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‘Você já viu essa pessoa?’ Theatro Municipal pede ajuda para identificar personagens ainda sem nome no seu acervo de fotos
Mutirão busca peças que faltam em um quebra-cabeça histórico em exposição na sede e na internet
Toda fotografia conta uma história. Nos arquivos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, há pelo menos 20 mil delas. Esses registros ajudaram a montar um mosaico detalhado da trajetória centenária de um dos mais imponentes palcos do país. A maior parte desse acervo está catalogada corretamente: possui dados, contexto e características específicas. No entanto, uma pequena porção dessa galeria carece de dados mais completos. Algumas fotos permanecem em gavetas, povoadas por rostos sem nome. Pelo menos até agora.
Crueldade:
Em Córdovil:
As 12 fotografias estão reunidas na galeria a seguir. Se você considerar alguma das pessoas retratadas ou tiver informações que ajudem a identificá-las, envie um e-mail para [email protected] . A colaboração dos leitores pode ajudar a completar a história preservada no acervo do Theatro Municipal.
Quem passou pelo foyer do Municipal até o início deste mês se deparou com cerca de duas bolsas essas fotos com lacunas na identificação dos personagens. Elas foram reunidas na mostra “(Re)conhecidos: você já viu essa pessoa?”, concebida com o intuito de buscar ajuda do respeitável público para reconhecer os retratados. Esse foi apenas o primeiro passo. Há duas semanas, uma dúzia de imagens daquela época começaram a ser exibidas em um salão maior. Publicadas nas redes sociais do Theatro Municipal, ganharam visibilidade (só no Instagram, são 257 mil seguidores). Não demorou para surgirem, nos comentários, os primeiros resultados:
R$ 21 mil por dois quartos no Méier:
"Entre Yurek Lazowsky e Tatiana Leskova (na foto abaixo) é uma das grandes Damas da Dança Moderna no Brasil, Nina Verchinina. Bailarina russa que, após uma brilhante carreira internacional, escolheu o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro (Copacabana), para criar seu maravilhoso método de Dança Moderna. Uma história belíssima que merece ser contada a todas as gerações", escreveu Karen Leão, bailarina e professora de dança moderna.
Três já identificados
Outras duas seguidas confirmaram a informação. Rita Serpa acrescentou que Verchinina “teve uma importância imensa para o Theatro Municipal”, tendo, inclusive, dirigido o corpo de baile do teatro. A foto em que Nina Verchinina (1910-1995) aparece é de 1979, anterior em sete anos à criação do Centro de Documentação da Fundação Teatro Municipal — o que, em parte, pode explicar uma falha. Ao lado dela, na imagem, estão o bailarino Yurek Lazowsky (1910-1980), a bailarina Tatiana Leskova, que completou 103 anos em dezembro do ano passado, e outra mulher cuja identidade segue desconhecida.
Outros dois personagens em exposição foram identificados em uma foto da década de 1970. A revelação coube ao músico Dalibor Svab. Em breve comentário, ele deu uma dica: “Na 6ª foto é o meu mestre Paulo Bosísio e a Lilian Barreto”. A referência é ao violinista carioca e à pianista, ambos em plena atividade.
'Eu só enrolei e coloquei ele na sacola':
Os três nomes foram incorporados pelo Centro de Documentação (Cedoc) do teatro às fichas das respectivas imagens. Uma quarta identificação está em processo de verificação.
— De certa forma, foi uma surpresa. Chegamos a temer que não houve nenhum retorno, mas já foram três identificações. O retorno de uma só já seria um saldo positivo para o setor, sinalizando que a iniciativa já teria valido a pena. Vamos continuar na esperança de que mais pessoas participem — disse Raquel Villagrán, coordenadora do Cedoc do teatro.
Ex-prefeito de Belford Roxo:
Nas 12 imagens disponibilizadas para consulta, não aparecem apenas artistas. Há registros de grupos de funcionários que ajudaram a construir a história do Municipal.
Na mais antiga, de 1934, especialistas em conservação de iluminação aparecem, sérios, olhando para a câmera com seus petrechos à mão durante a reforma do teatro naquele ano. Nenhum deles está identificado. Em outra imagem, os servidores confraternizam em volta de uma mesa na recém-inaugurada Central Técnica de Produções da Casa, em 1978.
Rostos ainda sem nome
Há ainda um registro curioso no setor de figurino, no qual, das três mulheres retratadas, apenas Tatiana Chagas Memória — ex-assessora do sociólogo e educador Darcy Ribeiro —, que trabalhou em produções da TV Globo e de apresentações no Municipal, foi identificada. Em outra imagem, um grupo de 18 bailarinas, uma delas segurando uma raquete, parece aguardar para entrar em cena.
Em comum, todos os personagens seguem em busca de um nome. A iniciativa do Theatro Municipal nasceu a partir da exposição “O passado é um ponto de luz”, do artista visual e pesquisador Rafael Cosme, que reúne achados fotográficos de anônimos garimpados pelas ruas e feiras do Rio.
Em Itaipu:
— Resgatar a memória do Theatro Municipal é também devolver sua história à sociedade. Ao disponibilizar essas fotografias, convidamos o público a nos ajudar a identificar pessoas, preservar lembranças e enriquecer, de forma colaborativa, o patrimônio cultural do Rio — diz Clara Paulino, presidente da Fundação Teatro Municipal.
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