RJ em Foco

Holandês procurado pela Interpol e colombiano condenado por matar policial: quem são os fugitivos de Bangu 8

Presos renderam um policial penal durante a fuga, escaparam da unidade com uma corda improvisada e foram recapturados horas depois.

Agência O Globo - 26/09/2026
Holandês procurado pela Interpol e colombiano condenado por matar policial: quem são os fugitivos de Bangu 8
Holandês procurado pela Interpol e colombiano condenado por matar policial: quem são os fugitivos de Bangu 8 - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Os dois detentos que fugiram na tarde deste sábado do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, em Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, acumulam condenações por crimes graves e histórico de atuação no tráfico internacional. O holandês Gerel Lusiano Palm, conhecido como "Holandês", já foi alvo da Interpol e da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA), enquanto o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos de prisão na Colômbia pelo assassinato de um policial e é apontado como integrante do Cartel de Medellín.

A fuga ocorreu durante a tarde deste sábado. Os dois renderam um policial penal que trabalhava em Regime Adicional de Serviço (RAS), aplicaram um golpe conhecido como "mata-leão", roubaram a arma do agente e escaparam pela parte dos fundos da unidade utilizando uma "tereza", corda artesanal feita com lençóis. Ambos foram recapturados.

Gerel Palm foi preso pela Polícia Federal em julho de 2021, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, para cumprimento de um mandado de prisão com finalidade de extradição. Na época, seu nome integrava a lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar foragidos internacionais, e ele também era procurado pela DEA por suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

A captura foi realizada por agentes do Núcleo de Cooperação Policial Internacional (Interpol/RJ), com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Palm havia sido condenado pela Justiça de Oost-Brabant, na Holanda, a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Além dessa sentença, também respondia a outro processo por um homicídio ocorrido em 2015. Desde que foi preso no Brasil, aguardava no sistema penitenciário fluminense a conclusão do processo de extradição.

O nome do holandês voltou ao centro das investigações da Polícia Federal em 2024, durante a Operação Anomalia, que apura uma suposta articulação do Comando Vermelho para impedir sua entrega às autoridades holandesas.

Segundo o inquérito, o ex-secretário de Governo Alessandro Pitombeira Carracena teria coordenado um esquema envolvendo o delegado federal Fabrizio Romano, a advogada Patrícia Carvalho Falcão — responsável pela defesa de Palm — e o policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como "Bonitão".

De acordo com os investigadores, a esposa de Palm teria entregue R$ 150 mil em espécie para viabilizar um pedido de refúgio que impediria a extradição. A PF afirma que Fabrizio Romano e Luciano teriam recebido R$ 15 mil cada como adiantamento e que outros R$ 150 mil seriam pagos a cada um caso o plano fosse bem-sucedido.

A investigação teve origem na análise dos celulares de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, e de Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor do traficante TH Joias. Os investigados respondem por suspeitas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado pela Justiça colombiana a 40 anos de prisão pelo assassinato do policial Juan Camilo, cometido em 2010. Conforme as investigações, ele devia cerca de 10 milhões de pesos colombianos ao agente e teria planejado o homicídio para evitar quitar a dívida.

Após o crime, fugiu para Santiago, no Chile, onde permaneceu até 2016. Naquele ano, passou a viver no Rio de Janeiro.

Segundo investigações das polícias Civil e Federal, Juan Estebán integra o Cartel de Medellín e atuava como elo entre a organização criminosa colombiana e traficantes brasileiros envolvidos no comércio internacional de drogas.

O colombiano foi identificado durante uma investigação da 11ª DP (Rocinha), que apurava o tráfico de drogas na comunidade da Zona Sul. Os policiais descobriram que ele frequentava a região, mas não encontraram registros em bancos de dados nacionais.

Ao consultar a Interpol, as autoridades brasileiras confirmaram que Juan Estebán estava na lista de alerta vermelho e era procurado pela Colômbia. A prisão ocorreu na casa de sua companheira, na comunidade da Muzema, na Zona Oeste, em uma operação conjunta das polícias Civil, Federal e da Interpol, após mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal.