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6 atitudes para viver com mais conforto e menos impacto no planeta

Relatório sobre bem-estar sustentável mostra por que a escolha mais responsável começa antes da compra e reúne hábitos que reduzem desperdício sem exigir sacrifício

EdiCase 09/10/2026
6 atitudes para viver com mais conforto e menos impacto no planeta
6 práticas para um estilo de vida mais sustentável e confortável no dia a dia.

Quanto do que existe dentro de casa é de fato usado? A pergunta, simples para quem quer reduzir o impacto ambiental do dia a dia, é o ponto de partida da nova edição do report “Bem-estar sustentável: 6 diretrizes de inovação”, que defende que a sustentabilidade começa no uso dos produtos, e não só no descarte.

A furadeira doméstica é um dos exemplos da publicação: ao longo de um ano inteiro, ela fica ligada por menos de uma hora e passa o resto do tempo no armário. Segundo o report, redesenhar um produto que já existe costuma reduzir de 30% a 50% o seu impacto ambiental. Quando a solução é pensada a partir do uso, o ganho passa a ser contado em vezes.

O relatório também foge dos dois extremos que costumam dominar a conversa sobre vida sustentável. Em um deles, todo o peso fica com o indivíduo, que precisa consumir menos e abrir mão do conforto. No outro, a aposta é que energia limpa e acordos internacionais vão resolver o problema sem que ninguém mude de hábito. Para os autores, falta tempo para os dois caminhos: nem toda a humanidade vai mudar de comportamento tão rápido, nem cada fábrica do mundo vai virar limpa.

“Tratamos bem-estar e sustentabilidade como agendas separadas e estamos fracassando nas duas. Buscamos bem-estar pelo consumo, como se o planeta fosse infinito, e vendemos sustentabilidade como privação”, afirma Barão Di Sarno, sócio da Questtonó, consultoria de inovação e design que integra o ecossistema criativo QNCO, e autor do estudo.

A seguir, confira 6 atitudes inspiradas nas diretrizes do relatório para levar ao dia a dia!

1. Pense no buraco na parede, não na furadeira

A frase é do professor Clayton Christensen (1952-2020), da Harvard Business School, um dos principais estudiosos de inovação: “As pessoas não querem comprar uma furadeira, elas querem um buraco na parede”. Antes de comprar algo, vale perguntar qual problema o produto vai resolver e se existe outra forma de resolvê-lo. Muitas vezes, a resposta é um serviço, um empréstimo ou um objeto que já está em casa. Reciclar a embalagem depois ajuda, mas não muda a conta principal. “Estaremos, no máximo, destruindo o ambiente em um tempo menos acelerado”, alerta o estudo.

2. Troque objetos por serviços

Parte dessa troca já acontece sem que se perceba. O rack da sala, que antes reunia aparelho de som, videocassete e prateleiras de CDs e DVDs, deu lugar a uma tela fina e a uma assinatura de streaming. O amolador de facas que passa pela rua tocando sua flautinha cumpre o mesmo papel: um único profissional atende a vizinhança inteira e prolonga a vida útil das facas, sem que cada casa precise ter o próprio amolador. Lavanderias compartilhadas em prédios, aluguel de ferramentas e bibliotecas de objetos seguem a mesma lógica.

3. Tire da despensa o que fica parado

Ferramentas, eletrodomésticos usados duas vezes por ano e itens de festa podem ser emprestados ou compartilhados entre vizinhos, familiares e amigos. O mesmo raciocínio vale para o banheiro, onde costumam se acumular cosméticos que repetem a mesma função, e para o quarto, que passa o dia inteiro guardando uma cama. Móveis e produtos multifuncionais ajudam a reduzir esse espaço ocioso. “Um produto sem uso é um recurso estagnado, uma riqueza congelada que teria o potencial de satisfazer outra necessidade ou atender a necessidade de outro ser humano”, indica o report.

Compartilhar refeições e organizar atividades coletivas ajuda a reduzir o consumo de recursos e fortalece os vínculos sociais (Imagem: Branislav Nenin | Shutterstock)

4. Divida a mesa

Experiências coletivas costumam gastar menos recursos por pessoa. Um rodízio de jantares entre cinco vizinhos, por exemplo, consome quase o mesmo gás de uma cozinha que prepara refeição para uma pessoa só, com menos água e menos embalagem por participante. Caronas, hortas comunitárias e compras coletivas de alimentos funcionam do mesmo jeito. Para os autores do relatório, a vida social ativa é ainda um dos fatores que mais contribuem para o bem-estar.

5. Aproveite o que iria para o ralo

A quinta diretriz propõe criar valor com aquilo que normalmente se desperdiça. Em navios, a água que resfria o motor pode ser reaproveitada para aquecer o banho dos passageiros. Em casa, a lógica é parecida: a água fria que sai do chuveiro antes de esquentar pode ser recolhida em um balde e usada para regar plantas ou limpar o quintal. Cascas e talos de legumes viram caldo, e o resíduo orgânico pode virar adubo numa composteira doméstica.

6. Desconfie do verde que custa caro demais

Produto sustentável não deveria ser artigo de nicho. Para o report, uma boa solução ambiental precisa ter distribuição ampla, preço viável e informação clara. Rótulos com promessas vagas, sem dados concretos sobre origem, composição ou descarte, merecem atenção: podem indicar greenwashing, prática de vender uma imagem ecológica que o produto não sustenta. “O ESG virou maquiagem em muitas empresas. Corta isso, compensa aquilo, e o produto segue intacto”, critica Barão Di Sarno.

O especialista faz ainda um alerta sobre os modelos de assinatura. “Muita coisa que estava no relatório como conceito virou realidade, só que pelo motivo errado. A casa ficou menor porque o metro quadrado ficou caro, e a assinatura substituiu a posse sem nenhuma rede de segurança. Se você perde o emprego, quem assina até a geladeira fica sem geladeira”, afirma.

Para Barão Di Sarno, a mudança não passa por abrir mão do conforto, e sim por rever a relação com os objetos e escolher melhor o que entra em casa. “O bem-estar sustentável junta as duas pontas”, finaliza.

Por Daniela Loreto