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LECD, SV, SR e outras siglas: entenda o significado da 'sopa de letrinhas' dos ônibus do Rio

Hoje, um terço das 433 linhas cadastradas na cidade tem identificação alfanumérica.

Agência O Globo - 02/08/2026
LECD, SV, SR e outras siglas: entenda o significado da 'sopa de letrinhas' dos ônibus do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para quem utiliza, nunca houve muito mistério. Três dígitos identificam cada linha de ônibus do Rio — quatro, no caso de um modelo frescão, de tarifa mais elevada. Contudo, recentemente, siglas desconhecidas pela maioria dos passageiros foram incorporadas aos números. A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) é a responsável pela atualização deste sistema, que visa reorganizar as linhas disponíveis. No entanto, aos usuários, resta esperar por um glossário para evitar confusões em suas viagens. Atualmente, um terço das 433 linhas registradas na cidade traz letras adicionais acompanhadas dos números.

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'Só pensava em Deus e na minha família. Foi assustador.'

Um dos componentes mais recentes dessa mistura é a LECD: Linha Experimental de Coleta de Dados. Essa sigla foi adotada pela prefeitura para identificar, em seu sistema e nos validadores do Jaé, as linhas recém-criadas. Esses trajetos passam por um período de testes — de 180 dias, renováveis por igual período — durante o qual são coletadas informações sobre a demanda. Uma vez aprovada, a nova linha será identificada com os tradicionais três dígitos.

Siglas temporárias

No dia a dia, pode levar um tempo para que o passageiro se familiarize com a nova nomenclatura. No final do ano passado, foi criada a LECD 129 (Central—Alvorada, via Túnel Santa Bárbara) para suprir a linha 309, que também ligava os dois terminais. A linha mais antiga foi retirada de circulação em janeiro deste ano, quando a empresa responsável por ela, a Real Auto Ônibus, foi lacrada pela prefeitura.

— Eu mesmo já atendi 40 passageiros que estavam esperando o 309 — relata o despachante da então LECD 129. — No início, o pessoal ficou confuso, mas agora já entendeu.

Entretanto, nem a LECD 129 nem a 309 estão mais em circulação: a linha agora é a 319, que conta com um serviço variante — a SV 319, que inclui o trajeto pela Praia do Flamengo.

Na região de Vila Isabel, houve uma multiplicação de serviços experimentais, criados para substituir as linhas que foram retiradas de operação. As LECDs 150 (Grajaú—Siqueira Campos), 154 (Grajaú—Leblon) e 155 (Grajaú—Gamboa) foram criadas para suprir as linhas 433, 439 e 222, respectivamente.

Essa abreviação também é utilizada quando uma linha existente tem seu trajeto estendido ou encurtado. Em junho, por exemplo, a linha 435, que ia até a Gávea, foi transformada em LECD 151 (Grajaú—Antero de Quental). Segundo a SMTR, essa ação busca avaliar se isso tornará a linha mais ágil e com intervalos menores, livrando-a do engarrafamento que enfrentava entre Leblon e Gávea, trecho que, segundo a pasta, já possui cobertura de outros serviços.

— No primeiro dia foi bem confuso, pois os passageiros estavam esperando o 435, que não passava — recorda Sandra Gomes, atendente de farmácia, que ainda reclama dos intervalos. — Depois das 22h, o próximo ônibus só vai passar para lá para 22h40.

Outra sigla temporária, a SE (serviço excepcional), indica quando a linha tem o trajeto alterado temporariamente. Exemplos recentes incluem as mudanças durante o réveillon e o show de Shakira, em que linhas do Centro foram estendidas até Copacabana para atender o público dos eventos. Nessa configuração, o 232 (Lins—Castelo) circulou como SE 232 (Lins—Copacabana).

SV, SP e SR: o que são

Os tradicionais “expressos” hoje são chamados de SR (serviço rápido). Na Avenida Brasil, essa modalidade é a que utiliza a pista seletiva, enquanto as linhas comuns avançam pela pista lateral. Há ainda o SP (serviço parcial), quando o trajeto original não é percorrido em sua totalidade. A linha 918 (Bangu—Bonsucesso) possui uma SP 918 (Bangu—Deodoro), enquanto a 265 (Marechal Hermes—Castelo) tem a SP 265 (Marechal Hermes—Gentileza).

Classificam-se como SP também aquelas linhas que, durante o horário de pico, saem de pontos com alta demanda. Por exemplo, a 343 (Jardim Oceânico—Candelária) conta com uma SP que parte de Rio das Pedras pela manhã.

