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Colombiano que perdeu mãe, irmã e sobrinha em queda de helicóptero afirma: 'Deveríamos ter ido juntos'
Família das turistas mortas no acidente na Vista Chinesa esteve no IML neste domingo (9) para acompanhar os procedimentos de identificação dos corpos e cobrar investigações.
O colombiano Victor Manrique esteve no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, na manhã deste domingo (9), com a mulher e a filha, para acompanhar os procedimentos de identificação dos corpos de três familiares mortas na queda de um helicóptero, no Alto da Boa Vista, no sábado (8). Rocio Cubillos, de 59 anos, mãe de Victor; Wendy Manrique, de 37, irmã dele; e Sofia Murillo, de 17, sobrinha do colombiano, estavam na aeronave que caiu em uma área de mata. O piloto Alessandro Rocha também morreu.
"Perdi metade da minha família":
Em entrevista no IML, Victor falou sobre a perda das três familiares e afirmou que a família deveria estar reunida no passeio. Os seis chegaram juntos ao Aeroporto de Jacarepaguá. Victor contou que havia se atrasado ainda no hotel, mas chegou ao aeroporto com os demais familiares. Como o helicóptero faria mais de um voo, Rocio, Wendy e Sofia embarcaram primeiro, enquanto Victor, a mulher e a filha aguardavam o retorno da aeronave.
— Éramos uma família muito feliz. A vida tem momentos agradáveis e também momentos difíceis, mas éramos felizes. Espero que elas, no seu último dia, tenham vivido momentos de felicidade — diz Victor Manrique.
Segundo ele, o passeio de helicóptero seria uma das últimas atividades da família antes da volta para a Colômbia. Ao falar sobre a perda das três parentes, Victor lamentou especialmente a morte da sobrinha, de 17 anos.
— Dói porque eram muito jovens, especialmente minha sobrinha. Dói muito por ela, pela minha irmã e pela minha mãe. Mas dói muito pela minha sobrinha, que era uma menina de 17 anos, muito estudiosa, muito trabalhadora. E dói porque nós deveríamos ter ido naquele helicóptero — conta Victor Manrique.
O colombiano contou que a família usou as últimas economias da viagem para pagar pelo passeio. Como o dinheiro não foi suficiente, parte do valor precisou ser paga no cartão de crédito.
— Uma parte do passeio foi paga com nossas últimas economias e, como não foi suficiente, tivemos que pagar outra parte no cartão de crédito. Era o último passeio que faríamos. Depois disso, voltaríamos para a Colômbia na segunda-feira — diz Victor.
A família de seis colombianos chegou ao Rio na última segunda-feira (3) para comemorar os 15 anos de Laura Manrique, filha de Victor. O grupo contratou um passeio panorâmico de helicóptero por R$ 4,4 mil. A empresa foi encontrada pelas redes sociais, e o passeio foi contratado por aplicativo de mensagens.
A aeronave decolou por volta das 10h40 de sábado. Enquanto aguardava o retorno do helicóptero, Victor chegou a trocar mensagens com os familiares. Em determinado momento, Wendy parou de responder.
Victor contou ainda que ouviu funcionários comentarem que o piloto precisaria fazer um pouso de emergência. Cerca de uma hora depois, soube da queda por sites de notícias e procurou jornalistas brasileiros que estavam no aeroporto para confirmar a morte das parentes.
A viagem havia sido planejada para celebrar os 15 anos de Laura. As fotografias compartilhadas pela família mostram os seis juntos durante a passagem pelo Rio.
Família cobra investigação
Victor, a mulher e a filha estiveram no Instituto Médico-Legal (IML) na manhã deste domingo para acompanhar os procedimentos relacionados às vítimas. Os corpos das três colombianas ainda não haviam sido periciados.
Como as vítimas foram encontradas carbonizadas, a identificação das mesmas está dificultada. Segundo a advogada da família, apenas Sofia teria documentação odontológica disponível para comparação. Rocio e Wendy poderão precisar passar por exames de DNA. Outros familiares devem chegar ao Brasil com documentos que poderão auxiliar no trabalho de identificação. Rocio era mãe de Victor e Wendy, além de avó de Sofia.
Além de acompanhar os procedimentos para identificação e liberação dos corpos, Victor cobra uma investigação sobre as circunstâncias do acidente e a eventual responsabilização pelo ocorrido. Para ele, o caso não pode terminar com a liberação dos corpos e o retorno da família à Colômbia.
— Quando existe um acidente, sempre é necessário investigar responsabilidades. Eu sei que a aviação é uma área muito regulamentada e, por isso, deve haver responsabilidades. Não quero pensar que vão simplesmente me entregar os corpos da minha família, que eu vou levá-los para a Colômbia e, depois de alguns dias, não vai acontecer nada, todo mundo vai esquecer e as pessoas vão continuar operando com as mesmas regras ou da mesma forma que antes — afirma.
O acidente
O helicóptero Robinson R44, operado pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda., caiu na manhã de sábado em uma área de mata de difícil acesso próxima à Vista Chinesa. Além das três turistas colombianas, morreu o piloto Alessandro Rocha.
Levantamento:
A aeronave havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá e estava autorizada a realizar voos panorâmicos. Segundo o registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o certificado de aeronavegabilidade era válido até 5 de junho de 2027.
Os quatro corpos foram encontrados carbonizados. A retirada mobilizou cerca de 40 militares do Corpo de Bombeiros. Por causa das características do terreno, os corpos foram içados e transportados por uma tirolesa até um ponto de acesso mais fácil e, depois, encaminhados ao IML.
A Polícia Civil realizou a perícia no local da queda. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investiga as causas do acidente. Ainda não há informações sobre o que provocou a queda.
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