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Reforma tributária e novas tecnologias desafiam aviação brasileira a se preparar para o futuro
No Aviation Infra Summit, MPor apresenta propostas para tributação, mobilidade aérea avançada e segurança das operações
A aviação brasileira entra em uma nova etapa de transformação, marcada pela mudança no sistema tributário, pela chegada de novas tecnologias e pela necessidade de ampliar a segurança das operações. Esses temas estão entre as prioridades do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que apresentou, nesta quarta-feira (24), iniciativas em andamento durante o Aviation Infra Summit, organizado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Na abertura do evento, o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, destacou as propostas em discussão para regulamentar a reforma tributária e reduzir possíveis impactos sobre o transporte aéreo. Entre as medidas avaliadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) está a adoção de critérios ambientais na regulamentação do Imposto Seletivo.
A proposta prevê que aeronaves mais eficientes, que atendam aos padrões mais modernos de certificação, utilizem 100% de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) ou apresentem níveis significativamente reduzidos de emissões de CO₂ possam ter tratamento diferenciado na incidência do tributo.
“O que nós estamos propondo é que as aeronaves mais eficientes, aquelas que atendam aos padrões mais modernos de certificação e que, portanto, tenham um impacto ambiental mais reduzido, sejam isentas da incidência desse imposto”, explicou Longo.
O secretário também informou que o MPor apresentou ao Ministério da Fazenda uma proposta para afastar a incidência de tributação sobre o transporte aéreo internacional nos casos em que houver aplicação do princípio da reciprocidade, considerando entendimentos do Supremo Tribunal Federal relacionados a atividades disciplinadas por tratados internacionais.
Incentivo à aviação regional
Outra frente de atuação é a regulamentação do benefício tributário destinado à aviação regional. A Lei Complementar nº 214/2025 established uma redução de 40% nas alíquotas do IBS e da CBS para o segmento.
O MPor defende que a regulamentação considere não apenas rotas isoladas, mas o perfil de operação das empresas. A proposta em discussão prevê que, quando uma companhia tiver atuação predominantemente regional, toda a sua malha possa ser considerada para a aplicação do benefício.
As medidas fazem parte da preparação para a entrada em vigor da nova estrutura tributária. “Esse é o principal item de agenda hoje dentro da Secretaria Nacional da Aviação Civil”, afirmou Longo.
Brasil se prepara para a mobilidade aérea avançada

Julia Lopes fala sobre mobilidade aérea urbana. Foto: Abear
A transformação do setor também passa pela criação de novas formas de transporte. A diretora de Planejamento e Fomento da SAC, Julia Lopes, apresentou as ações do MPor para preparar o país para a mobilidade aérea avançada, que inclui aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs) e drones.
A estratégia envolve diferentes áreas do governo e da infraestrutura, como espaço aéreo, vertiportos, telecomunicações, energia, segurança, combate a incêndios, ruído, saúde e proteção de dados.
“O Ministério está identificando todas as partes desse sistema. Precisamos trabalhar e entender microclima, desafios de combate a incêndio, proteção de dados, ruído e vertiportos, entre outros temas, para que todos possam conversar e permitir uma evolução segura”, explicou Julia.
A SAC também trabalha na construção de uma Política Nacional de Mobilidade Aérea Avançada, que deverá estabelecer diretrizes para o desenvolvimento do setor e ampliar a previsibilidade para empresas e investidores.
A expectativa é que a mobilidade aérea avançada possa complementar a rede existente, conectando cidades e regiões menores a aeroportos regionais e grandes centros. Para Julia, essa integração poderá ampliar a capilaridade do transporte aéreo e criar novas possibilidades de conexão para passageiros.
Nova etapa para o gerenciamento do risco da fauna

A coordenadora de Segurança Operacional e Carga da SAC, Raquel Rocha. Foto: Abear
Outro tema apresentado pela SAC foi o gerenciamento do risco da fauna, diretamente relacionado à segurança das operações aéreas.
A coordenadora de Segurança Operacional e Carga da SAC, Raquel Rocha, apresentou a proposta de decreto que regulamenta a Lei nº 12.725/2012, responsável por estabelecer a Área de Segurança Aeroportuária (ASA), em um raio de 20 quilômetros a partir do centro geométrico da maior pista de cada aeroporto.
A proposta cria o Programa Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna e estabelece responsabilidades para os diferentes atores envolvidos, incluindo órgãos federais, municípios, operadores aeroportuários e responsáveis por atividades que possam atrair fauna para áreas próximas aos aeroportos.
O texto também prevê mecanismos de fiscalização, monitoramento e integração entre os órgãos públicos. A minuta foi construída conjuntamente pelo MPor, Ministério da Defesa e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O texto está agora na Casa Civil para análise.
A proposta estabelece ainda a criação do Comitê Nacional de Gerenciamento do Risco da Fauna, sob coordenação da SAC, com participação da Anac, do Ministério da Defesa e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A iniciativa busca ampliar a atuação para além dos limites dos aeroportos. Isso porque o risco de colisões com fauna também está relacionado ao uso e à ocupação do solo no entorno dos aeródromos e à existência de atividades que possam atrair animais.
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