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Falta de luz no Rio começou em curto circuito provocado por ventos em subestação de energia na Zona Norte

Mais de 24h após ventania, moradores de diferentes bairros continuam sem luz; Light informa que mais de 1,1 milhão de clientes foram afetados

Agência O Globo - 30/07/2026
Falta de luz no Rio começou em curto circuito provocado por ventos em subestação de energia na Zona Norte
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Milhares de pessoas continuam sem luz no Rio após a ventania registrada nessa quarta-feira. Os ventos, segundo o Centro de Operações e Resiliência, da prefeitura, alcançaram velocidade superior a 100 km/h, causando queda de árvores, postes, telhados e muros. Em Santa Teresa, no Centro, dois homens morreram após o desabamento de um. Além disso, os ventos impactaram a rede elétrica, primeiro, na subestação da Axia Energia (antiga Eletrobras) no Grajaú, responsável pelo Centro, Zona Sul e parte da Zona Norte. Depois, ocorreram problemas no fornecimento realizado pela Light, que está reconstruindo a rede nos bairros mais afetados.

'Gritavam por socorro':

'Só pensava em Deus e na minha família'

A subestação no Grajaú foi desligada às 16h25, horário no qual foi identificado um curto circuito, e religada às 16h51. A causa, segundo a Axia, foi a ventania: proteções de segurança de duas linhas foram afetadas. A empresa se responsabilizou sobre o impacto na rede elétrica na quarta-feira, mas confirmou que o funcionamento na subestação já foi normalizado.

A falta de luz nesta quinta-feira recai sobre a Light, que afirma estar reconstruindo a rede elétrica de diversos bairros. Os mais impactados, de acordo com a concessionária, são Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, na Zona Oeste; Anchieta e Tijuca, na Zona Norte; Catumbi, na Região Central; Jacarepaguá e Recreio, na Zona Sudoeste. Na Baixada Fluminense, os municípios com trechos mais afetados são Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

A Light informou: "A distribuidora ampliou o número de equipes operacionais atuando nas ruas e mais de 2 mil funcionários estão mobilizados nas atividades, além de intensificar o monitoramento do sistema elétrico para agilizar o atendimento e garantir a recomposição da rede com segurança." Ao menos 220 árvores caíram na cidade do Rio.

1.600 moradores sem luz em condomínio

Localizado na Avenida Marechal Rondon, o condomínio San Francisco Residence ficou 25 horas sem luz. Por lá, moram cerca de 1.600 pessoas, alocadas em 400 apartamentos distribuídos em 18 andares. Jaqueline Cunha, de 41 anos, é uma delas.

— O condomínio entrou em contato com a Light diversas vezes, eu também. Infelizmente, a gente só falou com a Inteligência Artificial da empresa, que responde sempre de forma padrão. Ficamos sem qualquer informação da empresa, sem previsão, até a luz voltar por volta das 18h de hoje — destaca Jaqueline. Ela mora no imóvel com a mãe e a irmã.

A falta de energia interrompeu o funcionamento de elevadores, afetando a locomoção, principalmente daqueles em andares mais elevados. Idosos, crianças de colo e pessoas enfermas, como enfatiza Jaqueline, foram as mais limitadas. O fornecimento de água chegou a ficar em risco.

— São muitos moradores, muitos andares. Então, o síndico chegou a avisar que deveríamos ter cautela com o uso de água. Sem energia, a cisterna não estava sendo alimentada. Ficamos muito preocupados com tudo. A comida já estava descongelando, muitas pessoas ficaram sem bateria, incomunicáveis. Fizemos uso de velas e lanternas — completa.

Dificuldade para armazenar remédio em geladeira

Na Rua General Tasso Fragoso, na Lagoa, um prédio de 20 apartamentos ficou sem luz desde a meia-noite de ontem. A síndica Maria Salgado destacou que os idosos, a maioria no imóvel, ficaram "enclausurados" devido à falta dos elevadores. Além disso, um morador de 84 anos que faz uso de um medicamento avaliado em R$ 150 mil chegou a pedir ajuda aos vizinhos para o armazenamento dele, que depende de uma refrigeração entre 2°C e 8°C.

— Eu devo ter ligado umas 10 vezes para a Light, mas só recebia resposta da Inteligência Artificial. Não conseguimos previsão de nada. A maior parte dos moradores aqui tem entre 60 e 80 anos, não podem ficar sem elevador. É um desgaste muito grande — conta ela.

Maria reforçou também que uma árvore sem poda na Rua Borges de Medeiros costuma afetar a luz do local em dias de vento forte ou chuva. Ela fica próxima ao gerador da rua e, segundo a síndica, só pode ser podada com operadores da Light presentes.

— Eu fiz o pedido à prefeitura há mais de seis meses. Entrei até em contato com a ouvidoria e nada. Me responderam uma única vez dizendo que, como a árvore é vizinha do gerador, a Light precisa mandar alguém para direcionar a ação.