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Comercialização de voo de asa-delta é proibida, sabia? Entenda
Acidente com equipamento durante o feriado matou duas pessoas na Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio
Um acidente envolvendo uma asa-delta terminou com duas mortes na Praia de São Conrado, Zona Sul do Rio, na segunda-feira. Mas você sabia que a comercialização de voos panorâmicos de asa-delta é proibida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)? A agência, por outro lado, permite os voos duplos de instrução, pelos quais turistas pagam cerca de mil reais no local. Da rampa da Pedra Bonita, situada no Parque Nacional da Tijuca, são realizadas 60 mil decolagens por ano.
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O Clube de Voo Livre e o ICMBio, responsável pelo Parque Nacional da Tijuca, pleiteiam regras adicionais. Apenas pilotos com carteiras de entidades vinculadas à Federação Aeronáutica Internacional (FAI) são autorizados a operar. A ANAC esclarece que “desde que respeitada a competência regulatória da ANAC, é legítima a criação, por outros entes, de eventuais exigências adicionais restritas à sua área de atuação”.
Em um ofício endereçado ao Ministério Público Federal, que recebeu uma notícia-crime sobre a operação de voos na Pedra Bonita, a ANAC informou que não possui capacidade para fiscalizar o uso das rampas para a prática no país.
Após a queda de uma asa-delta no feriado, o número de mortos em voos livres em um ano em São Conrado chega a seis.
No documento, assinado por Fábio Fagundes dos Santos, um dos gerentes de Operações da agência, em maio deste ano, ele alerta que, como os equipamentos não passam por processo de certificação, caso sejam utilizados por mais de uma pessoa, “todos os envolvidos devem ser conscientizados da natureza desportiva da atividade e de que a ANAC não garante a segurança da operação, sendo o piloto e a aeronave desprovidos de qualquer certificado de capacidade técnica reconhecido pela ANAC; cabe aos praticantes a responsabilidade pelo gerenciamento do próprio risco”.
Seis mortes em um ano
Nesta segunda-feira, as vítimas foram o instrutor brasileiro Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45 anos, e o turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26. Nos últimos 12 meses, outros acidentes resultaram em mais quatro mortes.
Em agosto, o coronel da reserva do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, de 63 anos, afogou-se após pousar no mar. Ele teria sido atingido por uma linha de pipa próxima à área de pouso. No início do ano, o instrutor Rodolfo Pascoal Ladeira e a turista americana Jenny Colón Rodríguez também morreram após caírem no mar de São Conrado durante o pouso. Ele era recordista de parapente, possuindo mais de 16 anos de experiência.
Outro campeão do esporte, Philip Eric Haegler sofreu um acidente em novembro de 2025 e morreu após se chocar contra um prédio na orla de São Conrado, caindo de uma altura de 250 metros. Ele era um dos nomes mais reconhecidos do voo livre no Brasil. A investigação da 15ª DP (Gávea) concluiu que Haegler foi atingido por uma asa-delta pilotada pelo instrutor Sergio Manoel da Silva, que admitiu ter se distraído pouco antes do choque ao ajustar um item do passageiro que estava com ele. O homem foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Ainda houve casos de acidentes na região de outras modalidades de voos livres que não têm autorização para decolar da rampa. Em 2024, José de Alencar Lima morreu ao saltar de outro ponto do local com um speed-fly, equipamento semelhante a um parapente.
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