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Vai fazer passeio de helicóptero? O que verificar antes de voar para ver pontos turísticos no Rio

Rio tem uma média mensal de 6.771 passageiros para esses serviços, o que equivale a cerca de 223 passageiros por dia

Agência O Globo - 10/08/2026
Vai fazer passeio de helicóptero? O que verificar antes de voar para ver pontos turísticos no Rio
helicoptero

Após um helicóptero cair e deixar quatro mortos no último sábado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Prefeitura do Rio discutem quais medidas serão tomadas em relação ao serviço de voo panorâmico na cidade. Segundo a Anac, os documentos da empresa responsável pelo helicóptero estavam em dia. Mas nem todo mundo sabe como verificar se uma aeronave está em situação regular para realizar o serviço de turismo, que movimenta milhares de passageiros por mês. Quem procura esse tipo de passeio pode tomar algumas medidas de segurança para verificar se a aeronave em que vai voar está em condições de operar. Saiba o que conferir antes de embarcar.

Figura marcante de desfiles:

Cenipa apura causas:

Prefixo da aeronave

Antes de voar, é importante confirmar com a empresa que vai realizar o serviço o prefixo da aeronave que fará o passeio. A informação costuma ter o formato de duas letras, seguidas por hífen e mais três letras. Exemplo: AA-XXX. Com o prefixo em mãos, consulte o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), no site da Anac:

No site, é possível verificar:

modelo do helicóptero;

situação da aeronave;

operador;

se está autorizada para Serviço Aéreo Especializado (SAE);

Se a aeronave estiver em "SITUAÇÃO NORMAL", significa que ela está sem restrições administrativas graves atreladas ao seu cadastro feito com os órgãos competentes.

No mesmo lugar também é possível verificar a validade do Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA). É esse documento que atesta que a inspeção de verificação foi concluída com resultado favorável e que a operação regular da aeronave está permitida até a data limite informada, ou seja, em condições de operar com segurança. Logo nas primeiras informações da aeronave, há um campo que mostra a validade do CVA, verifique se ele ainda está dentro do prazo.

Identificação da aeronave

De acordo com a Anac, todas as aeronaves que realizam voos panorâmicos devem estar identificadas como “VOO PANORÂMICO” em sua estrutura. Essa é uma verificação importante de ser feita presencialmente antes do embarque.

Briefing de segurança

Também antes de embarcar, verifique se a equipe da empresa responsável pelo passeio realiza um briefing de segurança e explica como colocar e ajustar o cinto; como será o embarque e o desembarque; onde guardar objetos; quais itens não podem ser levados; e quais são os procedimentos em caso de emergência.

Voo turístico

Na capital, o mercado desse serviço movimenta diversas empresas e atrai centenas de turistas. Só entre outubro e dezembro de 2025, foram registrados 31.759 voos panorâmicos na cidade. Levantamento feito pela Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio de Janeiro (Aotherj) indica que o Rio tem uma média de 70 voos panorâmicos por dia.

De acordo com a associação, o Rio tem uma média mensal de 6.771 passageiros para esses serviços, o que equivale a cerca de 223 passageiros por dia. O mês de maior movimento é fevereiro, durante o Carnaval.

Segundo a Anac, o voo panorâmico tem como objetivo proporcionar passeio aéreo turístico ao público e deve ser realizado em equipamentos devidamente certificados e por pessoal habilitado. Por obrigatoriedade, o serviço deve decolar e pousar no mesmo ponto, sem paradas intermediárias.

Para realizar o serviço, as empresas devem possuir o Certificado de Operador Aéreo (COA) e as Especificações Operativas (EO), nas quais constam as autorizações para cada tipo de serviço.

No Rio, as empresas utilizam dois principais pontos de saída: helipontos na Zona Sul, como os da Lagoa e o da Urca, que fica no alto do Parque Bondinho Pão de Açúcar, e o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca. Os passeios duram entre 30 e 45 minutos e têm rotas predefinidas, algumas com possibilidade de alterações no trajeto para proporcionar a visão de um ponto turístico de interesse.

Os valores podem variar de R$ 640 por pessoa, em um voo mais simples, de menos de 10 minutos, a R$ 3.710, em um passeio de 60 minutos.

As rotas costumam passar pelo Cristo Redentor, Arpoador, praias da Barra da Tijuca, Jardim botânico , Jóquei brasileiro, Copacabana, Leme, Gávea, Vidigal, Floresta da Tijuca, São Conrado, Lagoa Rodrigo de Freitas e Rocinha.

Tragédia no sábado

O acidente deste sábado aconteceu durante uma viagem em família para comemorar os 15 anos de uma adolescente. As turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, morreram na queda de um helicóptero em uma área de mata nas imediações da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Com elas estava o piloto Alessandro Rocha, que também morreu no acidente. Ele acumulava 20 anos de experiência como instrutor de ultraleves e helicópteros.

As três turistas estavam no Rio com outros três familiares. O grupo de seis pessoas chegou à cidade na última segunda-feira e se dividiu para o voo panorâmico. No hangar, ficaram Victor Manrique, filho de Rocio e irmão de Wendy; Daniela Castañeda, nora; e Laura Manrique, neta e aniversariante. Eles fariam o passeio no voo seguinte, quando o helicóptero retornasse.

Sobre as investigações, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), informou, por meio de nota, que já iniciou os trabalhos para investigar as causas do acidente. A avaliação começou no próprio sábado . Veja o que diz a entidade sobre os procedimentos de apuração:

"Investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes. Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes e, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências."