milhares de anos
Companheiros fiéis, barulhentos em alguns momentos e travessos em outros, os cachorros conquistaram o título de “melhores amigos” dos humanos ao longo de milênios. Desde a pré-história até os dias atuais, eles fazem parte do nosso cotidiano. Mas afinal, o que explica essa relação tão duradoura?
Os olhos são a porta da alma
Um estudo da Universidade Azabu, no Japão, publicado na revista Science, revelou que, ao trocarmos olhares com os cães, tanto nossos níveis de ocitocina quanto os deles aumentam.
Conhecida como “hormônio do amor”, a ocitocina é essencial para as interações sociais e o bem-estar emocional. Durante o experimento, após 30 minutos de brincadeiras e carinhos entre humanos e cachorros, os pesquisadores observaram um aumento de 300% nos níveis de ocitocina dos participantes. Nos cães, o acréscimo chegou a 130%.
“O resultado sugere que a interação humano-cachorro cria o mesmo sistema que as interações entre mães e seus filhos”, explicaram os cientistas à Science.
Diferentes personalidades
Quem convive com mais de um cachorro percebe que cada raça apresenta traços de personalidade distintos. Labradores, por exemplo, costumam adorar água, enquanto border collies se destacam pela inteligência. Algumas raças, inclusive, são especialmente úteis para os humanos — característica fundamental para o fortalecimento dos laços afetivos.
Em entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, a treinadora de animais de serviço Ellie Chadwick comentou sobre os golden retrievers, uma das raças mais populares e frequentemente escolhidas como cães-guia: “Eles são facilmente motivados por comida, brinquedos e são muito sociáveis, por isso são os mais escolhidos para o treinamento”.
Amizade e controle
Pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, também estudaram o vínculo entre humanos e cães, mas sob outra perspectiva. Em artigo publicado na Nature, eles analisaram semelhanças e diferenças entre as relações “humano-humano” e “humano-cachorro”.
Segundo a equipe liderada por Enikő Kubinyi, os cães criam laços que se assemelham tanto aos de bebês humanos quanto aos de melhores amigos, devido à combinação de dependência, independência e personalidade marcante.
“A assimetria de poder, ter controle sobre outro ser vivo, é um aspecto fundamental do porquê se ter um cachorro. Eles ocupam um espaço único no nosso mundo social”, afirma Kubinyi. “Oferecem a proximidade emocional de uma criança, a facilidade de um grande amigo e a previsibilidade de uma relação construída pelo controle humano.”
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