Variedades
‘Seleção Rio’ faz recorte particular do evento
Iniciada na quinta-feira, 29, no Cinesesc, a mostra Seleção Rio está trazendo a São Paulo, pelo segundo ano consecutivo, uma síntese do Festival do Rio. Você só precisa entrar no site da sala da Rua Augusta para conferir os horários. São 22 longas e oito curtas, 30 filmes no total, divididos em dois programas – o primeiro oferecendo um panorama internacional da produção do ano e o segundo privilegiando os filmes de temática LGBT.
Os filmes estarão em cartaz até quarta-feira, 5. O panorama é formado predominantemente por documentários, desde o retrato do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica por Emir Kusturica – El Pepe, Uma Vida Suprema – até Imagine, em que um dia na vida do casal John Lennon/Yoko Ono é recriado em função das músicas dos álbuns Imagine (dele) e Fly (dela), com a participação de Fred Astaire, George Harrison, Jonas Mekas, Jack Palance.
Friedkin Uncut, do italiano Francesco Zippel, segue o cineasta norte-americano William Friedkin numa viagem por sua vida e obra. Autor de clássicos como Operação França, que venceu o Oscar, e O Exorcista, ele com frequência transgrediu as normas de Hollywood. Não por acaso, Francis Ford Coppola e Quentin Tarantino o reverenciam como mestre. Outros documentários destacam os cineastas Hal Ashby e Julian Schnabel, e o músico Ryuichi Sakamoto. Você vai agradecer a Michael Moore por haver produzido Os Olhos de Orson Welles. Mark Cousins teve acesso exclusivo a centenas de pinturas e desenhos pessoais do criador do clássico Cidadão Kane. Isso lhe permite revelar o artista pelos próprios olhos. É fascinante.
Quem se emocionou com a ficção Uma Noite de 12 Anos, sobre o período em que Pepe Mujica e seus companheiros estiveram confinados em prisões militares no Uruguai, vai ouvir agora as histórias contadas pelo próprio El Pepe. Kusturica, o cinéfilo sabe, é apaixonado por seus biografados. Tem gente que até hoje não engole seu retrato de Maradona, porque chamusca o lendário Pelé. Ele Pepe não precisa ser retocado pela ficção para ser maravilhoso – ele é. Kusturica está documentarista. Frederick Wiseman é, e com Monrovia, Indiana, ele lança seu olhar sobre a América rural, profunda, estabelecendo sua relação com as instituições e organizações comunitárias e religiosas.
Na programação LGBT, destacam-se Obscuro Barroco, de Evangelia Kranioti, e Luna, de Cris Azzi. E ainda tem A Ilha, da dupla Ary Rosa, Glenda Nicácio, de Café com Canela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Autor: Luiz Carlos Merten
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