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Instituto Tomie Ohtake apresenta Sheila Hicks: O que que é isso?

Mostra reúne cerca de 30 obras de mais de seis décadas de produção da artista norte-americana, referência internacional das práticas têxteis, além de uma instalação inédita concebida especialmente para a exposição.

Assessoria 21/08/2026
Instituto Tomie Ohtake apresenta Sheila Hicks: O que que é isso?
Sheila Hicks, Allegro, 2026, Caxemira, lã e linho, 120 x 130 cm 23 - Foto: Tatiana Mito

Ministério da CulturaBradesco e Instituto Tomie Ohtake apresentam Sheila Hicks – O que que é isso?, exposição dedicada à artista norte-americana Sheila Hicks (Nebraska, Estados Unidos, 1934), uma das principais referências internacionais na expansão das práticas têxteis na arte contemporânea. Com curadoria de Ana RomanLuis Pérez-Oramas e Paulo Miyada, a mostra ocupa duas salas do Instituto, entre 28 de agosto e 25 de outubro de 2026, reunindo um amplo conjunto de obras produzidas ao longo de mais de seis décadas, entre trabalhos históricos, obras recentes e uma instalação inédita concebida especialmente para a exposição. Sheila Hicks – O que que é isso? acontece paralelamente à exposição Contrarregra, dedicada à artista Tatiana Blass, cuja produção parte da pintura e se expande para diferentes linguagens, investigando as relações entre matéria, espaço, luz e tempo.

Desenvolvida em estreito diálogo com Hicks, a mostra acompanha sua pesquisa sobre o fio como matéria, estrutura e forma de pensamento, em uma prática que atravessa fronteiras entre pintura, escultura, design e artes têxteis. São cerca de 30 obras produzidas nas últimas seis décadas, entre pequenas tecelagens, relevos, esculturas e instalações de escala arquitetônica. O conjunto inclui ainda fotografias realizadas pela artista e pelo fotógrafo chileno Sergio Larrain durante viagens pela América Latina, no final dos anos 1950, e um núcleo de têxteis andinos, referências fundamentais para a formação e o desenvolvimento da prática da artista.

O título O que que é isso? toma emprestada uma pergunta feita pelo então professor Josef Albers à jovem estudante Sheila Hicks, durante sua formação na Yale University, nos Estados Unidos. Ao encontrar a aluna experimentando um tear improvisado, Albers perguntou: Was ist das, girl? (“O que que é isso, garota?”). A indagação tornou-se ponto de partida para uma investigação que, desde então, acompanha toda a trajetória da artista. Para além de nomear a exposição, a pergunta sintetiza uma prática baseada na experimentação, na curiosidade pelos modos de fazer e na recusa em submeter sua produção a definições rígidas.

Ao lado de trabalhos de grandes dimensões, como The Soft Side of my Nature e a grande instalação Aprentizaje de la Victoria, a exposição apresenta também alguns exemplares dos Minimes, pequenas tecelagens que a artista vem realizando desde o início de sua trajetória. Os primeiros surgiram de teares improvisados com chassis de pintura e serviram como campo de experimentação com materiais, cores e técnicas observadas em têxteis pré-incaicos. Os mesmos procedimentos de atenção à cor, à textura, à densidade e à organização dos fios reaparecem nas obras monumentais, nas quais a multiplicação de elementos transforma linhas individuais em volumes que se relacionam diretamente com o corpo e a arquitetura.

Entre os trabalhos apresentados estão também as Lianes, série desenvolvida por Hicks desde os anos 1960, formadas por longos cordões de fibras suspensos no espaço. As obras assumem diferentes configurações de acordo com o local em que são instaladas. Nelas, o fio deixa de estar submetido à trama para ganhar espessura, peso e extensão, estabelecendo relações com a gravidade, a arquitetura e o deslocamento do corpo pelo espaço.

A relação de Hicks com as tradições têxteis das Américas aparece ainda em um conjunto de peças andinas, cedidas temporariamente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) por meio do Comodato MASP Landmann. O interesse da artista por esses objetos começou durante sua formação em Yale e ganhou outra dimensão a partir de 1957, quando percorreu países da América do Sul, visitando coleções arqueológicas, sítios históricos e contextos nos quais práticas de tecelagem permaneciam vivas. Produzidas em diferentes épocas e regiões dos Andes, as peças evidenciam a diversidade de técnicas, materiais, escalas e funções que Hicks encontrou nessa produção, e que se tornaria uma referência contínua em sua pesquisa.

Simultaneamente à exposição no Instituto Tomie Ohtake, a Nara Roesler São Paulo apresenta, a partir de 29 de agosto, a exposição Autobiografia de um fio, com curadoria de Luis Pérez-Oramas, diretor artístico da Nara Roesler. Foram selecionados mais de vinte trabalhos recentes e inéditos de Sheila Hicks, produzidos desde 2017, que percorrem as diferentes tipologias de sua produção. A relação entre Pérez-Oramas e Hicks se iniciou quando o curador a convidou para participar da 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, primeira apresentação dos trabalhos da artista no Brasil. Juntas, as duas mostras oferecem ao público dimensões distintas e complementares da obra de Sheila Hicks, e serão acompanhadas por uma publicação conjunta do Instituto Tomie Ohtake e da Nara Roesler Books.

A exposição Sheila Hicks – O que que é isso? é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake. A mostra é apresentada pelo Bradesco e conta com os apoios da BMA Advogados na cota Bronze e da Nara Roesler.

Serviço:

Sheila Hicks – O que que é isso?

28 de agosto a 25 de outubro de 2026

De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]

Entrada franca