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Ozempic, dieta e magreza do Faraó dos Bitcoins impressiona

Empresário suspeito de crime financeiro aparece diferente na TV após cinco anos preso

Agência O Globo - 07/09/2026
Ozempic, dieta e magreza do Faraó dos Bitcoins impressiona
Glaidson Acácio dos Santos - Foto: Reprodução

Ozempic, dieta "imposta" por comida ruim, depressão na cadeia... Especulações tomaram conta da internet depois que o Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo (dia 6) imagens de Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, prestando depoimento em juízo. Ele foi ouvido na ação em que será julgado se, junto com a esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, cometeu crimes contra o sistema financeiro. Ambos estão presos e, segundo autoridades, movimentaram mais de R$ 38 bilhões em um esquema que pode ter deixado 77 mil vítimas.

O empresário, que está há cinco anos atrás das grades, ficou bem mais magro. Ironicamente, ele admitiu ser uma “baleia” de criptomoedas, apelido dado a investidores que possuem quantidades suficientes de ativos para influenciar os preços de mercado. O processo entrou na reta final, mas um mistério ainda não foi solucionado: quanto há na carteira de criptoativos do Faraó.

— Como “baleia”, eu consigo manipular outras criptomoedas. Entro em contato com outras “baleias” e dizemos o seguinte: “Ó, você aposta na queda, alavanca dez vezes que nós vamos derreter o preço. Vamos despencar o preço de uma determinada criptomoeda (...)”. No mercado, uns riem, outros vendem lenços — disse ele.

Acusado de assassinatos

Glaidson e Mirelis são acusados de comandar, por meio da empresa GAS Consultoria, um esquema de pirâmide financeira disfarçado de sistema de investimentos em criptomoedas. Preso há cinco anos, ele também é suspeito de mando de assassinatos de concorrentes em Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde a financeira era sediada.

Com promessas de lucros bem acima da média de mercado, a GAS atraiu milhares de investidores. Na Justiça, credores cobram quase R$ 3 bilhões. O Faraó revelou como operava:

— Eram contratos individuais. Como diz aquele velho ditado: “De grão em grão, a galinha enche o papo” (...). Os meus funcionários iam, de helicóptero, até São Paulo, levavam recursos em espécie dos clientes, e as pessoas lá, em São Paulo, transferiam para minha carteira.

A esposa de Glaidson Acácio não foi presa com ele em 2021: ela saiu do país e foi morar nos Estados Unidos. Foragida, foi detida pela imigração americana três anos depois e deportada. Ela afirmou que, ao contrário do que diz o Ministério Público Federal, não geria a carteira de clientes. Sua função, alegou, era estudar o mercado para alavancar os ganhos.

— Eu realmente li todo o processo. E, com todo respeito, para mim foi como ler um livro de ficção científica — argumentou Mirelis.

Fortuna em dispositivo

Uma criptomoeda pode ser guardada em um aparelho sem conexão com a internet, como um pen drive, chamado de “cold wallet” (“carteira fria”, em tradução livre). O acesso ao dispositivo é feito por senha. O de Glaidson está em um cofre da Polícia Federal e, segundo ele, tem dinheiro suficiente para pagar os 77 mil credores.

— A senha, agora de cabeça, eu não sei — disse ele.

Em nota, a defesa de Glaidson afirma que ele é inocente e que a interrupção dos pagamentos da GAS foi fruto de ordem judicial.