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Saiba quem era o americano Brent Sikkema, sócio de famosa galeria de arte de NY assassinado no Rio; ex-marido pegou prisão perpétua

Galerista foi encontrado morto em seu sobrado no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Ele era definido como 'defensor das questões sociais'

Agência O Globo - 06/11/2026
Saiba quem era o americano Brent Sikkema, sócio de famosa galeria de arte de NY assassinado no Rio; ex-marido pegou prisão perpétua
Saiba quem era o americano Brent Sikkema, sócio de famosa galeria de arte de NY assassinado no Rio; ex-marido pegou prisão perpétua - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Encontrado morto em seu sobrado no Jardim Botânico, Brent Sikkema, de 75 anos, era sócio proprietário de uma famosa galeria de arte em Nova York. O americano era coproprietário da Sikkema Jenkins & Co, no Chelsea. Sikkema foi morto no dia 14 de janeiro de 2024 com perfurações de arma branca (perfurocortantes, como tesouras, estiletes e chaves de fenda). O galerista foi definido como “uma pessoa maravilhosa, muito bondosa, generosa, defensor das questões sociais” por uma amiga e advogada. Seu ex-marido, Daniel Sikkema, de 56 anos, foi sentenciado à prisão perpétua nos Estados Unidos pela morte.

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Brent morava em um sobrado na Chácara do Algodão, no Horto, região que abriga os ateliês de artistas como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão e Gabriela Machado. O americano costumava visitar o Rio no máximo três vezes por ano, permanecendo em sua residência, do qual era proprietário há pouco mais de 10 anos.

A advogada do galerista, Simone Nunes, cuidava do sobrado quando ele não estava no Brasil. Sikkema mal falava português e, por isso, não tinha muito contato com os vizinhos, que o conheciam apenas de vista. Quando estava no Rio, passava o dia fora e retornava apenas para dormir. Uma pessoa que trabalhava na região comentou que a rua é muito tranquila e que os moradores costumam se recolher cedo.

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Em seu perfil nas redes sociais, Brent compartilhava momentos de suas viagens ao redor do mundo, sem esconder sua preferência pelo Brasil e Cuba. Mostrando aos cerca de 1 mil seguidores cenas do cotidiano cubano, como o pôr do sol em Havana e um buquê de flor borboleta-branca, símbolo nacional. O americano mencionou os dois países em uma publicação sobre uma paisagem de Zurique, na Suíça, onde escreveu:

"Zurique esta noite. Geralmente sou um cara caótico — você conhece meu tipo de lugar — onde a luta é real todos os dias — Cuba e Brasil — mas tenho que admitir que uma visita ocasional à Suíça é uma espécie de alívio!"

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Durante o período de seu assassinato, Brent foi lembrado por sua amiga e advogada Simone Nunes como uma pessoa gentil que falava constantemente sobre bondade. Casado e pai de um menino de 12 anos, o americano usava as redes sociais para expressar seus sentimentos e sua visão de mundo. Ele se mostrava próximo de sua família e costumava compartilhar, ainda que brevemente, momentos do crescimento do filho, viagens e detalhes do cotidiano, como um desenho feito com tinta.

"O 11 de setembro é o que meu filho e eu chamamos de 'um dia de bondade'. Nunca entenderemos o mal que encontramos naquele dia, mas podemos honrar aquelas almas que foram perdidas apenas por sermos pessoas mais gentis e empáticas. Eu sei que é difícil agarrar-se a isso todos os dias, mas é mais fácil do que acordar todos os dias com um buraco no coração cheio de sonhos desfeitos e aspirações por um marido, esposa ou filho que você trouxe ao mundo e perdeu. A bondade é natural e vem facilmente. Precisamos disso cada vez mais a cada dia", escreveu, referindo-se aos atentados às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 2001.

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Em junho de 2021, após um hiato de postagens em seu perfil do Instagram, Brent falou brevemente sobre a pandemia de Covid-19, destacando Darnella Frazier, a jovem que filmou, com seu celular, a ação policial que resultou na morte de George Floyd, em Minneapolis.

"Estou afastado do Instagram há 14 meses enquanto tento lidar com a dor diária de ver as desigualdades do mundo sendo totalmente expostas pela Covid. Eu queria voltar, mas esperei algo positivo para postar. O prêmio Pulitzer de hoje para Darnella Frazier por suas filmagens do assassinato policial de George Floyd. Que prêmio maravilhoso para Darnella e um lembrete para todos nós de que nos cabe permanecer vigilantes e determinados na proteção de nossas liberdades civis. Não se engane sobre isso. Nossa democracia está realmente sob ataque."

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'Amava o Brasil'

À época do crime, o artista plástico brasileiro Vik Muniz contou que conhecia Brent há mais de 30 anos e, além da relação de trabalho, se tornaram amigos.

“Brent foi meu galerista durante três décadas e um amigo por mais tempo que isso. Eu devo uma lealdade incrível ao profissional que ele foi por ser uma das primeiras galerias a ter um contingente de artistas que era metade branco, metade negro, metade mulher, metade homem”, destacou Muniz em vídeo enviado à TV Globo.

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O artista ressaltou a proximidade do galerista com a arte brasileira e comentou que, ao longo do tempo, se aproximaram. A casa onde Brent morava já pertenceu a Muniz, que a escolhera para viver no país, o qual visitava anualmente:

"Para mim, ele foi o melhor galerista que eu poderia ter, porque era uma galeria com a qual eu tinha diálogo e, juntos, criamos muitas coisas. Era um amigo. Eu ainda estou chocado, pois nutri um pouco desse amor que ele tinha pelo Brasil. Era uma casa que foi minha, eu que estive com ele aqui nas primeiras vezes, e ele amava, amava o Brasil. Não sei o que pensar disso. Estou apenas digerindo essa informação. É muito triste o que aconteceu com ele. Não merecia isso. Era um cara absolutamente formidável", disse o artista plástico.

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Contato com as artes

Brent Sikkema começou seu trabalho em galeria em 1971 como diretor de exposições no Visual Studies Workshop em Rochester, Nova York. Ele abriu sua primeira galeria em 1976, em Boston, Massachusetts.

Sikkema fundou a galeria em 1991, com o nome de Wooster Gardens, em homenagem à sua localização original, na Wooster Street, segundo o portal especializado Artnet. A galeria “apresenta grandes nomes como Kara Walker e Sheila Hicks, bem como fotógrafos em crescimento, incluindo Nikki S. Lee e Deana Lawson”, conforme a publicação.

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O outro sócio da galeria, Michael Jenkins, trabalhou em vários projetos com a galeria desde a sua inauguração em 1991. Em janeiro de 1996, ingressou na galeria como diretor, tornando-se sócio em 2003.

A instituição exibia obras em várias mídias como pintura, desenho, instalação, fotografia e escultura, incluindo importantes artistas como Jeffrey Gibson, Arturo Herrera e Vik Muniz, além de talentos emergentes. A galeria também colaborava diretamente em exposições e projetos com outros artistas.

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Encontrado morto

A advogada de Brent, Simone Nunes, relatou à polícia que, como não conseguiu contato telefônico com o galerista, decidiu ir até sua casa. Os dois teriam uma reunião de trabalho e, com seu desaparecimento, estranhou e foi ao imóvel. Com a chave, ela abriu a porta e entrou, encontrando a vítima já morta.