Vida e Saúde

Apagão em São Paulo: como o calor afeta a conservação dos alimentos

Alimentos de origem animal, como peixes, carnes, frangos, leite e derivados, são os mais vulneráveis à ação de microrganismos patogênicos durante quedas de energia.

Agência O Globo - 12/12/2025
Apagão em São Paulo: como o calor afeta a conservação dos alimentos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O apagão que atingiu 24 cidades da região metropolitana de São Paulo, provocado por ventos superiores a 100 km/h, deixou ao menos 1,3 milhão de pessoas sem energia elétrica. Com isso, eletrodomésticos essenciais, como geladeiras, pararam de funcionar, comprometendo a conservação dos alimentos.

Como os alimentos são afetados pela falta de energia?

Alimentos de origem animal

Todos os alimentos possuem microrganismos, alguns benéficos e outros prejudiciais à saúde. O sistema imunológico geralmente consegue combater esses organismos, mas quando há uma grande carga viral ou bacteriana, o risco de doenças aumenta.

Segundo a nutricionista Priscilla Primi, alimentos de origem animal — como peixes, carnes, frangos, leite e derivados — são especialmente suscetíveis à ação de microrganismos patogênicos. “Por isso, devem ser mantidos em temperaturas abaixo de 6°C (geladeira) ou congelados (abaixo de 0°C)”, explica.

O congelamento e o resfriamento não eliminam bactérias e vírus, apenas os mantêm inativos. Quando expostos ao calor, esses patógenos voltam a se multiplicar rapidamente. “A chamada zona de perigo ocorre entre 10°C e 60°C, faixa em que a proliferação é mais intensa”, detalha Primi. Acima dessas temperaturas, alguns microrganismos começam a morrer, reduzindo o risco.

Frutas, hortaliças e legumes

O calor acelera o amadurecimento de frutas, hortaliças e legumes, pois aumenta a produção de etileno, hormônio responsável por esse processo.

Descongelar e recongelar alimentos

Descongelar e recongelar alimentos sem utilizá-los não é recomendado, pois já pode ter ocorrido proliferação bacteriana, aumentando o risco de contaminação. “O ideal é preparar o alimento após o descongelamento e, se necessário, congelar novamente após o cozimento, como no caso de um molho à bolonhesa feito com carne moída”, orienta a nutricionista.

Quanto mais tempo o alimento permanecer fora do congelador, maior o risco de multiplicação de bactérias e vírus.

“Evite consumir carnes e frangos que ficaram muito tempo descongelados, sobremesas com recheio de creme, maionese caseira com ovos e até feijoada completa”, alerta Primi.