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Imagens fortes: abordagem e agressões a homem confundido com bandido duraram mais de nove minutos; uma pessoa foi presa

Vítima teve traumatismo craniano, segundo a família. Cláudio vivia em Botafogo com a mãe e duas irmãs. Segundo parentes, ele tinha transtornos psicológicos.

Agência O Globo - 20/08/2026
Imagens fortes: abordagem e agressões a homem confundido com bandido duraram mais de nove minutos; uma pessoa foi presa
Imagens fortes: abordagem e agressões a homem confundido com bandido duraram mais de nove minutos; uma pessoa foi presa - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A abordagem e as agressões contra Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, duraram nove minutos. O crime foi registrado por câmeras de segurança da Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. As imagens mostram a vítima em uma calçada do bairro cercada por dois entregadores e outros dois homens contratados como seguranças. Um deles carregava uma espécie de cassetete. Na madrugada de 12 de agosto, por volta de 1h, Cláudio foi levado por agentes do Corpo de Bombeiros ao Hospital Miguel Couto, onde morreu duas horas depois. Os agressores acreditavam que ele havia roubado uma bicicleta que, na verdade, pertencia à sua irmã. Dois suspeitos de participar das agressões foram identificados e tiveram as prisões temporárias decretadas. Um deles se entregou, nesta quinta-feira, e já está preso.

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Segundo o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.

— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São imagens muito fortes — disse Lages.

Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, saiu de casa, em Botafogo, na noite do último dia 11, para dar uma volta. Perto das 22h30, imagens de câmeras de segurança o mostraram levando a bicicleta de uma das irmãs. No que parecia ser um simples passeio, o homem foi submetido a uma brutal sessão de espancamento, em Copacabana. Segundo a família, Cláudio foi linchado após ser apontado como um suposto ladrão. Ele teria sido abordado por um segurança na altura do número 35 da Rua Barata Ribeiro.

— O segurança perguntou se a bicicleta era dele. Meu irmão não soube se expressar. Só disse que não, em vez de dizer que era da irmã. E o segurança pressupôs que meu irmão era bandido e que a bicicleta era roubada. O vigilante disse que só deixaria meu irmão ir embora quando o dono chegasse, o que não aconteceu. Depois, chegaram outros indivíduos e o levaram para outra rua — diz Fabiana Motta Landeiro Hansen, de 25 anos, uma das irmãs.

Justiçamento:

A Polícia Civil informa que a 12ª DP (Copacabana) investiga o caso. Dois dos quatro suspeitos já foram identificados. A mãe e uma das irmãs da vítima prestaram depoimento na segunda-feira, assim como o segurança envolvido. Ele disse ter desferido um soco em Cláudio para que ele largasse a bicicleta. Após a primeira agressão, entregadores teriam levado o homem para a Rua Felipe de Oliveira, menos movimentada. A Polícia Militar diz não ter sido acionada.

As agressões

Era pouco depois da meia-noite do dia 12 de agosto quando dois homens com mochilas de delivery abordam Cláudio, que está sentado no degrau de um edifício. Os homens, com celulares nas mãos, chegam perto da vítima e trocam palavras. À meia-noite e sete minutos, um deles, que está de touca, aproxima-se de Cláudio. Neste momento, o homem com um cassetete nas mãos e o que usa outra mochila de entrega também se movimentam para começar a agredi-lo. A vítima levanta as mãos e passa correndo entre os agressores. Neste momento, é segurada e agredida pelo agressor com um objeto nas mãos.

Cláudio tenta se desvencilhar. Ele é, então, segurado e toma pancadas na cabeça. Um ciclista passa no momento e, na calçada, aborda um dos agressores. Enquanto isso, os entregadores continuam a agredir a vítima, que está no chão. Uma quarta pessoa chega e se aproxima. Três minutos e trinta após o início das agressões, a vítima perde as forças, mas continua a ser imobilizada. Em seguida, ele desmaia. Os agressores, então, recolhem suas bicicletas, uma elétrica e outra mecânica, e vão embora. O homem com o cassetete dá um chute na cabeça da vítima já desmaiada e mexe em seu corpo. Quando os homens vão embora, Cláudio volta a se movimentar, e o homem com um cassetete desfere outro golpe.

Apontado como um dos dois seguranças que prestavam serviços para o comércio, Jorge Ricardo seria o quarto a chegar na cena do crime e não teria participado diretamente da agressão contra Cláudio Rafael. Ele, no entanto, teria retirado do local a bicicleta que o rapaz usava e que pertence à irmã da vítima. Segundo a polícia, Cláudio foi abordado inicialmente na Rua Barata Ribeiro, quando estacionou a bicicleta. A atitude acabou chamando a atenção de seguranças. Um deles, identificado como Davi Santos Machado, abordou o rapaz. Por ter transtornos psicológicos, a vítima não conseguiu explicar que a bicicleta era da própria irmã. Neste momento, Jorge Ricardo pegou o veículo e Cláudio tentou segurar a bicicleta, sendo agredido pela primeira vez com um golpe de porrete desferido por Davi.

Traumatismo craniano

Familiares dizem que traumatismo craniano, hemorragia interna e lesões no abdômen estão entre as causas da morte. Cláudio vivia em Botafogo com a mãe e duas irmãs. Segundo parentes, ele tinha transtornos psicológicos e comportamento fechado.

— Meu irmão era um homem bom, de coração puro, quieto e mal falava. Não perturbava ninguém. Só saiu para dar os passeios dele de bicicleta, como sempre fazia. Ele era extremamente conhecido onde moramos e era muito querido por todos. Era chamado pelo apelido desde criança, Bart, personagem dos Simpsons, com jeitinho parecido — descreve Fabiana. — Estamos desoladas e queremos justiça. Espero que a polícia faça toda a investigação e puna todos os responsáveis por essa atrocidade.