Variedades
Paul Schrader exibe em Veneza filme sobre culpa, redenção e possibilidade de mudança
Ator Jack Huston declarou que diretor escreveu história de forma 'brilhante'
O filme "The Basics of Philosophy", do diretor Paul Schrader, foi exibido nesta sexta-feira (4) no Festival Internacional de Cinema de Veneza, na Itália, e mostrou ser várias coisas ao mesmo tempo: uma fábula moral, uma espécie de sequência tanto de "Master Gardener" quanto de "Taxi Driver" e um suspense filosófico.
Acima de tudo, porém, é um longa sobre culpa, redenção e a capacidade genuína de qualquer pessoa de mudar.
O protagonista da trama, John Jorissen (Jack Huston), é um professor de filosofia frio e distante que está escrevendo, apropriadamente, um livro sobre Espinosa e a ideia do filósofo de que o pensamento é o único baluarte contra o caos das paixões. O personagem mantém um relacionamento morno com Becca (Sofia Boutella), também professora universitária, que tem um filho adolescente, Willie, fruto de um casamento anterior.
Após a morte do pai de John, Miguel Basque (Daniel Zovatto), filho do jardineiro da família, surge inesperadamente no funeral. Logo fica claro, em parte por meio de flashbacks, que os dois haviam mantido um relacionamento no passado. Naquela época, o pai do protagonista abafara o caso do filho ao custear a educação particular de Miguel em troca de seu silêncio. Seu retorno, porém, faz John levantar uma série de questionamentos.
O professor começa a se perguntar se haveria perdão para o que fez, mas também cogita o suicídio e compra Nembutal, uma substância letal utilizada na eutanásia, no mercado clandestino. Em suma, não é um momento fácil para o professor de filosofia.
"O que adoro nos personagens é que cada um tem seus próprios segredos. Este é um filme, acima de tudo, sobre a possibilidade de mudança para qualquer pessoa que tenha transgredido", declarou Schrader.
O ator britânico Huston, conhecido por interpretar Richard Harrow na série "Boardwalk Empire", afirmou que, para seu personagem, "admitir ser gay ou bissexual teria sido uma decepção para o pai".
"Ao longo de sua vida, o pai exerce certo poder sobre ele por conhecer seus segredos mais sombrios; assim, John vive uma vida que nunca quis. Ele faz isso, é claro, para convencer o pai de que é uma pessoa boa e íntegra. Quando o pai falece, John se sente verdadeiramente perdido, pois perdeu uma figura de orientação", afirmou.
O artista revelou que hesitou "por muito tempo em aceitar um papel tão denso", mas declarou que Schrader escreveu a história de forma "brilhante, pois levanta questões sem jamais respondê-las".
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