Variedades
Rodrigo Faro volta à Globo com reality de estratégia 'Herança em Jogo'
Atração estreou com inovações no formato e foco no comportamento dos participantes.
De volta à Globo, Rodrigo Faro enfrenta um desafio inédito em Herança em Jogo, reality original da Globoplay que estreou nesta sexta-feira, 25. Além de comandar a atração, ele interpreta O Testamenteiro, personagem responsável por guiar os participantes em uma disputa repleta de alianças, manipulações, traições e decisões envolvendo uma herança de até R$ 1 milhão em barras de ouro.
Em entrevista ao Estadão, Faro revelou que a chance de atuar e apresentar simultaneamente foi um dos principais motivos que o atraíram para o projeto. Segundo ele, a dinâmica da atração foge do modelo tradicional de reality show, colocando o comportamento dos participantes no centro da competição.
"Está sendo maravilhoso. Porque é um reality absolutamente diferente de tudo o que já vimos no Brasil. (...) Eu sou meio que o agente do caos. E eu acho que este é um reality psicológico. Ele coloca o comportamento humano no centro dessa competição", comentou.
Inspirada no formato internacional The Inheritance, da All3Media, a atração conta com 13 participantes em busca da fortuna deixada por A Falecida, interpretada por Susana Vieira. O Testamenteiro atua como braço direito da personagem, garantindo que as regras do testamento sejam seguidas.
Faro considera o trabalho uma oportunidade de revelar uma faceta diferente daquela pela qual é conhecido ao longo da carreira.
Agente do caos
O Testamenteiro não possui o comportamento do Faro que o público está acostumado a ver no entretenimento. Na dinâmica do jogo, ele assume uma postura rígida, sarcástica e irônica, enquanto suas intervenções diretas para os espectadores mantêm a imagem habitual do apresentador.
"Quando me dirijo à câmera, ao espectador, a quem está assistindo, aí é o Faro que todos conhecem. Mas quando estou inserido no jogo, fazendo parte das regras, conversando com os participantes, sou um personagem. E um personagem austero, mais sério, sarcástico, irônico, que impõe as regras de qualquer forma, pois foi incumbido pela Falecida de que as regras deveriam ser seguidas", explicou.
Faro acredita que esse contraste foi crucial para a construção da atração. Dentro da casa, o Testamenteiro aparece para alterar o rumo da competição, provocar os participantes e apresentar novas possibilidades para aqueles que disputam o prêmio.
"Na primeira vez que me viram, pensei: 'Caramba, se alguém falar 'dança, gatinho', não sei o que vai ser!'. Mas já entrei com a cara de Testamenteiro, e ninguém falou nada. Entrei com um peso tão grande que todos sentaram e disseram: 'Meu Deus, que Faro é esse?'. É muito legal poder explorar esse lado ator também", comentou.
A frase que, segundo ele, resume a lógica do personagem, também ajuda a definir a interação entre o apresentador e os concorrentes: "A casa é sua, mas as regras são minhas".
Um reality em que a mente é colocada à prova
Em Herança em Jogo, a principal disputa não ocorre necessariamente em provas físicas, mas nas decisões tomadas ao longo da competição. O participante que se tornar o Herdeiro do Dia precisa decidir, na Sala do Cofre, se divide ou não o valor acumulado com os demais concorrentes.
Faro enfatiza que esse mecanismo provoca situações inesperadas e exige que os participantes ponderem cada movimento antes de agir.
"Não é aquele jogo que você vai estourar e fazer. É um jogo psicológico, onde cada decisão, cada movimentação, cada aliança precisa ser meticulosamente pensada, porque uma decisão errada pode colocar tudo a perder", afirmou.
Durante as gravações, o apresentador diz ter se surpreendido com o comportamento dos concorrentes. Ele relata situações em que participantes esconderam informações ou forneceram versões divergentes do que realmente ocorreu, mas evita revelar detalhes para não antecipar as reviravoltas.
"O público não faz ideia do que vai acontecer neste jogo. É inacreditável", garantiu.
De acordo com Faro, esse comportamento é parte da proposta central da atração: descobrir até onde cada pessoa está disposta a ir diante da possibilidade de ganhar muito dinheiro.
"Houve quem não dividiu dinheiro e afirmou que dividiu, outros disseram que fizeram prova, mas não a fizeram. (...) Neste jogo, todo movimento precisa ser calculado", acrescentou.
Participantes anônimos e o fator identificação
Outro aspecto que, na visão de Faro, afeta diretamente a dinâmica é o fato de os participantes serem anônimos. Sem a exposição prévia de figuras conhecidas, eles chegam ao confinamento sem uma imagem que precisa ser preservada.
"Ninguém tem medo. O pessoal entra para jogar e diz: 'Seja o que for, vamos fazer o que tiver que fazer, vamos viver isso aqui do começo ao fim', sem se preocupar com o que outros vão pensar, com o julgamento, se serão cancelados ou não", explicou.
