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Morre Jomard Muniz de Britto, cineasta e precursor do tropicalismo em Pernambuco, aos 89 anos

Artista enfrentava grave infecção respiratória e estava internado na UTI de hospital no Recife.

Estadao Conteudo 12/10/2026
Morre Jomard Muniz de Britto, cineasta e precursor do tropicalismo em Pernambuco, aos 89 anos
Jomard Muniz de Britto - Foto: Reprodução

Jomard Muniz de Britto, escritor e cineasta considerado um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, morreu na madrugada desta segunda-feira, 12, aos 89 anos. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular do Recife, enfrentando um quadro grave de infecção respiratória nos pulmões.

Em nota de pesar, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) destacou o caráter experimental e transgressor da obra de Britto, cuja produção ajudou a ampliar os caminhos do cinema e da cultura no estado.

"Figura inquieta e transgressora, Jomard construiu uma obra marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pelo questionamento das convenções", afirmou a instituição. A Fundarpe também lembrou a exibição de cinco filmes do cineasta em Super-8, digitalizados e restaurados, no Cinema São Luiz, durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife, em 2025.

O velório e o sepultamento estão previstos para esta segunda-feira, 12, na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Recife.

Cinema experimental e contracultura

Nascido em Pernambuco, Jomard Muniz de Britto teve uma atuação importante na renovação cultural brasileira, especialmente a partir da segunda metade dos anos 1960. Foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968, ligado à difusão do movimento em Pernambuco, e se tornou uma das figuras associadas à produção audiovisual experimental do estado.

Nas décadas de 1970 e 1980, integrou a chamada Geração Super-8, que explorou as possibilidades criativas do formato de película de 8 milímetros e contribuiu para a expansão do cinema independente no Brasil. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão "O Palhaço Degolado" e "Inventário de um Feudalismo Cultural", obras que questionam convenções estéticas e referências tradicionais da cultura regional.

Ao longo da carreira, Britto publicou mais de dez livros, escreveu peças teatrais e realizou mais de 30 filmes e vídeos. Sua produção transitou entre diferentes linguagens artísticas e se destacou pela disposição de confrontar padrões culturais estabelecidos.

Atuação acadêmica e política cultural

Além do trabalho artístico, Britto foi professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Durante a ditadura militar, foi afastado dos cargos em meio à repressão e à censura promovidas pelo regime.

Em 1985, ele também assumiu a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife após uma eleição direta realizada entre representantes e participantes da vida cultural da cidade. Sua trajetória foi lembrada pela Secretaria de Cultura e pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, que ressaltaram o papel do artista na defesa das liberdades individuais e coletivas.

Em nota, os órgãos destacaram sua contribuição para a construção de caminhos culturais e contraculturais em Pernambuco, além de sua dedicação à liberdade de expressão e à valorização da produção artística.