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Família de vítimas de acidente de helicóptero cobra investigação e responsabilização pela tragédia

Causas, que ainda são desconhecidas, estão sob investigação do Cenipa

Agência O Globo - 10/08/2026
Família de vítimas de acidente de helicóptero cobra investigação e responsabilização pela tragédia
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Dia dos Pais foi de profunda tristeza para os filhos do piloto Alessandro Rocha, uma das vítimas da queda de helicóptero que também ceifou as vidas das colombianas Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, durante um voo panorâmico. O acidente deixou consternados os parentes que as acompanhavam na viagem. A família estava no Rio para comemorar os 15 anos de Laura Manrique, que embarcaria em seguida no mesmo helicóptero.

Victor Manrique, filho de Rocío, cobrou uma investigação sobre as circunstâncias do acidente e a eventual responsabilização pelo ocorrido. Para ele, o caso não pode terminar com o retorno da família à Colômbia.

'Perdi metade da minha família':

‘Eu achava que meu pai ia viver para sempre’:

— Quando existe um acidente, sempre é necessário investigar responsabilidades. Eu sei que a aviação é uma área muito regulamentada e, por isso, deve haver responsabilidades — disse o colombiano. — Não quero pensar que vão simplesmente me entregar os corpos da minha família, que eu vou levá-los para a Colômbia e, depois de alguns dias, não vai acontecer nada, todos vão esquecer, e as pessoas vão continuar operando com as mesmas regras ou da mesma forma.

Exames de DNA

Victor Manrique esteve no Instituto Médico-Legal (IML) com a mulher e a filha para acompanhar os procedimentos de identificação dos corpos. Como as vítimas foram encontradas carbonizadas, a análise seria pela arcada dentária. Contudo, segundo a advogada da família, apenas Sofia teria documentação odontológica disponível para comparação. Rocío e Wendy poderão precisar passar por exames de DNA.

Nas redes sociais, Victor Manrique, filho de Rocío, escreveu uma despedida emocionante: “A última viagem de metade da minha família. (Dou) graças a Deus, por permitir que minha família soubesse o quão belo é este mundo e agora lhe dá a oportunidade de conhecer a beleza do paraíso. Minha irmãzinha, minha mãe e minha sobrinha, sempre as amarei nesta vida e na próxima”.

Casos de intolerância

A emoção também tomou conta da família do piloto. O filho Sven Rocha contou que os dois comemoraram o Dia dos Pais dois dias antes do acidente e que, no sábado, ao assistir pela TV à notícia sobre a queda de um helicóptero, imaginou que poderia tê-lo perdido.

— Eu achava que meu pai ia viver para sempre. Não idealizando algo, mas meu pai era uma pessoa muito viva. Essa é a maior definição dele: vida, alegria. E ele amava o que fazia.

Em menos de dois meses, dez pessoas já morreram em dois acidentes de helicóptero no Rio. Em junho, duas aeronaves se chocaram e caíram no Recreio, deixando seis mortos.

No dia seguinte ao acidente, no Aeroporto de Jacarepaguá, o guichê da empresa Voos Rio Panorâmico, responsável pela aeronave que sofreu a queda no sábado, estava fechado, mas outras empresas operavam normalmente.

O helicóptero é um Robinson R44. Na aeronave havia uma câmera acoplada usada para filmar o passeio panorâmico e que pode ter flagrado o que aconteceu. O equipamento será periciado.

Somente a investigação poderá identificar o motivo do acidente, segundo ressaltou o perito aeronáutico Daniel Calazans. Na prática, diz, nada pode ser descartado.

— Esse modelo é muito seguro. Um defeito de fabricação é uma possibilidade remota. Num voo desses, há várias hipóteses. Até mesmo uma análise errada das condições climáticas, como direção dos ventos e a umidade do ar, podem influir para um acidente — afirma.

Suporte a parentes

Representante da Voos Rio Panorâmico (VRP), Eliane Ambrósio esteve no IML e informou que os voos foram suspensos no momento em que souberam do acidente.

— É uma dor terrível, nada vai compensar essa perda, mas nossa principal preocupação neste momento é acolher a família, dar todo o suporte possível e fazer com que eles não se sintam desamparados — disse Eliane.

Vidigal e Rocinha estão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que os certificados da empresa estavam em dia. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apura o que causou o acidente. Até o momento, não há informações sobre os motivos da queda. Ontem, a representante da VRP reiterou que a empresa colaborará com as investigações.

No sábado, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a suspensão temporária dos voos panorâmicos pela Anac enquanto as causas do acidente são investigadas. Já a Anac informou que pretende atuar em conjunto com a Prefeitura para melhorar a fiscalização. O prefeito e a Anac não voltaram a se manifestar.