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Como fazer trabalhos universitários: a habilidade que deveria ser ensinada em escolas do Nordeste

08/08/2022
Como fazer trabalhos universitários: a habilidade que deveria ser ensinada em escolas do Nordeste

Fonte: foto por Marianna Smiley no Unsplash

Recentemente, iniciativas como o PROUNI, REUNI e as cotas agravaram o acesso à universidade para jovens das camadas populares e de regiões menos favorecidas. No entanto, não é possível realizar a inserção completa de estudantes no mundo acadêmico de maneira democrática sem que todos tenham tido acesso à educação de qualidade e uma formação que os prepare para o futuro, com perspectiva que vá além do currículo mandatório.

Hoje em dia, uma quantidade diminuta de escolas tem como prioridade em sua metodologia o foco no ensinamento de habilidades que serão úteis na jornada do ensino superior, por exemplo: como escrever uma dissertação acadêmica com a estrutura e conteúdo adequados, elaborar tese ou dissertação de mestrado, apresentar um projeto de negócios e propostas de parceria e diversas outras habilidades fundamentais para que as novas gerações triunfem em instituições de ensino superior.

No Brasil, 40% dos jovens não chegam a obter seus diplomas, afinal, vêem mais proveito no ato de buscar por cargos que não exijam a qualificação advinda do ensino superior do que em serem sempre empurrados para ocupações de baixa remuneração após sucessivas crises políticas, econômicas e sociais. Diante desse cenário, o indíce de jovens adultos que tem condições de enfrentar todos os desafios decorrentes do status de universitário no Brasil torna-se extremamente baixo, principalmente ao levar em consideração a negligência do governo que deveria prover as necessidades básicas de estudantes de baixa renda (moradia, alimentação e saúde) além de um currículo escolar que inclua habilidades profissionalizantes e realmente úteis para a formação acadêmica universitária.

Enquanto aqueles que tem condições de “comprar” uma boa formação, tendo já a ideia pronta de como formular o esqueleto de trabalhos acadêmicos e como passar em qualquer curso que seja almejado pelo mesmo. Não é que nós, como sociedade, devemos condenar esse modelo educacional, mas que o mesmo deveria ser a norma.

Embora o ingresso de minorias e jovens de baixa renda tenham aumentado de maneira substancial, o proveito da experiência acadêmica depende muito do conhecimento base provido pela escola. De acordo com o Ideb, o Norte e o Nordeste estão deixando muito a desejar em relação à qualidade de ensino, estando abaixo da média nacional com respectivamente 2,6% e 7,6% de índices de matricula em redes estaduais.

Assim, o adolescente que tinha boas condições financeiras e se formou tendo todas as ferramentas necessárias para uma carreira acadêmica estelar saberá como fazer trabalhos universítários, chegando até mesmo a se formar e fazer dissertação de mestrado, citar dissertação de mestrado, trabalho de mestrado, tese de mestrado e outros requerimentos da pós-graduação.

Além do fator educação, é imprescindível discutir o valor da educação multifacetada para os brasileiros como sociedade, afinal, a educação é molde para valores humanos, esses subestimados pelo currículo conteúdista e antiquado hodiernamente aplicado pelo MEC, governos estaduais e instituições de ensino no geral.

Esta é uma época decisiva para o rumo da educação no Brasil, com a modernização dos meios didáticos e a possiblidade de adquirir diplomas via Ensino A Distância (EAD), será que seremos testemunha de uma mudança de perspectiva? Ou será que a disparidade será agravada devido ao difícil acesso à eletrônicos em tempos de crise?

O brasileiro precisa de perspectiva e esperança, é necessário que o estado e instituições estejam presentes como amparo em tempos de crise, é fundamental que todos tenhamos acesso ao conhecimento, arma desenvolvida por milênios, tão assistente quanto inimiga da humanidade. Precisamos formar mais do que trabalhadores, o sistema educacional precisa formar humanos, os quais devem ser tratados como tal.

Precisamos de figuras políticas que notem a lacuna perceptível na educação base no Norte e Nordeste, onde grande parcela da população tem acesso apenas à grade curricular antiquada do MEC, a qual – sozinha – não é o suficiente para que o aluno consiga se destacar durante a sua jornada acadêmica.