Para o apresentador, a falta desse histórico contribui para que os concorrentes se entreguem completamente à competição. Ao longo dos episódios, questões como confiança, estratégia, caráter, traição e manipulação são constantemente postas à prova.
"Cada um terá seu preferido, cada um dirá: 'Caramba, eu não faria isso que ela fez, eu teria feito diferente'. (...) Mas, se você estivesse lá, será que agiria de forma completamente diferente se eu colocasse R$ 200 mil em barras de ouro na sua frente e dissesse: 'Ó, esse dinheiro pode ser seu'?"
Faro também destaca que, por já ter participado de uma competição na televisão, como no Dança dos Famosos, consegue entender parte da pressão enfrentada pelos concorrentes.
"Todo ser humano é imperfeito, é falho, e este reality está aqui para testar até onde vão esses limites. Nos perguntamos muito isso: até onde vai esse limite, até onde as pessoas são capazes de manipular ou esconder uma situação. Mas por qual motivo estão fazendo isso? Será que aquela grana é tão importante para elas?"
Para ele, a atração provoca o público a refletir sobre suas próprias decisões. "Vai ter gente que vai querer dividir, ser o bonzinho, e perceberá que aquela pessoa que ajudou não era tão legal assim. É a vida. Em dez episódios, vemos um pouco do que é a vida", analisou.
O grande sucesso é o material humano
Faro faz questão de dividir os êxitos da atração com os participantes. Mesmo reconhecendo a importância de sua presença e de Susana Vieira na produção, enfatiza que a entrega dos concorrentes foi fundamental para o resultado.
"Este reality não é um sucesso por causa da Susana Vieira ou de mim. Nós contribuímos, mas o grande êxito é o material humano que está lá, a galera que jogou com sangue nos olhos nas provas, nas reuniões e na Sala do Cofre", declarou.
Segundo ele, acompanhar a dedicação dos participantes também transformou sua experiência nas gravações.
"Para mim, como apresentador, foi surpreendente o nível de entrega de cada um, de envolvimento no jogo. Isso me chamou muito a atenção e fiquei realmente feliz com cada participante. Eles deram tudo e mais um pouco", completou.
E o 'BBB'?
A chegada de Faro ao Grupo Globo também reacendeu nas redes sociais pedidos para que ele assumisse o comando do Big Brother Brasil. Questionado sobre a possibilidade, o apresentador evitou fazer do programa um objetivo específico e elogiou Tadeu Schmidt, atual apresentador da atração.
"No caso do BBB, temos um cara carismático, maravilhoso, que eu admiro, que é o Tadeu Schmidt, que está brilhando na frente do BBB. Ele mostrou a sua personalidade e trouxe uma nova identidade ao programa, que é um grande sucesso tanto em audiência quanto em termos comerciais", destacou.
No entanto, Faro deixou claro que ainda está interessado em projetos que representem novidades em sua trajetória profissional.
"Eu, como apresentador, gosto de me desafiar. Todos os projetos que surgem para mim, gosto de realizar coisas diferentes. Se olharmos para minha trajetória, cada projeto tem uma identidade, é um Faro diferente, porque busco por isso", completou.
Ele citou o Dança dos Famosos como exemplo de um trabalho que o colocou em uma posição diferente da habitual e declarou a intenção de manter essa disposição dentro do Grupo Globo.
"O que surgir de projeto dentro da Globo que me desafie e brilhe meus olhos… as pessoas pedem muito para eu voltar, 'você tem que voltar'. E deixo nas mãos de Deus. Eu espero o momento certo, na hora certa", finalizou.
Por enquanto, a prioridade é Herança em Jogo. Para Faro, a atração já representa uma nova possibilidade de mostrar seu trabalho diante das câmeras, inclusive em uma função que combina apresentação e dramaturgia.
"Quando vi esse projeto, quis realmente imprimir minha personalidade, trazer esse Testamenteiro, um personagem forte, e deixar claro para o espectador quando sou o apresentador e quando estou ali atuando com eles dentro do jogo", concluiu.
Estreia
Herança em Jogo estreou com três episódios – o primeiro deles teve exibição aberta para não assinantes. A produção terá novos capítulos liberados semanalmente às sextas-feiras: dois episódios em 2 de outubro, outros dois em 9 de outubro e os três últimos em 16 de outubro.
Com produção nacional da Formata, o reality é a primeira adaptação brasileira de The Inheritance. A direção-geral é de Rico Perez, com direção de Claudia Alves. O roteiro é assinado por Larri Andrade, Diego Tavares, Gustavo Rocha e Renata Seguro. A produção executiva é de Leonardo Lessa e Daniela Busoli, com direção de produção de Thiago Costa.
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