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Vera Araújo, repórter do GLOBO, é tema de documentário e homenageada em congresso de jornalismo investigativo

Jornalista revelou a atuação das milícias do Rio de Janeiro e descobriu detalhes cruciais sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco

Agência O Globo - 31/07/2026
Vera Araújo, repórter do GLOBO, é tema de documentário e homenageada em congresso de jornalismo investigativo
Vera Araújo

Vera Araújo

Segredos do crime:

À espera do primeiro filho e com o futebol na memória, Vera participou de uma apresentação nesta quinta-feira (30), no auditório da UNIP. Durante o evento, foi exibido um documentário que retrata a biografia do jornalista, acompanhado de um bate-papo mediado por Catarina Barbosa , diretora da Abraji, e Maiá Menezes , editora-assistente do jornal O Estado de S.Paulo.

Fátima Souza , repórter do SBT e jornalista que revelou a existência do Primeiro Comando da Capital (PCC), também foi homenageada no congresso e participou do bate-papo.

O filme "Inspiração Abraji: Mulheres contra o crime" contém depoimentos, imagens de arquivo e entrevistas sobre a trajetória de Vera e Fátima. A direção executiva do documentário é de Juliana Dal Piva , vice-presidente da Abraji.

A produção revisitou lugares ligados a grandes reportagens publicadas por Vera, como o local em Estácio onde Marielle e Anderson Gomes foram mortos em 2018 e a cobertura do julgamento do caso Henry Borel . Também foram filmados depoimentos em espaços ligados à infância e adolescência do jornalista, em Duque de Caxias, além do início de sua carreira.

Outros membros do GLOBO, como o diretor de redação Alan Gripp e os fotógrafos Márcia Foletto e Domingos Peixoto , também desenvolveram com depoimentos sobre o trabalho de Vera.

Durante o bate-papo após a exibição do documentário, Vera e Fátima responderam a perguntas sobre técnicas de investigação jornalística e revelaram os bastidores de casos de repercussão que cobriram.

— A gente usa a humildade para poder chegar nas pessoas mais simples. Eu costumo ouvir as pessoas falarem: não sei como você conseguiu arrancar algo dessa pessoa. Tem que saber ouvir, observar — disse a repórter do GLOBO.

Trajetória de sucesso

Com 38 anos de carreira, Vera Araújo é formada em jornalismo e direito. Ela foi pioneira ao revelar a expansão e o funcionamento de grupos paramilitares no Rio de Janeiro, relatando como grupos de policiais e ex-policiais assumiram o controle de 42 favelas na Zona Oeste do Rio.

Vera demonstrou como as organizações praticavam uma série de ações criminosas que, décadas depois, ainda fazem parte da realidade dos moradores cariocas. Entre essas práticas, destacam-se a cobrança de “taxas de segurança” e o controle da comercialização e sobretaxação de itens básicos, como botijões de gás. Sua pesquisa rendeu o Prêmio Especial Tim Lopes de Jornalismo Investigativo em 2009.

Além disso, as reportagens publicadas no jornal foram essenciais para elucidar o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco , ocorrido em 2018 no Rio. Vera conseguiu contatar testemunhas oculares do crime que ainda não haviam sido ouvidas pela polícia e também revelou a existência do chamado “Escritório do Crime” , um grupo de matadores de aluguel a serviço de bicheiros e políticos, incluindo Ronnie Lessa , condenado pela morte da vereadora.

A jornalista é coautora do livro "Mataram Marielle" (Editora Intrínseca), finalista do Prêmio Jabuti em 2021 na categoria documentário e biografia. Outro livro de sua autoria, "O Plano Flordelis: Bíblia, filhos e sangue" (Editora Intrínseca), traça a história da ex-deputada Flordelis, condenada pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo.

Ao longo da carreira, Vera também recebeu prêmios como o Imprensa Embratel, o Esso Sudeste e o Mulher Imprensa. Ela foi comentarista nas séries do Globoplay "Vale o Escrito" e "Lei da Selva" , que abordam a guerra do jogo do bicho no Rio. Antes de sua passagem pelo GLOBO, trabalhou no Jornal do Brasil e no O Dia. Desde 2024, é o autor do , onde escreve sobre os bastidores de casos emblemáticos.