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Shows, peças e festival de fanfarra animam o Centro, com música e gastronomia na região

O lazer de cariocas e turistas vai além da praia na última da Semana de Arte do Rio

Agência O Globo - 28/09/2026
Shows, peças e festival de fanfarra animam o Centro, com música e gastronomia na região

Nem só praias e dias ensolarados fazem do Rio a capital do entretenimento. No domingo cinzento, a cidade pulsou ao som de diferentes ritmos nas ruas do Centro, onde a Semana de Arte do Rio espalhou mais de mil horas de atividades ao longo de 12 dias. O encerramento foi em grande estilo, com o Festival Solar – Eu Prefiro Ser, um show em homenagem a Ney Matogrosso nos Arcos da Lapa, que ganharam iluminação especial.

Na Zona Sul, boa música ganhou temperos especiais no Rio Gastronomia, no Jockey Club Brasileiro, atraindo uma multidão. O palco ficou por conta de Flor Gil, que se apresentou com o primo Bento. Ela ainda participou de uma aula sobre comida e sentimento ao lado da mãe, Bela Gil. Neta e filha de Gilberto Gil prepararam um ceviche e uma panqueca de banana, receitas centradas na sustentabilidade. O evento volta na próxima quinta-feira.

A Semana de Arte do Rio, promovida pela prefeitura, terminou ontem. Mas o plano é incluir o circuito cultural no calendário oficial da cidade.

— A diversidade cultural foi o grande destaque da primeira Semana de Arte do Rio. Milhares de pessoas circularam pelo Centro da cidade, desfrutando de música, artes plásticas, teatro, circo, dança e cinema, com uma programação que contemplou todas as vertentes, com o engajamento e a participação dos principais curadores e produtores da cena cultural, não apenas do Rio, mas de todo o país — afirmou o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha.

Na programação, a Cinelândia foi palco do último dia do Esquenta Honk Rio, encontro que antecipa a décima edição do festival de fanfarras, prevista para novembro, e coloca diferentes grupos para tocar gratuitamente em espaço público. Ontem, a festa reuniu integrantes em perna de pau e até gente fantasiada. No mesmo espaço, houve palhaçaria, teatro e poesia na Banca do André.

Moradora de Copacabana, a estudante de artes cênicas Maria Luísa Ferraz, de 28 anos, foi até a Lapa para acompanhar os shows e elogiou a proposta do evento:

— Eu, como estudante de artes cênicas, acho muito legal ver o Rio exaltando o que há de melhor na sua cultura. A Semana de Arte é um achado que veio para ficar. Estou adorando.

O veterinário Lucas Silveira, morador de Duque de Caxias, atravessou a cidade para aproveitar o encerramento da programação e destacou o clima familiar:

— Estou encantado com tudo. É lindo, é organizado e muito charmoso. O policiamento está reforçado. É realmente um evento para chegar em família e aproveitar com os amigos.

A turista Gabriela Luísa Magalhães, de São Paulo, adiou a volta para casa só para acompanhar os eventos de ontem:

— Vim passar alguns dias no Rio e fiz questão de ficar até domingo por causa da programação. É uma forma diferente de conhecer a cidade, caminhando pelas ruas e encontrando arte em cada esquina.

O domingo foi dedicado à garotada na Fundição Progresso, com atrações durante todo o dia. Também houve um festival de pipas gigantes logo no início do Aterro. Na Escadaria Selarón, o público de todas as idades se divertiu com um espetáculo de acrobacia e palhaçaria.

Integrada ao evento, a Festa Literária das Periferias (Flup) levou ontem ao Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, a cantora e ativista social Linn da Quebrada, que participou de uma mesa de debate. No dia anterior, o espaço havia recebido Gilberto Gil.

Para quem curte arquitetura, o passeio guiado realizado no fim de semana entre o Palácio Gustavo Capanema e o MAM mostrou como os edifícios ajudam a contar as transformações da cidade. Na mesma sintonia, a CASACOR Rio 2026 ocupa o icônico Edifício Aliança da Bahia, na Rua Araújo Porto Alegre, que passou por retrofit. Até 8 de novembro, o visitante poderá conhecer ambientes decorados em seis andares do prédio, além da cobertura e do térreo, onde funcionam bistrôs, bares, cafés e lojas.

O sábado, este sim ensolarado, já havia feito o Centro fervilhar. Houve show de Jorge Aragão no histórico Palácio Capanema e o tempero da Feira das Yabás, na área externa do CCBB. A novidade foi o VLT do Samba, que saiu da Central do Brasil rumo ao centro cultural levando Marquinhos de Oswaldo Cruz e sua banda.