Variedades
A odisseia de Peter e a infância que sofre
Há algo do dilaceramento interior do garoto de Loveless/Sem Amor, de Andrey Zvyagintsev, em outro menino, Petya, ou Peter, cuja odisseia está no centro do longa de estreia da dupla Alexey Kuzmin-Tarasov e Anna Kolchina. Petya é interpretado por Dmitriy Gabrielyan, e será difícil não se envolver com a pureza do seu olhar. Em Peters Odyssey/A Odisseia de Peter, uma das atrações desta quinta, 18, na Mostra, pai e mãe abandonam a Rússia para tentar a sorte na Alemanha. Petya tem dificuldade para se adaptar na nova escola. Sente falta da avó, da neve. Parte numa jornada de volta à casa.
O cinema contou muitas histórias parecidas, e o que faz o diferencial de A Odisseia de Peter não é só o jovem ator, tão bom, mas também essa viagem que a dupla de cineastas realiza pelo imaginário do protagonista. Peter desenha. Ingressa num mundo de sonho e é por meio dessas sequências oníricas que Anna e Kuzmin-Tarasov explicitam qual é o tema do seu filme.
Uma nova forma de tratar a questão visceral do imigrante? Petya sente-se isolado, rejeitado. Vai na contramão da história, e dos pais. Eles sonham, com o futuro na terra estranha. Ele só quer voltar às origens. É um belo filme sobre a dor, e a superação, de uma criança.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Autor: Luiz Carlos Merten
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