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Conheça as histórias dos três mortos pelo vendaval no Rio: advogado que trocou os tribunais pelo mar, futuro pai e ex-jogador

Advogado que voltou ao Rio para consertar o barco onde morava, produtor que esperava o nascimento do primeiro filho e ex-atacante que manteve o futebol como paixão tiveram suas histórias interrompidas pela ventania que atingiu o estado na quarta-feira

Agência O Globo - 01/08/2026
Conheça as histórias dos três mortos pelo vendaval no Rio: advogado que trocou os tribunais pelo mar, futuro pai e ex-jogador
Conheça as histórias dos três mortos pelo vendaval no Rio: advogado que trocou os tribunais pelo mar, futuro pai e ex-jogador - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O vendaval que atingiu o estado do Rio na última quarta-feira deixou um rastro de destruição, milhares de imóveis sem energia elétrica e três mortos. As vítimas tinham histórias distintas, mas compartilharam projetos interrompidos de forma repentina: um advogado que abandonou a carreira para viver no mar, um produtor que contou os dias para conhecer o primeiro filho e um ex-jogador de futebol que seguiu cercado por amigos e pelo esporte mesmo após pendurados nas chuteiras.

Alerta tardio:

Entre o trauma eo alívio:

Os três morreram em situações diferentes provocadas pela força dos ventos. Em Paraty, na Costa Verde, o advogado aposentado Celsom Costa Júnior parou após sair para verificar o barco onde morava. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte. Já em Santa Teresa, na Zona Central do Rio, Vandré Cordeiro e Tassio Maia morreram depois de serem atingidos pelo desabamento de um muro enquanto tentavam fechar um portão aberto pela ventania.

Celsom: sonho de trocar a advocacia pelo mar

O sonho nasceu ainda na infância, quando Celsom Costa Júnior viu o pai dirigir uma embarcação pelo Rio Guaíba, em Porto Alegre. Décadas depois, transformou aquela lembrança em lembrança um novo projeto de vida. Há cerca de sete anos, aposentou-se da advocacia para morar a bordo do Avalon, uma traineira que ele próprio desenhou e ajudou a construir.

Natural da capital gaúcha, percorreu a costa brasileira passando por Santa Catarina, Paraná e São Paulo até fixar residência em Paraty, onde vivia havia cerca de dois anos.

Segundo, Celsom passou os últimos dias ao lado da mãe e dos dois familiares em Porto Alegre. No domingo, voltei ao Rio depois de ser avisado sobre um vazamento no Avalon. A intenção era fazer os reparos e seguir sua rotina vivendo no mar.

Na quarta-feira, durante a ventania, desapareceu. O corpo foi encontrado na manhã seguinte pelos bombeiros, na Praia de Tarituba.

Para a tia, Luana Jardim, a principal marca deixada por Celsom foi a facilidade em criar laços por onde passava.

— Era uma pessoa ímpar, amada por todos. Aonde eu faria amigos para a vida. Cada partida era um chororô, porque todos queriam estar ao lado dele.

Vandré: espera pelo primeiro filho

Em Santa Teresa, a ventania interrompeu um momento especialmente aguardado por Vandré Cordeiro. Aos 43 anos, ele vivia a expectativa pelo nascimento de Benício , seu primeiro filho, previsto para os próximos dias.

Descrito pelos familiares como um homem agregador, Vandré era apaixonado pelo Fluminense, tocava cavaquinho nas horas vagas e era conhecido por estar sempre disposto a ajudar.

— O Vandré era unanimidade. Sempre extrovertido, muito família, muito amigo. Era um suporte para todos nós. Sabia a hora de ser racional e a hora de ser emocional. Sempre faz qualquer ambiente ficar mais leve — contorno a prima Juliana Cordeiro.

Vandré trabalhava na Mansão Alvite, em Santa Teresa. Segundo testemunhas, ele e colegas tentaram fechar um portão de ferro que havia sido aberto pela força do vento quando o muro desabou sobre a calçada.

Tassio: vida ligada ao futebol

Ao lado de Vandré estava o amigo de infância Tassio Maia dos Santos. Os dois cresceram no mesmo condomínio e mantinham uma amizade construída desde crianças.

Tassio fez carreira como jogador profissional. Revelado pelo São Cristóvão, atuoso entre 2002 e 2019 e ganhou projeção ao defensor do Botafogo em 2015.

Mesmo após encerrar a carreira, continua próximo ao esporte. Em suas redes sociais, compartilhava registros ao lado de nomes como Ronaldo, Romário, Vinicius Júnior e Roberto Firmino , além de reencontros com antigos companheiros.

Depois de deixar os gramados, passei a trabalhar na Mansão Alvite, onde também estava na tarde da tragédia.

Vandré e Tassio morreram lado a lado, tentando conter os efeitos da ventania. Familiares e amigos lembram da dupla como inseparáveis ​​também fora do trabalho: companheiros de infância, seguiram juntos pela vida até os últimos instantes.