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Quiosque na Ilha do Governador tem danos causados pelo vendaval no Rio e lança campanha para reabrir

Proprietário estima prejuízo em mais de R$ 20 mil; referência para a população LGBT local, espaço seguirá fechado até ser reformado

Agência O Globo - 30/07/2026
Quiosque na Ilha do Governador tem danos causados pelo vendaval no Rio e lança campanha para reabrir
Quiosque na Ilha do Governador tem danos causados pelo vendaval no Rio e lança campanha para reabrir - Foto: Reprodução / Instagram

O aviso de que os fortes ventos da tarde de quarta-feira castigavam o quiosque Sunset, na Ilha do Governador, chegou ao proprietário, Byron Teixeira, de 32 anos, através da ligação de um amigo. O telhado não resistira às rajadas. Os solavancos da estrutura o levavam em direção ao céu, forçando cabos de energia e jogando no chão equipamentos. O prejuízo foi avaliado em R$ 22,5 mil, valor que a casa não possui em caixa para iniciar as reformas necessárias.

'Só pensava em Deus e na minha família'.

'Gritavam por socorro'.

Uma das soluções encontradas para reabrir as portas o mais rápido possível é contar com a solidariedade de amigos e clientes, apesar das taxas que precisam ser repassadas para a plataforma.

O quiosque Sunset nasceu da ideia e da vontade de Byron de criar um espaço na Ilha que fosse mais do que um ponto de encontro para a comunidade LGBT. Além de funcionar como um polo de entretenimento, as portas abertas representam um lugar seguro para ser quem se é, independentemente do look. Agora, o espaço que tanto acolhe também precisa ser abraçado pela comunidade.

Foram idas e vindas antes de firmar o ponto na Praia Belo Jardim. O local, número 11, foi alugado em 2019 e passou por reformas durante quase um ano. Logo após a inauguração, veio a pandemia. O espaço foi entregue e o Sunset voltou a iluminá-lo em 2022. Desde então, uma programação voltada para a diversão e entrosamento da população LGBT tem animado o quiosque de terça a domingo.

— Falei que acreditava que daria certo porque a Ilha precisa desse espaço LGBT. Realizamos eventos, festas temáticas, concursos drag, além de promovermos campanhas de saúde e prevenção, bem como ação social, como doação de cestas básicas e apadrinhamento de mais de 100 crianças em uma comunidade vizinha durante o Natal. Mais que um empreendimento, é uma casa de cultura — conta Byron.

'Perdemos tudo'.

Em março do ano passado, o quiosque passou por uma grande reforma, ganhando palco e camarim. O teto, que não resistiu na quarta-feira, havia sido substituído. O local recebe DJs, drags queens e convidados para se apresentarem, diferencial que cativou o público, conforme afirma o proprietário.

Byron busca maneiras de agilizar as reformas para reabrir o espaço o quanto antes. Além de receber artistas cativos, que dependem desse pagamento, há funcionários e despesas que não deixarão de chegar, incluindo o aluguel. Uma alternativa considerada é realizar um evento no teatro da Ilha do Governador, cujo valor dos ingressos seria revertido para as reformas.

— Tentei conversar com o proprietário sobre o que ocorreu. Ele alegou que não pode ajudar, nem abater o aluguel, pois essa é sua única fonte de renda. Estamos nos ajudando como podemos — relata Byron.

Ele também critica a falta de avisos por parte dos órgãos públicos quanto à intensidade dos ventos. Byron menciona que outros quiosques que estavam funcionando na hora enfrentaram prejuízos diversos, como cadeiras e toldos voando, além do risco de ferimentos a clientes e funcionários.

— Estamos cientes das mudanças climáticas e eventos como o El Niño. Acho que foi um exemplo claro. Ninguém esperava, e não fomos avisados. Tivemos um alerta falso da defesa civil, que foi um erro, mas o que realmente danificou boa parte da cidade, não fomos informados. Se soubéssemos que os ventos poderiam ultrapassar 90 km/h, teríamos nos preparado, prendendo a cobertura de alguma forma.