Durante a noite, a vez é do SN. Os serviços noturnos precisam ser identificados, uma vez que algumas rotas são alteradas. No Centro, as linhas SN são estendidas até a Lapa, enquanto na Ilha do Governador chegam até o Galeão.

É importante não se perder: existe ainda o SV (serviço variante). A sigla indica que aquele ônibus possui uma pequena alteração no trajeto original. Um exemplo é a linha 606 (Engenho de Dentro—Gentileza), que percorre toda a Rua Dias da Cruz, no Méier. Seu SV desvia dessa rua em certo trecho para atender os moradores do Lins.

A prefeitura ainda pode determinar a utilização da sigla, como ocorreu com a linha 483 (General Osório—Penha). Neste ano, sua variante — via Parque União — passou a circular como SV 483. De acordo com a SMTR, sem essa indicação no letreiro, os passageiros poderiam escolher o ônibus errado.

Quando a linha possui mais de uma variante, o abecedário entra em cena novamente. Podem ser adotadas as letras “A”, “B” e “C”, como no caso da 665 (Saens Peña—Pavuna): a SVA vai pelo Parque Colúmbia, enquanto a SVB passa por Costa Barros.

Até mesmo os serviços que atualmente utilizam letras podem ser transformados em linhas definitivas, mesmo que ainda estejam operando em caráter experimental. Isso ocorreu no ano passado, quando a SV 779 foi rebatizada. O trajeto diferia da linha 779 “raiz” (Madureira—Pavuna), pois percorria a Rua Marina, em Bento Ribeiro. Por isso, a SV foi rebatizada como linha 780, sem a sigla. Essa alteração pode ocorrer se o trajeto diferir significativamente da linha original ou se a oferta de ônibus for excessiva, causando confusão aos usuários.

No início da década de 2010, linhas com versões via Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá e via Linha Amarela receberam numerações diferentes. Naquela época, estabeleceu-se que os ônibus entre o Centro e a atual Zona Sudoeste teriam números iniciados em “3”: o caso da 268 (hoje Candelária—Riocentro), que gerou as linhas 348 (que faz o trajeto via Linha Amarela) e 368 (via autoestrada).

Troncal ou Integrada

Nessa mesma época, também foram criadas linhas Troncal (TRO) e Integrada (INT), conectando a Zona Sul ao Centro e à Zona Sudoeste, respectivamente. Contudo, essa nomenclatura vem perdendo espaço. Há cerca de três anos, foi determinado que esses serviços apresentassem duas numerações: TRO ou INT, junto ao número de três dígitos cadastrado na SMTR, após a pasta perceber que aplicativos usados por passageiros para consultar a chegada dos ônibus utilizavam os números, em vez das siglas.

Dessa forma, a TRO 7 (Central—Cosme Velho) passou a exibir 117 no visor, enquanto a INT 8 (Recreio—Rio Sul) mostrou 553. A TRO 9, que ficou um tempo sem operar, ao retornar, voltou apenas como 109 (São Conrado—Gentileza).

A TRO 1 (Central—General Osório) foi rebatizada como 100, mas muitos coletivos ainda exibem a numeração anterior.

— É a antiga 125. Passou para 100, e o pessoal já sabe que vai para o Centro, tanto que esses ônibus sempre estão lotados — comenta o motorista Alan Fernandes, que dirigia um ônibus com as numerações 100 e 125.

A empresa será oficiada a alternar apenas entre TRO1 e 100, sem menção ao número antigo. A SMTR ainda explica que as siglas TRO e INT devem ser utilizadas por mais alguns anos, sendo que, posteriormente, aos poucos, serão substituídas definitivamente pelo número de três dígitos — ou por alguma nova expressão a ser criada.

LECD, SP, SR, SV, TRO, INT: o glossário com os significados das siglas

LECD: Linha Experimental de Coleta de Dados. Linha nova ou que teve seu trajeto alterado.

SE: Serviço Excepcional. Ônibus que foram desviados para Copacabana durante o réveillon, por exemplo.

SN: Serviço Noturno. Opera no final da noite e de madrugada. No Centro, vai até a Lapa; na Ilha do Governador, ao Galeão.

SP: Serviço Parcial. Quando o ônibus percorre apenas parte do trajeto da linha original.

SR: Serviço Rápido. Também conhecido como “Expresso”.

SV: Serviço Variante. Quando se diferencia do trajeto original em um trecho da viagem.

TRO e INT: Troncal e Integrada. Nomenclaturas para linhas que partem da Zona Sul para o Centro e para a Zona Sudoeste, respectivamente.