RJ em Foco
Ozempic, dieta e magreza do Faraó dos Bitcoins impressiona
Empresário suspeito de crime financeiro aparece diferente na TV após cinco anos preso
Ozempic, dieta "imposta" por comida ruim, depressão na cadeia... Especulações tomaram conta da internet depois que o Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo (dia 6) imagens de Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, prestando depoimento em juízo. Ele foi ouvido na ação em que será julgado se, junto com a esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, cometeu crimes contra o sistema financeiro. Ambos estão presos e, segundo autoridades, movimentaram mais de R$ 38 bilhões em um esquema que pode ter deixado 77 mil vítimas.
O empresário, que está há cinco anos atrás das grades, ficou bem mais magro. Ironicamente, ele admitiu ser uma “baleia” de criptomoedas, apelido dado a investidores que possuem quantidades suficientes de ativos para influenciar os preços de mercado. O processo entrou na reta final, mas um mistério ainda não foi solucionado: quanto há na carteira de criptoativos do Faraó.
— Como “baleia”, eu consigo manipular outras criptomoedas. Entro em contato com outras “baleias” e dizemos o seguinte: “Ó, você aposta na queda, alavanca dez vezes que nós vamos derreter o preço. Vamos despencar o preço de uma determinada criptomoeda (...)”. No mercado, uns riem, outros vendem lenços — disse ele.
Acusado de assassinatos
Glaidson e Mirelis são acusados de comandar, por meio da empresa GAS Consultoria, um esquema de pirâmide financeira disfarçado de sistema de investimentos em criptomoedas. Preso há cinco anos, ele também é suspeito de mando de assassinatos de concorrentes em Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde a financeira era sediada.
Com promessas de lucros bem acima da média de mercado, a GAS atraiu milhares de investidores. Na Justiça, credores cobram quase R$ 3 bilhões. O Faraó revelou como operava:
— Eram contratos individuais. Como diz aquele velho ditado: “De grão em grão, a galinha enche o papo” (...). Os meus funcionários iam, de helicóptero, até São Paulo, levavam recursos em espécie dos clientes, e as pessoas lá, em São Paulo, transferiam para minha carteira.
A esposa de Glaidson Acácio não foi presa com ele em 2021: ela saiu do país e foi morar nos Estados Unidos. Foragida, foi detida pela imigração americana três anos depois e deportada. Ela afirmou que, ao contrário do que diz o Ministério Público Federal, não geria a carteira de clientes. Sua função, alegou, era estudar o mercado para alavancar os ganhos.
— Eu realmente li todo o processo. E, com todo respeito, para mim foi como ler um livro de ficção científica — argumentou Mirelis.
Fortuna em dispositivo
Uma criptomoeda pode ser guardada em um aparelho sem conexão com a internet, como um pen drive, chamado de “cold wallet” (“carteira fria”, em tradução livre). O acesso ao dispositivo é feito por senha. O de Glaidson está em um cofre da Polícia Federal e, segundo ele, tem dinheiro suficiente para pagar os 77 mil credores.
— A senha, agora de cabeça, eu não sei — disse ele.
Em nota, a defesa de Glaidson afirma que ele é inocente e que a interrupção dos pagamentos da GAS foi fruto de ordem judicial.
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