RJ em Foco
Por que o metrô e os trens pararam de funcionar durante vendaval no Rio? Entenda
Interrupção começou com curto-circuito na rede elétrica de subestação que abastece a Light e chega nas concessionárias de transporte
O apagão que suspendeu a circulação de trens, do metrô e do VLT nesta quarta-feira teve início na subestação do Grajaú, da Axia Energia (antiga Eletrobras), que atende o Centro, a Zona Sul e parte da Zona Norte. De acordo com a empresa, a ventania provocou um curto-circuito. O desligamento foi às 16h25 e, às 16h51, o fornecimento foi retomado. Segundo a Axia, proteções de segurança de duas linhas foram afetadas. Mesmo após a normalização, houve novos cortes de energia em diferentes pontos da cidade devido à queda de árvores em redes elétricas.
Ventania:
'Só pensava em Deus e na minha família'
O sistema de fornecimento de energia elétrica para trens e metrôs funciona da seguinte maneira: a Axia transmite energia em extra-alta tensão para a Light, e a Light, por sua vez, faz a transformação para alta tensão e distribui para as subestações do MetroRio e da TrensRJ - esta última possui cinco subestações; a MetroRio não informou. Depois, nessas subestações próprias, as concessionárias transformam essa energia em média e baixa tensão, abastecendo os diferentes equipamentos e sistemas da operação.
Segundo a Axia, o curto-circuito foi provocado pela ventania, que levantou pedaços de vegetação, atingindo a linha Adrianópolis-Grajaú, da subestação Grajaú. Como medida de segurança, um equipamento que atua na proteção na linha foi acionado e a desligou. Dois segundos depois, outro equipamento de segurança tentou religá-la, o que não aconteceu porque a linha estava em curto-circuito. A equipe técnica realizou, então, a religação pela sala de controle, e restabeleceu a carga que abastece a região. Todo o procedimento, segundo a companhia, está dentro dos protocolos do setor. A linha Adrianópolis-Grajaú abastece o Centro, a Zona Sul e a Tijuca.
A interrupção durou 26 minutos, tempo suficiente para gerar um verdadeiro caos no serviço ferroviário e metroviário da cidade. No metrô, as linhas 1 e 4 ficaram paralisadas por cerca de uma hora. Já a linha 2, só voltou a funcionar por volta das 19h, mais de duas horas depois. Milhares de usuários foram afetados.
Os trens pararam de circular por volta das 16h30 de forma preventiva, de acordo com a TrensRio, e só a partir das 19h houve retorno gradativo dos ramais Santa Cruz, Belford Roxo e Saracuruna. O ramal Japeri foi o mais afetado em função da queda de um poste em Anchieta, na Zona Norte, e de quedas de árvores em Mesquita e Nova Iguaçu, danificando a rede aérea. A concessionária informou que fez viagens extras à 0h44 da madrugada de quinta-feira no trecho entre Central do Brasil x Nova Iguaçu, após a normalização do ramal Japeri.
Segundo o MetroRio, a demora aconteceu porque o tempo de retorno da energia foi maior e, durante a interrupção, houve registro de acesso de passageiros à via em alguns trechos. Equipes da concessionária fizeram o protocolo de evacuação dos trens e uma inspeção nos trilhos para restabelecer a operação. Foram acionados, segundo o MetroRio, o Comitê de Crise e os protocolos de emergência e contingência para coordenar a análise técnica da situação e a atuação das equipes de operação, manutenção, segurança e atendimento ao cliente.
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