RJ em Foco

Justiça Militar recebe denúncias contra policiais na operação Contenção

Os agentes responderão por crimes como invasão de domicílio e furto de bens de moradores.

Agência O Globo - 09/10/2026
Justiça Militar recebe denúncias contra policiais na operação Contenção
Justiça Militar recebe denúncias contra policiais na operação Contenção - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Auditoria da Justiça Militar recebeu, nesta quinta-feira, três denúncias do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) contra oito policiais militares que participaram da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, resultando em 122 mortes. Os agentes responderão por crimes como invasão de domicílio, furto de bens de moradores (incluindo comida), recusa de obediência e obstrução do registro das ações, conforme noticiado pelo blog do jornalista Ancelmo Gois, de O GLOBO.

A denúncia:

PM do Bope também foi flagrado cometendo furtos na megaoperação: De acordo com o MPRJ, os policiais desobedeceram a ordens superiores ao retirar as câmeras operacionais portáteis (COPs) de suas fardas, guardá-las em viaturas ou bolsas de hidratação e cobrir os equipamentos para impedir as gravações. Uma das denúncias aponta que, no dia da operação, o segundo-tenente Roger Pereira Folhadella, os segundos-sargentos Leandro Neves Ribeiro e Emanuel D’Azevedo Ferreira, o subtenente Paulo Cesar da Cruz Telles e o cabo Thiago Leandro da Silva descumpriram a instrução normativa da Polícia Militar, impossibilitando o registro regular da ação. Já o cabo Iassui Santos Rocha Junior foi denunciado por obstruir a câmera que portava.

Os policiais Roger, Thiago, Iassui e Leandro também foram denunciados por invadir uma residência da comunidade após arrombarem o portão do imóvel, que estava vazio. Paulo Cesar, segundo a denúncia, além da invasão de domicílio, também foi denunciado por furtar um picolé da geladeira de uma das residências. Em outra denúncia, o GAESP/MPRJ apontou que, em uma área diferente da comunidade, o subtenente Jefferson Ferreira Braga e o cabo Ewerton Guimarães da Silva também retiraram as câmeras de suas fardas, impossibilitando o registro da ação. Enquanto o subtenente deixou o equipamento dentro de uma viatura, o cabo guardou a câmera em uma bolsa de hidratação, impedindo a gravação de imagens da atividade policial.

Veja também:

Uma série de medidas foram adotadas pelo MPRJ após a Operação Contenção, no âmbito da investigação independente conduzida pelo GAESP/MPRJ. As providências incluem a instauração de Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo, o monitoramento em tempo real pelo plantão de operações e o acionamento dos protocolos previstos na ADPF 635.

Na fase inicial, também foram requisitados dados e documentos às secretarias de Estado de Polícia Militar e de Polícia Civil, ouvidos agentes públicos responsáveis pelo planejamento da operação e realizadas perícias no Instituto Médico Legal.

O trabalho se desenvolve no eixo técnico-científico, além da investigação da atuação policial e do contato com os familiares das vítimas. Nessa frente, o GAESP, juntamente com a Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (DEDIT/CI2/MPRJ), produziu laudos relativos às vítimas da operação e analisa mais de 3.600 horas de gravações das câmeras corporais da PMERJ.

Além disso, em dezembro de 2025, foram expedidas recomendações aos secretários de Estado de Segurança Pública, de Polícia Civil e de Polícia Militar para a edição de um Protocolo Conjunto de Atuação em operações policiais, visando reduzir riscos e conter a letalidade. Em março deste ano, uma nova recomendação foi dirigida às mesmas autoridades para aprimorar o planejamento e o monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis (COPs).

Ligada ao Comando Vermelho:

O MPRJ informou que, até o momento, foram apresentadas seis denúncias contra 17 policiais militares por ilegalidades durante a operação, envolvendo apropriação de armamento, furtos, invasões e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais.