RJ em Foco
Polícia Civil investiga agulhas compartilhadas em feira de ciências
Agentes da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) estiveram no local na manhã desta segunda-feira
Policiais da 42ª DP estiveram no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, na manhã desta segunda-feira, em busca de informações adicionais sobre o compartilhamento de lancetas — instrumento que perfura o dedo para coletar sangue — durante testes de glicose em uma feira de ciências. O incidente ocorreu no sábado, e quase todos os participantes eram crianças, mas pelo menos um adulto também se submeteu ao procedimento, conforme relatos de pais confirmados pela instituição. Os policiais convocaram o diretor do colégio para prestar esclarecimentos.
Lanceta foi usada em até três pessoas:
Sonho de metal:
Até o fim da tarde de domingo, pelo menos 23 pessoas procuraram hospitais para tratamento profilático: 20 foram atendidas no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e outras três na rede particular, segundo a escola.
Uma equipe do Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho deve ir ao Colégio Tamandaré nesta segunda-feira para orientar estudantes e responsáveis. A visita está prevista para ocorrer das 11h às 14h. De acordo com comunicado divulgado pela unidade, os profissionais de saúde irão esclarecer dúvidas e ajudar a identificar participantes dos testes que ainda não procuraram atendimento. Não haverá testagem nem administração de medicamentos no colégio. Caso seja identificado alguém que ainda não tenha sido testado, a família será avisada e orientada a procurar o centro municipal de saúde da região ou o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Lourenço Jorge.
A escola reforçou que quem teve o dedo furado no estande sobre diabete deve procurar uma unidade de saúde imediatamente, sem esperar pela visita da equipe. Também ressaltou que as orientações médicas recebidas durante o atendimento devem ser cumpridas independentemente do resultado dos testes.
Infectologista atenderá na quinta-feira
A instituição anunciou a contratação da infectologista pediátrica Patrícia Guttman para acompanhar alunos e responsáveis. Os atendimentos na escola serão realizados mediante agendamento, nesta quinta-feira, dia 17, a partir das 14h30.
O vice-diretor-geral do Tamandaré, Antonio Henrique, afirmou que a Vigilância Sanitária da prefeitura foi acionada no próprio sábado:
— Acionamos a Vigilância Sanitária da prefeitura no próprio sábado, que nos orientou como proceder. E nesta segunda-feira, equipes vão estar na escola tirando dúvidas e identificando se outras pessoas vão precisar fazer o tratamento.
A psicóloga do colégio também está disponível para consultas presenciais ou por vídeo. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (21) 3392-5120 ou pelo e-mail [email protected].
Escola afirma que havia proibido testes
Segundo o vice-diretor, a feira vinha sendo planejada desde o retorno às aulas, em agosto. Os responsáveis pela estudante, que tem entre 12 e 13 anos, teriam sido orientados de que o aparelho poderia apenas ser exibido, sem testes em pessoas.
Antonio Henrique disse que a mãe da aluna tomou como base uma recomendação do fabricante para testes individuais que, segundo ele, permite o uso da mesma agulha até três vezes. O colégio reconheceu, em comunicado, que o material é de uso individual e que o compartilhamento motivou o alerta às famílias.
A instituição afirma que as medições começaram próximo ao fim do evento, sem autorização, e que nenhum professor, coordenador ou funcionário orientou ou acompanhou os procedimentos. Segundo o vice-diretor, as atividades eram monitoradas, mas a situação não foi percebida de imediato porque havia cerca de 3 mil pessoas na escola.
Um pai que alertou a direção contou ter estranhado a cena:
— Minha filha ficou com medo de ser furada e não participou. Cheguei no fim do evento. A primeira coisa que me chamou a atenção era uma criança furando outras crianças. Isso é preocupante, especialmente em uma época em que há tantos cuidados em relação a equipamentos esterilizados. Ouvi uma senhora reclamando que não trocava a agulha.
A escola diz ter interrompido a atividade assim que a equipe percebeu o uso do instrumento. O aparelho e a caixa de lancetas foram recolhidos, e a responsável pela estudante foi orientada sobre a gravidade do ocorrido.
Hospital diz que mantém estoque de profilaxia
A mãe de uma criança de 12 anos relatou que precisou aguardar a chegada de medicamentos de outra unidade durante o atendimento no Lourenço Jorge. Em nota, a direção do hospital afirmou que havia estoque de profilaxia pós-exposição para os atendimentos relacionados ao caso e a unidade permanece abastecida.
“Nenhuma pessoa que buscou atendimento ficou sem a profilaxia indicada”, informou o hospital, que acrescentou estar preparado para receber novos pacientes.
A Secretaria municipal de Saúde afirmou que todos os que precisavam de medicação foram atendidos dentro do período de 72 horas preconizado para a profilaxia.
Investigação
A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira, que o caso foi registrado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). De acordo com a corporação, testemunhas serão ouvidas e demais diligências estão em andamento para apurar os fatos.
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