RJ em Foco
Projeto da Cedae leva capacitação a mulheres da Baixada Fluminense
Iniciativa já beneficiou cerca de 250 moradoras de Nova Iguaçu e Duque de Caxias
Lançado há dois anos pela Cedae, o projeto CRIAção promove a capacitação de moradoras da Baixada Fluminense. Focado em mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica de comunidades no entorno das obras do Novo Guandu, o programa oferece cursos e oficinas de artesanato e empreendedorismo.
Até poucos meses atrás, Carmen Lúcia Moura, de 55 anos, nunca tinha usado uma máquina de costura. Mãe de dois filhos e avó de dois netos, a moradora do Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu, viu no curso gratuito de artesanato e empreendedorismo oferecido pela companhia de abastecimento de água e esgoto a oportunidade de aprender novas habilidades. Agora, comemora cada peça concluída e já vê o artesanato se transformar em renda.
— Eu não sabia fazer nada. Nem sentar na cadeira e colocar o pé no pedal da máquina. No começo fiquei com medo, mas a professora teve muita calma e paciência. Hoje eu vejo que nunca é tarde para aprender. A gente descobre que é capaz de fazer muito mais do que imaginava — conta Carmen, uma das 250 mulheres atendidas pelo Projeto CriAção, lançado pela Cedae em 2024.
As atividades do projeto são planejadas e conduzidas por uma equipe formada por assistentes e técnicas sociais, instrutores e consultores de empreendedorismo. As participantes são mobilizadas pela equipe da Cedae em parceria com lideranças comunitárias, instituições locais e órgãos públicos.
Atualmente, a iniciativa oferece o curso de confecção de bolsas em patchwork e workshops de produção de velas e sabonetes artesanais. Além das aulas práticas, as alunas recebem orientação sobre precificação, planejamento do negócio, divulgação, atendimento ao cliente e organização financeira, para que possam transformar o aprendizado em fonte de renda.
— O CriAção nasceu para ampliar oportunidades. Muitas mulheres chegam ao projeto enfrentando dificuldades para entrar no mercado de trabalho, conciliando sozinhas os cuidados com a casa e os filhos e, muitas vezes, sem perspectivas de geração de renda. Quando elas descobrem novas habilidades, passam a acreditar no próprio potencial e percebem que podem empreender. Isso se reflete na forma como enxergam o futuro — explica Miriam Miranda, assistente social da Cedae.
Desenvolvido nas comunidades de Lagoinha, Prados Verdes, Km 32, Jardim Paraíso, Jardim Guandu e Marapicu, em Nova Iguaçu, além de Xerém, em Duque de Caxias, o projeto vai além da qualificação profissional. Para muitas dessas mulheres, representa também um espaço de convivência, troca de experiências e fortalecimento da autoestima.
É o caso de Denise Ferreira, de 55 anos, moradora do Jardim Paraíso. Depois de participar das oficinas de sabonetes artesanais, ela decidiu se aventurar na costura pela primeira vez.
— Eu achei que, na minha idade, seria muito difícil aprender uma coisa nova. Mas a equipe incentiva a gente o tempo todo. Eu me sinto realizada e já estou começando a ganhar dinheiro com o que aprendi — afirma.
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