RJ em Foco

Ventania transforma volta para casa em teste de paciência e apreensão: 'É tudo um caos. Todo mundo está com medo'

O túnel Rebouças, que liga à Zona Sul do Rio à Zona Norte, também teve falta de luz no fim da tarde

Agência O Globo - 29/07/2026
Ventania transforma volta para casa em teste de paciência e apreensão: 'É tudo um caos. Todo mundo está com medo'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A ventania que atingiu o Rio na tarde desta quarta-feira provocou desespero entre os passageiros. “Estamos morrendo de medo. Estou preocupada com meu filho, com meu neto. A gente só quer saber a hora que vai conseguir chegar em casa”, desabafou Maria das Graças Abaranga da Silva, funcionária de um escritório do setor de óleo e gás.

Moradora de Belford Roxo, ela ficou parada dentro de uma composição após o sistema interromper a circulação devido aos fortes ventos. Ao lado de colegas que também trabalham em Botafogo, tentava encontrar uma forma de seguir viagem.

Na estação, a falta de informações aumentava a ansiedade. “Parou tudo por causa da ventania. Agora disseram que a luz voltou e vamos tentar seguir”, contou.

A poucos metros dali, Gláucia Nascimento Archer, de 61 anos, também tentava reorganizar a volta para casa. Moradora da Tijuca e funcionária da área de previdência, ela chegou à estação sem saber que o metrô havia parado e já fazia planos para trocar os trilhos pelo ônibus.

“É tudo um caos. Todo mundo está com medo do vento, do que ele pode causar, e agora o transporte também virou um problema”, disse. “Comentaram no trabalho que ia ventar, mas ninguém esperava que fosse nesse nível.”

Foi o que viveu um passageiro que seguia de metrô da Central do Brasil para a estação Carioca. Segundo ele, o trem parou na Uruguaiana com as portas abertas, e os passageiros foram informados pelo sistema de som que a circulação havia sido interrompida por falta de energia provocada pelas condições climáticas.

Sem previsão de retomada, ele decidiu deixar a estação e seguir a pé. “Do lado de fora, o vento estava muito forte. As pessoas corriam para se abrigar ou tentavam encontrar algum meio de ir para casa, porque não tinha metrô e estava muito difícil conseguir Uber ou ônibus”, contou.

Ao chegar em casa, encontrou mais sinais da força da tempestade. Nas proximidades de sua residência, parte da cobertura de um posto de combustíveis havia sido destruída pela ventania.

Os ventos também afetaram a operação do BRT, que registrou intermitência, e do metrô. Todas as atividades dos veículos de trilhos foram paralisadas: “Por conta de falha no fornecimento de energia elétrica, a circulação de trens está interrompida em todo o sistema metroviário na tarde desta quarta-feira (29/07)”, informou o Metrô Rio.

Nos aeroportos, ainda não há informações sobre cancelamento de voos. Em Ipanema, na Zona Sul do Rio, passageiros de ônibus ocuparam as ruas para se distanciar de marquises e de onde ficam as árvores. Com milhares de pessoas tentando ir para casa após a ventania, os preços das corridas por aplicativo dispararam no bairro. Uma viagem entre Ipanema e a Lapa, que custa pouco mais de R$ 30 normalmente, chegou a R$ 110 perto das 16h50.

O túnel Rebouças também teve falta de luz.

No mesmo horário, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) colocou o município em Estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco, devido ao registro de ventos fortes e muito fortes e à previsão de intensificação das rajadas nas próximas horas. Segundo o Sistema Alerta Rio, a aproximação de uma frente fria pelo oceano tem provocado o aumento da intensidade dos ventos.

A previsão para o restante da tarde e da noite é de céu parcialmente nublado, sem chuva, mas com ventos variando de moderados a muito fortes. O Estágio 2 indica risco de ocorrências de alto impacto e pode ser elevado caso as condições meteorológicas se agravem.