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Ex-funcionária de cartório em Trajano de Moraes é presa por suspeita de desviar quase R$ 400 mil

Segundo o Ministério Público, mulher falsificava escrituras e registros imobiliários e utilizava contas bancárias oficiais e paralelas para receber e desviar pagamentos de clientes; nove pessoas foram vítimas do esquema

Agência O Globo - 06/11/2026
Ex-funcionária de cartório em Trajano de Moraes é presa por suspeita de desviar quase R$ 400 mil
Ex-funcionária de cartório em Trajano de Moraes é presa por suspeita de desviar quase R$ 400 mil - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma ex-funcionária do Cartório do Ofício Único de Trajano de Moraes, na Região Serrana do Rio, foi presa preventivamente nesta quinta-feira acusada de falsificar escrituras e registros imobiliários e desviar mais de R$ 396 mil. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a mulher teria utilizado a própria função na serventia para produzir documentos falsos e receber pagamentos de clientes por meio de contas bancárias oficiais e paralelas.

De acordo com a denúncia, a investigada, identificada como Juliana de Souza Louza, produzia escrituras e registros com aparência de autenticidade, utilizando indevidamente selos de fiscalização. Pessoas que procuravam o cartório para regularizar imóveis pagavam pelos serviços e recebiam documentos que, em alguns casos, não correspondiam a registros oficiais.

As investigações apontaram que Juliana mantinha uma conta bancária paralela em nome do cartório, da qual só ela tinha acesso, para receber os pagamentos e transferir os valores para contas pessoais. Nisso, teriam sido desviados R$ 115,3 mil em 59 operações.

Outros R$ 280,9 mil teriam sido retirados diretamente das contas oficiais, por meio de 186 transferências. O Ministério Público pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo para a reparação dos danos.

Continuou se passando por funcionária após demissão

A decisão que determinou a prisão preventiva considerou o risco de continuidade das práticas criminosas. Segundo o MPRJ, mesmo após seu desligamento definitivo do cartório, ocorrido em dezembro de 2024, Juliana continuou recebendo pagamentos de usuários e se apresentando como funcionária da unidade.

A investigação começou após a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) identificar irregularidades na serventia. Em maio deste ano, policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência dela.

A prisão foi realizada pela Promotoria de Justiça de Trajano de Moraes, com apoio de agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ e da 157ª DP (Trajano de Moraes).

A mulher foi denunciada pelos crimes de peculato, estelionato, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistemas de informações e supressão de documento.