Variedades
Novo 'Moana' chega aos cinemas; 'não queremos substituir o original', diz diretor
Thomas Kail fala sobre a adaptação e os desafios de criar um remake de um filme recente.
O cineasta Thomas Kail enfrentou um desafio inédito: realizar um remake com atores reais de Moana, um dos grandes sucessos recentes da Disney. Ao contrário de outras adaptações, como A Bela e a Fera e A Pequena Sereia, este filme foi lançado há apenas dez anos, exigindo um cuidado especial na adaptação.
O resultado estreou nas telonas na quarta-feira, 8, com atores reais dando vida à história da princesa que precisa reconquistar a confiança de seu povo nos mares. A protagonista é interpretada pela novata Catherine Laga'aia, enquanto Dwayne Johnson, que emprestou a voz a Maui na animação, retorna agora com carisma, cabelos e músculos visíveis.
Em entrevista ao Estadão, Kail explicou como equilíbrar a fidelidade à obra original e a reinvenção. "Sentimos que queríamos confiar no que já funcionava, mas não ter medo de tentar coisas novas", declarou. Ele mencionou a adição de cenas inéditas, uma releitura de uma sequência e uma abordagem distinta para uma das canções, sem revelar detalhes para não estragar a surpresa. "Queríamos honrar o que já existia e, ao mesmo tempo, encontrar maneiras de surpreender agradavelmente o público", afirmou.
Quando questionado sobre a responsabilidade de reimaginar um filme querido, o cineasta preferiu usar outro termo. "Não sei se sinto pressão, mas sim uma responsabilidade de fazer bem", enfatizou. Ele traçou um paralelo com sua experiência no teatro, onde remontagens são comuns. "Às vezes, você faz uma versão de algo já existente, e esse material original pode ser muito querido pelas pessoas. Você só quer fazer justiça ao original", disse.
Para Kail, a intenção não é substituir o filme anterior. "Esperamos fazer algo que possa coexistir com o original, não substituí-lo. O original é lindo. Queremos criar um companheiro para ele", destacou, sem querer arriscar palpites.
Apesar do desejo de inovação, a impressão de que Moana é uma mera repetição não pode ser ignorada. As mudanças nas músicas são sutis, e a narrativa pode parecer um eco, com personagens mais aprofundados e outros que desapareceram.
Essa situação levanta questionamentos sobre o futuro dos remakes com atores reais, especialmente após o insucesso de Branca de Neve em 2025. No entanto, o diretor ainda vê potencial neste tipo de adaptação, ressaltando o apelo familiar. "Adoro fazer trabalhos para famílias e gosto de ver todos assistindo juntos", disse. Kail acredita que remakes funcionam como uma ponte entre gerações, embora existam apenas dez anos entre o original e o relançamento. "Muitas animações falaram com diferentes gerações. A oportunidade de apresentar esses filmes a novos públicos é essencial", afirmou.
Cuidados com a cultura polinésia
Um dos aspectos mais sensíveis do projeto foi o cuidado com a representação da cultura polinésia que fundamenta a narrativa. Isso foi um ponto central que contribuiu para a animação de 2025, ao incluir criadores polinésios na equipe. "Uma das nossas preocupações era como assegurar que essa história refletisse a essência da cultura das ilhas do Pacífico", destacou.
Kail enfatizou a importância de contadores de histórias e profissionais polinésios em posições relevantes. "Não é minha cultura. Quis garantir que muitos dos nossos colaboradores tivessem a vivência necessária para assegurar a integridade e autenticidade da produção", explicou.
Ele mencionou a coreógrafa, a figurinista e artesãos que ensinaram a equipe sobre navegação tradicional. "Contamos com um conselho cultural da Disney com representantes de diferentes ilhas para garantir que tudo estava representado com o mais alto nível de autenticidade", acrescentou.
As músicas
Com uma sólida experiência em musicais, incluindo prêmios Emmy e Tony por Hamilton, Kail reconheceu que essa vivência foi crucial para abordar a trilha sonora de Moana. "Este trabalho foi um teste, pois exige muito de todos nós", brincou. Ele destacou que a música é fundamental para a narrativa. "Moana é um musical", declarou. "A música traz profundidade aos personagens, permitindo que os conheçamos melhor".
Kail atribui parte da permanência do filme no imaginário coletivo a sua trilha sonora. "Uma das razões pelas quais a Moana de 2016 permanece em nossas lembranças é a música, que se torna parte de nós", afirmou, referindo-se à canção You're Welcome.
Sobre a colaboração com Dwayne Johnson, que agora vive o personagem Maui e canta a icônica canção, Kail expressou entusiasmo. "Ele foi um parceiro maravilhoso. Trabalhamos juntos há três anos, desde a escolha das locações até o que foi colocado na tela", compartilhou. Nos sets, a parceria foi divertida, com Johnson sendo colaborativo e cheio de energia.
Com a estreia, o diretor espera que o novo Moana consiga um lugar ao lado do original na memória do público. "No final, meu objetivo é criar algo do qual todos possamos nos orgulhar", afirmou. "Espero que ele ressoe no mundo todo - e no Brasil - assim como o primeiro filme".
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